Eis o vídeo do @PatrickByrne legendado em português: saiba como a Venezuela, mediante hackers na Sérvia, fraudou suas eleições... e também as de outros 72 países. Saiba como Byrne hackeou as últimas eleições na Venezuela, obrigando Maduro a impedir o anúncio dos resultados, tomando novamente o poder. E saiba de muitas outras coisas cabeludas... incluindo quem está por trás de tudo.
Em 1896, numa crônica, Machado de Assis já comentava a mudança da capital do país para o estado de Goiás e previa (imaginava) a ponte Rio-Niterói. Eis o trecho:
A questão da capital
A questão da capital — ou a questão capital, como se dizia na República Argentina, quando se tratou de dar à Província de Buenos Aires uma cabeça nova, própria, luxuosa e inútil —, a nossa questão capital teve esta semana um impulso. Discutiu-se na Câmara dos deputados um projeto de lei, que o dr. Belisário Augusto propõe substituir por outro. Este outro declara a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro capital da República. Não é preciso acrescentar que o fundamentou eloqüentemente; este advérbio acompanha os seus discursos. Foi combatido naturalmente, sem paixão, sem acrimônia, com desejo de acertar, visto que a Constituição determina que no planalto de Goiás seja demarcado o território da nova capital, e já lá trabalha uma comissão de engenheiros; mas, estipulando a mesma Constituição, artigo 34, que ao Congresso Federal compete privativamente mudar a capital da União, entendeu o dr. Belisário Augusto que esta cláusula, se dá competência para a mudança, também a dá para a conservação; argumento que o dr. Paulino de Sousa Júnior declarou irrespondível.
[...]
A conclusão é que o Rio de Janeiro, desde princípio, achou que não devia ser capital da União, e este voto pesa muito. É o decapitado par persuasion. Assim é que temos contra a conservação da capital, além do mais, o beneplácito do próprio Rio de Janeiro. Ele será sempre, como disse um deputado, a nossa Nova York. Não é pouco; nem todas as cidades podem ser uma grande metrópole comercial. Não levarão daqui a nossa vasta baía, as nossas grandezas naturais e industriais, a nossa rua do Ouvidor, com o seu autômato jogador de damas, nem as próprias damas. Cá ficará o gigante de pedra, memória da quadra romântica, a bela Tijuca, descrita por Alencar em uma carta célebre, a lagoa de Rodrigo de Freitas, a enseada de Botafogo, se até lá não estiver aterrada, mas é possível que não; salvo se alguma companhia quiser introduzir (com melhoramentos) os jogos olímpicos, agora ressuscitados pela jovem Atenas... Também não nos levarão as companhias líricas, os nossos trágicos italianos, sucessores daquele pobre Rossi, que acaba de morrer, e apenas os dividiremos com São Paulo, segundo o costume de alguns anos. Quem sabe até se um dia...
Tudo pode acontecer. Um dia, quem sabe? lançaremos uma ponte entre esta cidade e Niterói, uma ponte política, entenda-se, nada impedindo que também se faça uma ponte de ferro. A ponte política ligará os dois estados, pois que somos todos fluminenses, e esta cidade passará de capital de si mesma a capital de um grande estado único, a que se dará o nome de Guanabara. Os fluminenses do outro lado da água restituirão Petrópolis aos veranistas e seus recreios. Unidos, seremos alguma coisa mais que separados, e, sem desfazer das outras, a nossa capital será forte e soberba. [...]
Gazeta de Notícias, 7 de junho de 1896