Tem um movimento estranho acontecendo,e isso aqui é um alerta:
Eu não gosto de teoria da conspiração. Gosto de observar comportamento de rede. E tem coisa fora do padrão.
Muita gente ainda se informa pelo Twitter. E há dias a plataforma está claramente estranha na dinâmica dos assuntos do momento. Nada fixa. Nenhuma repercussão sustenta. Nenhuma pauta grande permanece ali por muito tempo.
Ameaça internacional, crise, tragédia, assunto de enorme interesse público. Sobe e cai rápido. Some. Não fixa.
Ao mesmo tempo, começa um movimento muito esquisito de setores da extrema direita dizendo que o país está sendo blindado de notícias. Que há cerceamento da imprensa. Que estão sonegando informações.
E aí mora a operação.
Porque não se trata de uma notícia que não existiu. O incêndio no velódromo, por exemplo, foi noticiado amplamente. Saiu em vários veículos, inclusive no Jornal Nacional. Mas como não entrou ou não permaneceu entre os assuntos do momento, tentam vender isso como prova de censura, como se alguém estivesse escondendo os fatos da população.
Percebe o tamanho da manipulação?
Querem construir artificialmente a ideia de que a imprensa está sendo calada, de que as informações estão sendo controladas, de que existe uma blindagem do país contra a verdade. E esse tipo de narrativa tem método, tem objetivo e tem referência internacional.
Isso é típico do discurso autoritário. É típico de ambientes em que se tenta desacreditar a imprensa para substituir a realidade por paranoia política.
E tem mais: Trump adora atacar ditaduras, posar como defensor da liberdade, enquanto usa exatamente a cartilha de líderes autoritários quando interessa politicamente. Ataca imprensa, deslegitima mediação, fabrica sensação de perseguição e transforma mentira em instrumento de mobilização.
Por isso, é bom ficar alerta.
Porque talvez o ponto não seja a ausência de notícia. O ponto pode ser a fabricação deliberada da sensação de censura.
E quando a extrema direita começa a empurrar esse tipo de leitura de forma coordenada, dificilmente é por acaso.
Coisa boa não é.