@GoldfishMilk1 Wasn't Garfield like 14 years old? I just want Ram to be happy, but I don't think pairing her with a younger guy when she's older is a good idea
Pra mim, dizer que Re:Zero tem uma das piores representações dos Sete Pecados Capitais porque os personagens não correspondem à interpretação mais literal de cada pecado é uma crítica bastante superficial.
O ponto é que Re:Zero não trabalha os pecados apenas como características de personalidade. A obra explora como eles se manifestam na visão de mundo, nas motivações, nas contradições e nas ações de cada personagem.
A Preguiça do Petelgeuse, por exemplo, não precisa se manifestar como preguiça física. Ele é extremamente diligente, mas essa diligência se torna uma obsessão cega, na qual ele abandona o próprio julgamento e se prende àquilo que acredita ser sua obrigação. Sua aparente contradição com o pecado é justamente parte do que torna o personagem interessante
Regulus é outro exemplo. Ele insiste que está satisfeito e que não deseja nada além de viver em paz, mas sua necessidade de controlar os outros, impor sua vontade e reivindicar direitos sobre a vida alheia revela uma ganância que vai muito além de simplesmente querer acumular riquezas
Sirius fala de amor, compreensão e compartilhamento de sentimentos, mas não consegue aceitar que outras pessoas tenham vontades e emoções próprias. Ela quer impor sua maneira de sentir aos demais. Sua ideia de amor se transforma em violência quando alguém não corresponde àquilo que ela acredita
E é justamente aí que está o ponto: não é necessário que um personagem esteja constantemente demonstrando a característica mais óbvia de seu pecado para representá-lo bem
Isso também se aplica às Bruxas. Minerva quer combater as injustiças do mundo, mas seu poder de cura provoca sofrimento em outros lugares. Daphne teme morrer de fome e cria criaturas capazes de alimentar inúmeras pessoas, mas essas mesmas criaturas se tornam ameaças terríveis. Suas motivações não são simplesmente malignas, e suas ações não podem ser avaliadas apenas pela intenção inicial
As Bruxas não precisam ser apenas vilãs consumidas pelos próprios pecados. Suas existências também são trágicas, e é justamente o contraste entre aquilo que desejam, aquilo que acreditam estar fazendo e as consequências de suas ações que torna suas histórias interessantes
Além disso, não faz sentido exigir que as Bruxas e os Arcebispos representem seus respectivos pecados exatamente da mesma maneira. Eles são personagens diferentes, com histórias, personalidades, poderes e visões de mundo distintas, ainda que estejam associados ao mesmo conceito
isso não significa que toda representação seja perfeita ou que não existam críticas válidas a serem feitas. Mas afirmar que Re:Zero falha em representar os pecados simplesmente porque alguns personagens não correspondem aos estereótipos mais óbvios ignora boa parte do que a obra está construindo
Você pode não gostar da execução ou considerar algumas associações menos claras que outras. Isso é perfeitamente válido. Só que dizer que a representação é ruim exige mais do que apontar que um personagem da Preguiça é diligente ou que alguém da Ira fala sobre amor.
A questão não é se os personagens parecem personificações literais de seus pecados, mas como esses pecados se manifestam nas contradições, nos desejos e nas tragédias de cada um. E nesse aspecto, acredito que Re:Zero faz muito mais do que uma leitura superficial permite perceber