Castigo divino. No final da década de 90 estava eu muito descansado no hotel Intercontinental do Rio de Janeiro quando chegou uma mensagem da TAP. A minha tripulação iria seguir de imediato para São Paulo Guarulhos onde nos esperava um Airbus A340 para levarmos para Lisboa. Iríamos todos fardados. Assim foi. Apanhámos um Boeing 737 da falecida VASP e seguimos viagem. O problema surgiu quando respeitosamente fui ao cockpit apresentar cumprimentos aos colegas brasileiros. Já não me deixaram sair. Conversa puxa conversa, mais um cafezinho e outro cafezinho, foi um "samba" como não podia deixar de ser. Quando o avião começou a descer tentei voltar para o meu lugar "para não perturbar o trabalho" mas não me deixaram: Nonô, traz mais um cafezinho aqui pró Zé. A conversa continuava animada mas a partir de determinada altura começo a perceber que o copiloto, que era quem pilotava em modo visual, estava apontado ao taxiway (a amarelo) e não à pista 27R (a vermelho) como devia e estava autorizado. Fiquei numa angústia. Digo? Não digo? Era muito chato o convidado dar palpite mas... Fui salvo pelo controlador da torre de Guarulhos que deu pelo erro e chamou a atenção do VASP. O copiloto largou um sonoro p... q.. p.....!!! e corrigiu a aproximação. Depois, à despedida lá me disseram algo como Zé, não fica mal impressionado, isto acontece a todos. Compreendo, disse eu. Fiquem descansados. Comigo é boca de siri (calado). Claro que ao chegar ao nosso avião comecei logo a contar a toda a gente o sucedido para gozação geral. Fui castigado. Meses depois um Airbus A340 da TAP aterrou mesmo no tal taxiway. Juro que não fui eu mas lembrei-me logo daqueles colegas da VASP que seguramente se rebolaram de gozo quando souberam