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O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou, na segunda-feira (28), a paralisação de cinco empreendimentos imobiliários em Tamandaré, no Litoral Sul do estado, onde fica a famosa Praia dos Carneiros.
Entre eles está o Projeto 28, também chamado de Rota Due Caribe Brasileiro, realizado em conjunto com a NR Sports, empresa do jogador gerida por seu pai. A rota prevê 28 empreendimentos nas praias de Porto de Galinhas e Carneiros, em Pernambuco, além de Maragogi, Antunes e Japaratinga, em Alagoas, com valor estimado em R$ 7,5 bilhões. A recomendação do MPPE trata apenas da obra específica em Tamandaré, e não de todos os 28 projetos da rota.
O motivo é a falta do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Segundo o MPPE, documentos dos próprios empreendimentos indicam área construída superior a 5 mil m², limite a partir do qual a Lei Municipal nº 188/2002 exige o estudo. O órgão também alerta que é proibido dividir o empreendimento em blocos ou etapas para escapar da exigência.
Para os promotores, os impactos precisam ser avaliados antes da obra. Entre as preocupações estão a pressão sobre o abastecimento de água e o esgoto, que já operam no limite na alta temporada, o aumento do tráfego e o destino dos efluentes em uma região de recifes de coral, manguezais e estuários. Como vários grandes empreendimentos chegam ao município ao mesmo tempo, os efeitos podem se somar.
Tamandaré é sede da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, que abrange cerca de 413 mil hectares e protege manguezais, estuários, peixes-boi marinhos e recifes de corais. O MPPE também recomendou que a CPRH verifique se as obras atingem unidades de conservação, comunicando o ICMBio, e calcule a compensação ambiental devida.
A Due afirmou que o projeto está regularizado e possui alvará de construção e licença de instalação válidos. A CPRH e a Prefeitura de Tamandaré informaram que analisam a recomendação. Se ela não for acatada, o MPPE poderá recorrer à Justiça para exigir os estudos.
Fonte: UOL, CNN Brasil e g1.
#tamandare #praiadoscarneiros #licenciamentoambiental #costadoscorais #pernambuco
O cientista brasileiro Carlos Nobre recebeu o Prêmio Thomas E. Lovejoy 2026, concedido em reconhecimento à sua trajetória de mais de quatro décadas dedicada ao estudo da Amazônia e de sua relação com o clima global.
A homenagem foi entregue durante a Semana do Clima de Nova York, no Zoológico do Central Park.
Ao longo da carreira, Nobre construiu parte importante da ciência que hoje ajuda a compreender os riscos enfrentados pela floresta amazônica.
Entre suas principais contribuições estão os estudos sobre o chamado “ponto de não retorno” da Amazônia. Ainda na década de 1990, ele esteve entre os primeiros pesquisadores a modelar como o avanço do desmatamento e das mudanças climáticas poderia alterar o ciclo de chuvas e comprometer a capacidade da própria floresta de se manter.
Segundo o cientista, a combinação entre desmatamento superior a 20% da área original da floresta e aquecimento global de 2°C poderia desencadear um processo de degradação em grande escala.
Nobre iniciou sua trajetória no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e trabalhou durante cerca de 30 anos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Atualmente, é cientista sênior e professor do Instituto de Estudos Avançados da USP.
Também participou da criação e estruturação de instituições como o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Centro de Ciência do Sistema Terrestre e o Cemaden.
Hoje, é copresidente do Painel Científico para a Amazônia e coordena a iniciativa Amazônia 4.0, voltada ao desenvolvimento de atividades econômicas baseadas na biodiversidade e na manutenção da floresta em pé.
O prêmio leva o nome do biólogo Thomas E. Lovejoy, uma das grandes referências mundiais em conservação da biodiversidade e estudioso da Amazônia.
Fonte: ((o))eco.
#amazônia #carlosnobre #ciência #mudançasclimáticas #conservação
O El Niño deve alcançar intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, segundo o Boletim nº 4 do Painel El Niño, coordenado pelo Inmet em parceria com órgãos federais de monitoramento climático, hidrológico e de desastres.
A probabilidade estimada é de 95%, e o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
No fim de setembro, as anomalias de temperatura no Pacífico Equatorial já ultrapassavam 2°C em áreas centrais e orientais, segundo dados do CPC/NOAA. O boletim aponta que este episódio pode estar entre os mais intensos observados desde 1950.
Os impactos esperados no Brasil são bastante diferentes entre as regiões.
No Centro-Norte, a tendência é de agravamento da seca, temperaturas acima da média e maior risco de incêndios. Dados parciais de setembro mostram que o número de municípios em seca extrema passou de 4 para 24 em apenas um mês, enquanto aqueles em seca severa aumentaram de 153 para 197.
Na Amazônia, no Centro-Oeste e em partes do interior do país, o risco de fogo deve permanecer elevado entre outubro e dezembro.
Já o Sul deve continuar recebendo chuva acima da média, mantendo o risco de cheias e inundações. Volumes elevados já provocaram elevação de rios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e o Serviço Geológico do Brasil emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico na região ao longo de 2026.
O painel reforça, porém, que essas previsões representam tendências sazonais. Um El Niño muito forte aumenta a probabilidade de determinados extremos, mas não determina exatamente quando ou onde cada evento ocorrerá.
O cenário exige atenção simultânea a seca, incêndios, abastecimento de água, agricultura, ondas de calor, chuvas intensas e inundações nos próximos meses.
Fonte: CNN Brasil.
#elniño #clima #seca #incêndiosflorestais #eventosextremos
Uma área experimental instalada em Altamira, no Pará, está mostrando na prática como a semeadura direta com mistura de sementes nativas — conhecida como muvuca — pode ser utilizada na restauração ecológica.
A unidade demonstrativa foi implantada em fevereiro de 2026 no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental, às margens da BR-230, e já apresenta resultados visíveis.
A proposta é transformar o espaço em uma vitrine regional de técnicas de restauração, permitindo que produtores, pesquisadores, estudantes, técnicos e outros interessados acompanhem de perto o desenvolvimento da vegetação ao longo do tempo.
Na muvuca, sementes de diferentes espécies são misturadas e lançadas diretamente no solo, dispensando, em determinadas situações, a produção e o plantio individual de mudas. A técnica pode ampliar a escala da restauração e aproveitar sementes coletadas na própria região.
As sementes utilizadas na experiência foram coletadas pela Rede de Sementes da Terra do Meio, fortalecendo também uma cadeia que envolve coletores e comunidades locais.
O espaço será utilizado para monitorar indicadores ecológicos, realizar novos dias de campo e avaliar como diferentes formas de semeadura podem ser adaptadas às condições da região.
A iniciativa também busca aproximar conhecimento científico e experiência prática. Durante a implantação, participantes puderam acompanhar todas as etapas do processo e discutir aspectos técnicos da restauração com sementes.
O projeto reúne o Instituto Socioambiental, as iniciativas Caminhos da Semente e Redário, a Embrapa Amazônia Oriental, o Centro Capoeira e a UFPA, com apoio da Fundação Bezos para a Terra.
Mais do que recuperar uma área específica, a unidade pretende ajudar a disseminar técnicas capazes de ampliar a restauração ecológica na Amazônia com sementes nativas e conhecimento local.
Fonte: Instituto Socioambiental (ISA).
#restauração #amazônia #sementesnativas #muvucadesementes #altamira
A Polícia Federal deflagrou na terça-feira (29/9) a Operação Ramal Fechado, para combater a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Igarapé Lage, no município de Nova Mamoré, em Rondônia.
A ação começou após informações e denúncias sobre a retirada ilegal de madeira na região da Linha 8-C. Durante a operação, as equipes destruíram a madeira, as estruturas e os materiais usados na extração, com o objetivo de interromper a atividade e dificultar o transporte do produto para fora da área.
A operação contou com o apoio do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) da Polícia Militar de Rondônia e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Terras indígenas são áreas protegidas por lei, e a retirada de madeira sem autorização dentro delas é crime ambiental.
Fonte: Polícia Federal.
#terrasindigenas #rondonia #madeirailegal #amazonia #policiafederal
O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) lançou o edital do segundo lote de concessão da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Porto Velho (RO). A iniciativa combina restauração florestal, conservação, geração de créditos de carbono e desenvolvimento econômico local.
A área concedida terá 39.276 hectares, dos quais aproximadamente 6,4 mil hectares deverão ser restaurados ao longo do contrato. Diferentemente das concessões tradicionais voltadas ao manejo de florestas existentes, esse modelo tem como foco a restauração produtiva de áreas degradadas.
O contrato terá duração de 40 anos, contados a partir da aprovação do Plano de Restauração Florestal. A concessionária poderá gerar receitas com créditos de carbono, além de produtos florestais previstos no modelo de concessão e cadeias associadas à restauração.
O edital também estabelece investimentos em pesquisa científica, educação ambiental, proteção florestal e comunidades do entorno, incluindo ações relacionadas ao povo indígena Karitiana. Há ainda incentivos para aquisição regional de sementes e mudas, contratação de mão de obra local e ações de inclusão.
Esse será o segundo processo de concessão para restauração na Flona do Bom Futuro. O primeiro lote, leiloado em março de 2026, marcou a entrada de um modelo em que a recuperação de áreas degradadas pode ser financiada principalmente pela geração e comercialização de créditos de carbono.
As propostas para o novo lote deverão ser entregues na B3, em São Paulo, em 4 de novembro, e a abertura dos envelopes está prevista para 18 de novembro de 2026.
🌱 A proposta coloca em prática uma ideia importante para a economia florestal: áreas degradadas podem voltar a gerar floresta, carbono, produtos e renda. O desafio será demonstrar que essa conta também funciona econômica e ecologicamente no longo prazo.
💬 Você acredita que concessões associadas ao mercado de carbono podem acelerar a restauração de áreas degradadas na Amazônia?
Fontes: Canal Rural (referência principal); Serviço Florestal Brasileiro (SFB)
Como funcionam as Concessões Florestais Federais no Brasil? É possível produzir madeira e outros recursos naturais em florestas públicas sem transferir a propriedade dessas áreas para empresas privadas?
Neste vídeo do Florestal Brasil, explico de forma objetiva o que são as concessões florestais, como funciona esse modelo de gestão de florestas públicas e qual é o papel do manejo florestal sustentável na geração de produtos, renda e desenvolvimento regional.
Você vai entender como áreas públicas podem ser destinadas ao manejo por meio de concessões, quais atividades podem ser realizadas, como ocorre a exploração dos recursos florestais e quais controles existem para que a floresta continue desempenhando suas funções ambientais.
https://t.co/hC5tJBYgjF
Quando pensamos em restaurar uma área degradada, a primeira imagem que vem à cabeça é plantar árvores. Parece lógico — mas existe um problema enorme nessa lógica: nem todo ecossistema natural é uma floresta.
Nos campos úmidos do Cerrado, plantar árvores pode fazer exatamente o CONTRÁRIO da restauração. Neste vídeo, o engenheiro florestal Arthur Brasil explica por que restaurar um campo úmido é completamente diferente de restaurar uma floresta — e por que a água pode ser muito mais importante do que simplesmente plantar vegetação.
Um novo estudo de pesquisadores da Unicamp e do Instituto de Pesquisas Ambientais analisou campos úmidos preservados do Cerrado e definiu indicadores que ajudam a responder duas perguntas fundamentais: como saber se um campo úmido está realmente conservado? E como saber se uma restauração está funcionando?
Assista: https://t.co/V0RFUeHkS3
A Justiça Federal em Roraima determinou o bloqueio de bens, direitos e valores de quatro empresas acusadas de integrar uma cadeia ilegal de extração e venda de cassiterita e ouro retirados da Terra Indígena Yanomami. Somados, os bloqueios podem chegar a R$ 146 milhões.
A decisão atendeu a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) em ação baseada na Lei Anticorrupção, como desdobramento da Operação Forja de Hefesto.
Segundo a ação, o esquema funcionava em etapas. O minério era extraído clandestinamente na região do Pupunha, dentro da terra indígena, e levado por aeronaves a partir de pistas de pouso não autorizadas. Depois, era registrado como se fosse produção de cooperados e vendido a uma metalúrgica, que o transformava em lingotes de estanho.
A cassiterita é o principal minério de onde se extrai o estanho, metal usado em soldas de eletrônicos, embalagens e ligas metálicas.
Os bloqueios definidos foram de até R$ 108,4 milhões para a White Solder Metalurgia e Mineração, até R$ 31,8 milhões para a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), até R$ 5,4 milhões para a Cataratas Poços Artesianos e até R$ 360 mil para a TARP Táxi Aéreo.
Entre as evidências apresentadas estão movimentações financeiras de grande porte, divergências nos volumes declarados de cassiterita, documentos apreendidos e informações de inteligência.
A Justiça também pediu à Receita Federal os dados de faturamento das empresas entre 2021 e 2025, para o cálculo de eventuais sanções. As empresas ainda serão intimadas e poderão apresentar defesa. O MPF pede ainda a suspensão das atividades e a proibição de receberem incentivos públicos, pedidos que serão analisados no julgamento. Os mesmos fatos são alvo de uma ação penal na Justiça Federal.
Você sabia que minérios extraídos ilegalmente podem acabar entrando na cadeia formal dessa forma? Já tinha ouvido falar da cassiterita? Conta aqui nos comentários.
Fonte: Ministério Público Federal.
#yanomami #garimpoilegal #terrasindigenas #amazonia #mineracao
Lignina, celulose e hemicelulose: do que a madeira realmente é feita? 🌳
Um tronco parece um material único, mas, em escala microscópica, grande parte das paredes celulares é formada por três componentes fundamentais: celulose, hemiceluloses e lignina. Juntos, eles ajudam a explicar como uma árvore cresce dezenas de metros e se mantém resistente.
A celulose é formada por longas cadeias de glicose organizadas em microfibrilas. Funciona como uma "armadura" da parede celular, conferindo elevada resistência à tração. Na madeira seca, costuma representar cerca de 40% a 50% da massa, variando entre espécies e tecidos.
As hemiceluloses também são polissacarídeos, mas de estrutura mais curta, ramificada e quimicamente diversa. Elas interagem com as microfibrilas de celulose e outros componentes da parede, contribuindo para sua organização e flexibilidade. Correspondem a cerca de 20% a 35% da massa, com as folhosas geralmente à frente das coníferas.
Já a lignina é diferente: um polímero aromático complexo que se deposita na parede celular, aumentando rigidez, resistência à compressão e hidrofobicidade. É especialmente importante nos tecidos de sustentação e condução de água, representando cerca de 20% a 30% da massa seca.
Uma comparação ajuda a visualizar: a parede celular é como um concreto armado natural. A celulose é a armação resistente à tração; as hemiceluloses organizam e conectam a estrutura; e a lignina forma a matriz rígida que reforça e impermeabiliza parcialmente o conjunto.
Isso explica diferenças entre os produtos florestais. Na fabricação de papel e celulose, separa-se boa parte da lignina para aproveitar as fibras. Já em biomassa, biocombustíveis e biomateriais, entender como esses componentes se ligam é essencial para definir os processos de transformação.
🌱 A resistência de uma árvore não vem de um único material, mas da combinação molecular entre celulose, hemiceluloses e lignina — uma arquitetura construída pela própria planta.
💬 Você imaginava que a resistência da madeira começava em uma estrutura organizada em escala microscópica?
Depois de cada temporal, as imagens se repetem: árvores caídas bloqueando ruas, atingindo carros e rompendo a fiação elétrica. Mas, segundo especialistas, culpar as árvores simplifica um problema bem mais complexo.
Para o engenheiro agrônomo Marcelo Ferraz, professor da Unesp e especialista em arborização urbana, muitas quedas têm origem em falhas de planejamento, e não no excesso de árvores.
🌳 Entre os principais fatores apontados:
• Solo compactado por calçadas, ruas e tráfego, que limita o crescimento das raízes e reduz a estabilidade da árvore
• Covas e canteiros pequenos demais para espécies que atingirão grande porte
• Mudas de baixa qualidade, com raízes enoveladas ainda no viveiro
• Falta de poda de formação nos primeiros anos, o que leva a podas agressivas no futuro
• Fiação aérea disputando espaço com as copas
⚡ Entre as soluções citadas estão cabos compactos e protegidos, enterramento da rede elétrica, canteiros drenantes e a integração entre a chamada infraestrutura cinza (ruas, postes, tubulações) e a infraestrutura verde (árvores, parques, jardins de chuva).
🏙️ O especialista também destaca a regra 3-30-300, referência do Plano Nacional de Arborização Urbana (PlanNAU): cada pessoa deveria enxergar ao menos 3 árvores de casa, do trabalho ou da escola; os bairros deveriam ter 30% de cobertura arbórea; e ninguém deveria estar a mais de 300 metros de uma área verde. A meta é avançar nesses parâmetros até 2045.
⏳ Outro ponto é o tempo: uma árvore de grande porte leva de 10 a 20 anos para oferecer plenamente seus benefícios, prazo maior que um mandato. Por isso, a recomendação é criar planos de arborização que atravessem gestões e priorizar espécies nativas da região.
E na sua cidade? As árvores são planejadas junto com as ruas e a fiação? Já viu alguma queda que poderia ter sido evitada? Conta aqui nos comentários 👇
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Fonte: Jornal da Unesp.
#arborizacaourbana #cidadessustentaveis #meioambiente #eventosextremos #florestalbrasil
O Reino Unido formalizou um investimento de £ 400 milhões, cerca de US$ 540 milhões, no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo criado para financiar países que conservam e restauram suas florestas tropicais.
Com o novo compromisso, os aportes anunciados para o fundo chegam a aproximadamente US$ 7,3 bilhões. Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França e Luxemburgo também anunciaram investimentos, além de organizações filantrópicas e ambientais.
O TFFF foi lançado formalmente durante a COP30, em Belém, e pretende criar um sistema permanente de pagamentos baseado em resultados. A proposta é estabelecer uma fonte previsível de recursos para países que mantenham suas florestas conservadas, utilizando capital público também para mobilizar investimentos privados.
Um dos principais componentes do mecanismo determina que pelo menos 20% dos pagamentos sejam destinados diretamente a povos indígenas e comunidades locais.
Atualmente, a iniciativa conta com o apoio de 66 países e da União Europeia, que juntos concentram cerca de 90% das florestas tropicais e subtropicais do planeta.
A meta é alcançar pelo menos US$ 10 bilhões em compromissos iniciais até o final de 2026.
Durante a Semana do Clima de Nova York, o Brasil também defendeu a ampliação do financiamento para adaptação climática, restauração florestal e combate ao desmatamento, além da criação de um protocolo internacional específico para fortalecer a cooperação contra crimes ambientais.
A proposta do TFFF busca enfrentar um dos principais desafios da conservação: transformar a manutenção da floresta em pé em uma atividade economicamente valorizada e capaz de competir com usos da terra que promovem sua conversão.
Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
#florestas #amazônia #conservação #financiamentoclimático #tfff
A Polícia Federal e o Ibama realizaram, nos dias 24 e 25 de setembro, a Operação Fornalha, voltada ao combate ao garimpo ilegal em terras indígenas na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.
As equipes fiscalizaram áreas de mineração clandestina nas Terras Indígenas Sete de Setembro, Zoró e Roosevelt, localizadas entre os municípios de Cacoal (RO) e Rondolândia (MT).
Durante a operação, foram localizadas e inutilizadas duas escavadeiras hidráulicas, quatro dragas, cinco motores e dois acampamentos utilizados na extração ilegal de minério.
Segundo a Polícia Federal, a destruição dos equipamentos provocou prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões aos responsáveis pelas atividades ilegais.
Os agentes também apreenderam um frasco contendo mercúrio, uma espingarda e aparelhos celulares. O mercúrio é frequentemente associado à mineração ilegal de ouro e representa um risco adicional devido ao seu potencial de contaminação ambiental e exposição humana.
A operação contou ainda com apoio da Coordenação de Aviação Operacional da Polícia Federal, utilizada para acessar e fiscalizar regiões remotas.
As ações fazem parte dos esforços de repressão à mineração ilegal dentro de territórios indígenas, atividade que pode provocar desmatamento, degradação de rios, contaminação e impactos diretos sobre as comunidades que dependem desses ambientes.
Fonte: Polícia Federal.
#garimpoilegal #terrasindígenas #ibama #políciafederal #amazônia
A fumaça das queimadas voltou a comprometer a qualidade do ar em Manaus. Dados da RedeAr, analisados por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), mostram que a concentração média de material particulado fino (PM2,5) superou 30 µg/m³ em setembro.
A diretriz da Organização Mundial da Saúde recomenda até 15 µg/m³ para a média diária. No dia 23, sensores instalados na capital amazonense registraram picos acima de 160 µg/m³, mais de dez vezes esse valor de referência.
O PM2,5 é formado por partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro. Por serem extremamente pequenas, elas conseguem penetrar profundamente nos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea.
A exposição está associada a irritações e inflamações das vias respiratórias, agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares e aumento do risco de câncer de pulmão. Crianças, idosos, gestantes e povos indígenas estão entre os grupos mais vulneráveis.
Segundo o IPAM, a piora coincide com o aumento dos focos de calor na Região Metropolitana de Manaus. Em Manacapuru, a área queimada entre janeiro e agosto chegou a aproximadamente 2 mil hectares, aumento de 293% em relação a 2025. Em Iranduba, a alta foi de 212%.
Pesquisadores apontam ainda que o El Niño pode estar contribuindo para alterar a circulação atmosférica, favorecendo o transporte da fumaça para Manaus e municípios vizinhos.
Embora a área queimada no Amazonas tenha diminuído 26% no acumulado de janeiro a agosto, o crescimento das queimadas próximas à capital mostra que a localização do fogo também é determinante para a qualidade do ar.
Em 2025, o Amazonas já havia registrado 67 dias acima de 15 µg/m³ de PM2,5, segundo dados do IPAM.
Fonte: ((o))eco.
#amazônia #manaus #queimadas #qualidadedoar #elniño
As canelas-de-ema, plantas do gênero Vellozia, são algumas das espécies mais adaptadas aos ambientes extremos do Cerrado. Crescem sobre solos pobres e rochosos, enfrentam longos períodos de seca e algumas chegam a florescer poucas semanas após a passagem do fogo.
Mas toda essa resistência tem um limite: para se reproduzir com sucesso, muitas dependem diretamente de polinizadores.
Um estudo realizado na Serra do Cipó, em Minas Gerais, acompanhou 13 espécies durante dois anos e combinou observações de campo, experimentos de polinização e testes de germinação.
Entre as 11 espécies submetidas aos experimentos reprodutivos, sete não produziram frutos ou sementes quando os animais foram impedidos de visitar as flores.
Mesmo em espécies capazes de algum nível de reprodução sem visitantes, os melhores resultados ocorreram quando havia polinização por animais. Não bastava formar frutos: as sementes provenientes de flores visitadas por polinizadores apresentaram melhor desempenho e maior capacidade de germinação.
Os principais visitantes registrados foram beija-flores, como Colibri serrirostris e Chlorostilbon lucidus, além de abelhas do gênero Trigona e da abelha-africanizada Apis mellifera.
O resultado é especialmente relevante porque cerca de 75% das espécies da família Velloziaceae são endêmicas, muitas restritas aos campos rupestres.
Esses ambientes, apesar da aparência rochosa e da vegetação baixa, não são áreas degradadas: são ecossistemas antigos, diversos e repletos de espécies encontradas em poucos lugares do planeta.
A pesquisa mostra que conservar uma planta não significa apenas manter indivíduos vivos. É necessário preservar também as relações ecológicas que permitem sua reprodução.
Sem beija-flores e abelhas, algumas das plantas mais resistentes do Cerrado podem simplesmente deixar de produzir a próxima geração.
Saiba mais através do link: https://t.co/kG8ja9iY5O
#cerrado #polinização #abelhas #beijaflores #biodiversidade
A Justiça Federal condenou dois produtores rurais e uma empresa de aviação agrícola ao pagamento de R$ 750 mil por danos morais coletivos à Comunidade Indígena Morcego, localizada na Terra Indígena Serra da Moça, em Boa Vista (RR).
Segundo o Ministério Público Federal, a Fazenda Paricarana fica a menos de 300 metros da comunidade, onde vivem indígenas Macuxi e Wapichana. As investigações identificaram cinco registros de pulverização aérea de agrotóxicos na região a partir de 2021.
O Ibama já havia fiscalizado a propriedade, aplicado multas e determinado a suspensão da atividade. Mesmo assim, segundo o processo, novas pulverizações foram registradas. As autuações ambientais chegaram a R$ 307,5 mil.
Moradores relataram ardência no corpo, dificuldade para respirar, dor de cabeça, náusea, coceira e irritação nos olhos após os episódios. O Distrito Sanitário Especial Indígena também registrou atendimentos que poderiam estar relacionados à exposição.
Um relatório do Ibama apontou ainda que uma roça comunitária dentro do território indígena foi atingida por agrotóxico, provocando perda da plantação.
Os réus negaram irregularidades e sustentaram que as aplicações seguiam as normas técnicas, além de contestarem a relação entre a pulverização e os problemas de saúde relatados.
A sentença, porém, considerou que autos do Ibama, relatórios de saúde e depoimentos reunidos no processo demonstraram a contaminação da área e o risco à população, aplicando os princípios da precaução e do poluidor-pagador.
Além da indenização, foi mantida a proibição de pulverizações aéreas na propriedade e nas proximidades da Terra Indígena quando realizadas em desacordo com as normas ambientais e de segurança.
A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada por recurso.
Fonte: FolhaBV.
#agrotóxicos #povosindígenas #roraima #fiscalização #meioambiente
Durante décadas, os areais do sudoeste do Rio Grande do Sul foram frequentemente associados à degradação ambiental. Pesquisas mostram, porém, que parte dessas formações é natural, existe há milhares de anos e desempenha funções importantes para a biodiversidade e para o ciclo da água.
Distribuídos por dez municípios gaúchos, os areais integram um sistema que conecta Amazônia, Oceano Atlântico, Pampa e Sistema Aquífero Guarani.
Em São Francisco de Assis e nos demais municípios onde essas formações ocorrem, cerca de 25% das chuvas têm origem direta ou indireta na Amazônia, enquanto aproximadamente 14% da umidade chega do Atlântico.
Quando essa água alcança os solos arenosos, parte consegue infiltrar profundamente. Medições realizadas pelo geógrafo Jean Carlo Caneppele indicam que cerca de 14% da precipitação que chega aos areais contribui para a recarga do Aquífero Guarani.
Essas áreas naturais também funcionam como zonas de filtragem. Como os areais preservados não recebem aplicação de agrotóxicos, a água atravessa o solo antes de atingir camadas subterrâneas.
Pesquisas iniciadas ainda na década de 1980 ajudaram a demonstrar que arenização e desertificação não são sinônimos. Em São Francisco de Assis, por exemplo, um areal foi datado em aproximadamente 15 mil anos, muito antes da agricultura moderna.
Hoje, essas formações ocupam cerca de 5 mil hectares no sudoeste gaúcho e possuem espécies adaptadas especificamente aos ambientes arenosos.
As mudanças climáticas, entretanto, trazem novos riscos. Dados de 37 estações pluviométricas entre 1940 e 2024 indicam aumento das chuvas anuais, dos volumes extremos em um único dia e da frequência de temporais, fenômenos capazes de intensificar erosões em solos frágeis.
As descobertas reforçam a necessidade de distinguir areais naturais, que devem ser conservados, de áreas efetivamente degradadas por processos de arenização.
Fonte: Tempo.
#pampa #aquíferoguarani #amazônia #recursoshídricos #conservação