Imagina o assessor ligando pro cliente pra dizer:
“Senhor, o senhor vai receber 6,88% do valor investido.”
Do outro lado da linha, silêncio.
O homem não sabia se ria, se chorava, ou se desligava o telefone.
Ele tinha colocado R$ 289 mil, a economia de uma vida inteira, em um COE da Ambipar, vendido pela XP.
O título venceria só em 2031. Mas a XP resolveu liquidar agora.
Do nada, os R$ 289 mil viraram R$ 19 mil.
“Se arrependimento matasse, eu estaria morto agora.”
Foi o que ele escreveu.
E é difícil não sentir o peso dessas palavras.
Porque não é sobre um erro pontual, é sobre um sistema que vende risco como se fosse segurança.
Um produto que parece investimento, mas funciona como aposta.
O COE (Certificado de Operações Estruturadas) é o produto preferido dos bancos pra lucrar sem correr risco.
Eles juntam renda fixa, derivativos, crédito privado, e vendem como se fosse uma “solução inteligente”.
Só que quem compra não entende 10% do que está por trás.
Acha que é diversificação.
Acha que está sendo sofisticado.
Mas o que está comprando é complexidade com cara de proteção.
Quando tudo vai bem, o banco ganha.
Quando tudo dá errado, o banco continua ganhando, e o investidor perde.
No caso da Ambipar, a empresa mergulhou em crise, o mercado perdeu confiança, e a XP, que tinha swaps cambiais pra proteger a própria posição, decidiu liquidar os COEs antecipadamente pra não bancar o custo do carrego.
Traduzindo: a XP não quis perder dinheiro e empurrou o prejuízo pro cliente.
Legalmente, pode.
Eticamente, é revoltante.
O cliente não podia sair antes, mas a XP podia liquidar quando quisesse.
E liquidou.
Agora imagine o desespero de quem viu anos de trabalho, poupança e sonhos derreterem em questão de dias.
Não porque o mercado caiu, mas porque um banco decidiu proteger o próprio caixa antes do seu.
E o pior é que esse tipo de produto é campeão de comissões.
Os bancos ganham na largada.
Os assessores recebem no dia da venda.
E o risco, o rombo, o arrependimento... ficam com o investidor.
É assim que a indústria financeira disfarça risco de investimento com palavras bonitas:
“diversificação”, “sofisticação”, “proteção parcial”.
Tudo isso pra mascarar a verdade:
o COE é uma bomba-relógio.
E quando ela explode, o banco aperta o botão da proteção, e você o cliente é quem paga a conta.
O caso da Ambipar e da Braskem é um alerta brutal:
não existe milagre financeiro.
Se você não entende no que está investindo, é porque alguém está ganhando dinheiro com a sua ignorância.
E, infelizmente, dessa vez, a conta veio cara demais.
@joao8_32_JB Você diz certo , “ FOI “ , mas agora não é mais , Bolsonaro é um asno fez muita merda , agora é outro tempo ele foi importante , mas perdeu a vez.