O dia 15/9/2026 precisa ficar marcado na história do Brasil como a data de atuação mais ostensiva do sistema contra a ética, a transparência, a honestidade intelectual, o interesse público e a igualdade perante a lei.
No momento em que milhões de brasileiros se indignam com o cinismo, a truculência e as manobras da ala pró-Moraes do STF, no entanto, milhões também manifestam intenção de voto em um dos dois maiores grupos políticos atingidos pelo escândalo do Banco Master e que, em razão de rabos presos e esqueletos no armário, sabotaram juntos a Lava Jato e a Lava Toga, e ainda consentiram em 2019 com a criação do inquérito das fake news, agravando os vícios da pior composição da história do Supremo.
Não existe República funcional sem uma base moral sólida, presente não apenas no espírito das leis escritas, mas também no espírito de mulheres e homens públicos, ou pelo menos no das pessoas que têm o dever de fiscalizá-los para que ajam conforme os princípios constitucionais, não conforme a sua ganância e a conveniência da tribo.
Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido no julgamento sobre os indícios de crimes de Moraes, ajudando o alvo, foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro antes de André Mendonça, quando o então presidente buscava blindar o filho e atual candidato Flávio contra investigações de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, como acabou conseguindo fazer, com voto de Nunes Marques.
Flávio Dino, que pediu vista do processo com medo dos efeitos eleitorais negativos para Lula, foi indicado pelo atual presidente, quando o petista quis justamente emplacar uma “cabeça política” no Supremo.
Gilmar Mendes, que repetiu sua perfomance histriônica contra investigações de aliados e seus ataques tradicionais ao juiz do caso, é o mesmo que blindou Lula e Flávio Bolsonaro contra a Lava Jato e um
desdobramento: a operação Furna da Onça.
Já a fortuna de Daniel Vorcaro, seus sócios e operadores foi construída com dinheiro privado de 1,6 milhão de investidores enganados pela propaganda Master e com dinheiro público obtido com ajuda do PT da Bahia no caso do Credcesta e do PL do Rio de Janeiro no caso do Rioprevidência, entre tantas outras fontes suspeitas.
Com essa fortuna, Vorcaro garantiu a “consultoria” do lobista lulista Guido Mantega, contratou o escritório da esposa de Moraes e pagou o filme bolsonarista Dark Horse, abrindo portas palacianas e janelas de WhatsApp para turbinar seus negócios.
Agora que ele está preso e o conteúdo de seu celular veio à tona, Moraes passou a defender até que haja pedido da PGR para abertura de inquérito, o que não aconteceu quando foi aberto o inquérito das fake news, relatado por ele por sete anos e meio.
O bolsonarismo tenta faturar politicamente em cima da aliança entre lulismo e alexandrismo, mas é corresponsável pelo estado de coisas que denuncia em carros de som e redes sociais, para enganar segmentos anestesiados da população.
Cada um desses grupos se suja na lama do poder e acaba alimentando o outro, que aproveita para se limpar na sujeira alheia.
Manter esse ciclo em vigor é aprisionar o Brasil em um eterno 15/9/2026.