@RenanSantosMBL Acabei de votar aqui na minha cidade, me senti um tanto feliz e emocionado em votar na missão
Que Deus te abençoe e que Deus abençoe nos brasileiros
O futuro é glorioso
CARTA ABERTA AO RENAN SANTOS
Renan,
Ontem, assistindo à sua conversa no IronTalks, houve um momento em que a política deixou de importar para mim.
Foi quando ouvi seu pai falar de você.
Talvez aquilo tenha me tocado tanto porque, apesar das nossas histórias serem diferentes, encontrei ali alguma coisa que também faz parte da minha.
Fui abandonado quando tinha apenas seis meses de idade. Mas a vida, que às vezes nos tira por uma mão, devolve pela outra. Tive a sorte de ser criado pelos meus avós e posso dizer, sem hesitar, que tive os melhores pais que poderia ter tido.
Por isso acredito muito na importância de quem nos cria.
Pais são um pouco como o ceramista diante do barro. Enquanto somos pequenos, aquelas mãos vão nos dando forma. Corrigem aqui, sustentam ali, apertam quando é preciso e protegem quando ainda somos frágeis demais.
Depois vem o forno.
E o forno é a vida.
É ela que endurece aquilo que foi moldado, deixa marcas, às vezes racha algumas partes, mas também transforma aquele barro em alguma coisa capaz de resistir ao tempo.
Quando ouvi seu pai falar, pensei nisso.
E talvez tenha sido ali que passei a compreender um pouco melhor algumas coisas em você.
Ontem também vi algo que valorizo muito numa pessoa: você não teve medo de reconhecer erros e pedir desculpas quando achou que devia.
E isso me obrigou, mais uma vez, a olhar para os meus próprios erros.
Porque eu também tenho um pedido de desculpas a fazer.
Durante algum tempo, encampei uma guerra virtual que não era minha. Achei que estava lutando do lado certo e só mais tarde percebi que, em vários momentos, estava pegando nas armas de quem transformava qualquer contraditório numa guerra pessoal.
Eu participei disso.
Compartilhei, escrevi, ataquei e ajudei a alimentar uma narrativa contra você, contra o MBL e contra pessoas que eu sequer tinha procurado conhecer verdadeiramente.
Não vou colocar toda a responsabilidade em quem me influenciou, porque seria fácil demais.
As mãos eram minhas.
O teclado era meu.
A decisão de publicar também era minha.
Por isso, Renan, eu lhe peço desculpas.
Não porque hoje concorde com cada palavra sua. Não concordo e provavelmente nunca concordarei. E ainda bem. Aprendi da pior maneira que transformar alguém em dono da verdade é justamente o começo do problema.
Peço desculpas porque hoje reconheço que fui injusto.
Também percebi que, durante muito tempo, me deixei envolver pela guerra pessoal do Nando Moura. Passei a enxergar pessoas através da régua dele e a comprar conflitos que, na verdade, não eram meus.
Com o tempo, comecei a perceber um padrão que me incomodava: o contraditório rapidamente virava conflito pessoal; quem discordava deixava de ser apenas alguém com outra opinião e passava a ser tratado como inimigo. E eu, acreditando estar defendendo aquilo que era certo, entrei nessa lógica.
Hoje reconheço que peguei nas armas de uma guerra que não era minha. Mas não quero usar o Nando como desculpa para os meus próprios atos. Ele pode ter influenciado a forma como eu enxergava vocês, mas quem escreveu, compartilhou e atacou fui eu.
Essa responsabilidade é minha.
E talvez seja justamente por ter errado que hoje dê tanto valor a quem consegue dizer simplesmente: “Eu errei.”
Não é fraqueza.
É preciso muito mais coragem para reconhecer um erro publicamente do que para passar anos inventando justificativas para ele.
Também comecei a entender melhor de onde vem parte da sua dureza quando fala de criminalidade. Existem coisas cujo peso é difícil compreender olhando de fora. Quem já sentiu na própria pele as consequências da violência e da criminalidade carrega determinadas palavras de outra maneira.
E, para além da história pessoal, passei a ouvir suas ideias.
Não cortes escolhidos por adversários. Não interpretações de terceiros. Você.
Vi alguém capaz de sentar durante horas e conversar sobre política, economia, segurança, história, tecnologia, cultura e tantos outros assuntos; alguém que estudou, trabalhou e queimou muita pestana para construir o caminho que percorreu.
Posso discordar aqui e ali. Isso continuará acontecendo.
A diferença é que agora quero discordar de você, quando for o caso, e não da caricatura que alguém construiu de você para mim.
Talvez seja essa a maior mudança que aconteceu comigo.
Eu continuo sendo o mesmo homem em muitas das minhas convicções. Mas deixei de precisar de um ídolo que pense por mim e de um inimigo que eu precise odiar.
Ontem, vendo você falar, pedir desculpas pelos próprios erros e depois ouvindo seu pai, senti uma identificação que já não era apenas política.
Era humana.
Somos resultado das mãos que nos moldaram, das pancadas que levamos e do forno pelo qual a vida nos obrigou a passar.
Algumas peças saem perfeitas.
Outras carregam marcas.
Eu carrego as minhas.
E uma delas é saber que um dia fui injusto com você.
Não posso apagar aquilo que escrevi. Não posso voltar no tempo e retirar palavras que já foram lidas.
Posso apenas fazer hoje aquilo que deveria ter feito antes:
reconhecer, assumir e pedir desculpas.
Que amanhã, independentemente de tudo o que a vida e a política ainda reservem, você nunca perca a capacidade que demonstrou de reconhecer seus próprios erros.
Porque projetos importam. Ideias importam. Coragem importa.
Mas caráter também se revela naquele momento difícil em que somos capazes de olhar para trás e dizer:
“Aqui eu errei.”
Hoje sou eu quem diz.
Desculpa, Renan.
E obrigado por, mesmo sem saber, ter me feito olhar novamente para a minha própria história.
Pedro Miguel
Nunca tinha visto essa estatística do Lionel Messi em Copas.
As 3 vezes que ele chegou na final da Copa do mundo ele liderou a Argentina em gols, assistências, Grandes chances criadas, passes decisivos e dribles certos.
Melhor que vi jogar futebol.