Vou fazer aqui um mea culpa sobre a Érika: no começo da legislatura me enganei redondamente sobre ela, que me parecia ser mais uma deslumbrada, mais preocupada em fazer carão e posar de diva pop.
Eu não poderia estar mais enganado. Érika é uma parlamentar combativa, habilidosa, inspiradora e pragmática. Ao contrário de alguns pares de partido, vai muito além do perfil de presidenta de DCE e líder sectária. Fura bolhas, discursa brilhantemente e abraça pautas centrais para os trabalhadores.
Estamos vendo se consolidar uma carreira brilhante. E, como ano que vem, aparentemente, vai estar no PT junto ao grupo do Boulos, se cacifa a voos ainda mais altos: quem sabe uma Prefeitura de SP ou o Senado em 2030.
Érika é a cara do Brasil atual como Lula representa o Brasil do fim do século XX e primeiros decênios do XXI. Representa as lutas e a ascensão de uma classe trabalhadora excluída, mestiça, periférica, violentada e humilhada que não aceita mais se calar e se diminuir, tal qual Lula representou a ascensão do retirante miserável no século passado, pelas vias da profissionalização tradicional, dos sindicatos, da Igreja Católica e da política.
E esse papo de que o brasileiro não elegeria uma travesti é BALELA. Esse suposto ultraconservadorismo do brasileiro é uma lenda e tem mais a ver com a influência das classes formadoras de opinião, pastores etc, do que com um conservadorismo inerente do povo. Há muito jogo pela frente, e Érika Hilton é a cara dele. Avante!