V i o carrinho bem cheio de tudo. Plástico, cano de pvc, papelão, e aquele homem sentado no acostamento, bem tranquilo, ocupado com alguma coisa que eu ainda não sabia o que era.
Resolvi estacionar. Desci do carro e fui caminhando ao encontro daquele senhor. Vi que ele, com aquele boné cinza estampado, uma camiseta preta com gola vermelha e calça jeans encardida, estava terminando de comer alguma coisa. Me pareceu uma manga, daquelas suculentas. Era assim que estava seu Rodrigo, com o rosto sujo, lambuzado da provável fruta.
– Tudo isso aqui foi o senhor que pegou? – falei me aproximando.
– Foi sim. Tem de tudo, né? – respondeu abrindo um sorrisão que surgiu de um espanto gostoso.
– Muita coisa! Como o senhor empurra esse peso todo?
Riu, agora mais alto, e falou:
– Com coragem, moça! Se não tiver coragem, a força não chega – disse isso levantando-se e passando a mão na boca. – Se a senhora adivinhar minha idade, eu rinche!
– Deixe-me ver... Sessenta? Qual é mesmo o seu nome?
– Errou por seis, mas chegou perto! Tenho sessenta e seis anos, minha filha. Meu nome é Rodrigo. Mas sou muito forte, sabe? – Ele falava com muito orgulho de si mesmo. – Hoje é um dia que vou chegar em casa lá pra meia-noite!
– Meia-noite? Mas por quê?
– Vou ter que separar tudo, pra amanhã cedo ir deixar lá na mulher que compra, perto do mercado. Ela é quem tem o preço melhor, compra os plásticos a setenta centavos, e o plástico é que é o melhor preço disso aqui tudinho! – falou, apontando para o carrinho.
– Peraí, seu Rodrigo, deixe eu entender: setenta centavos é o quilo do plástico? E essas outras coisas de ferro, esses papelões, não valem muito não?
– Vale nada! Estavam comprando por dez centavos o papel. Melhor procurar esses plásticos aqui. – Mostrava as bombonas de 5 e 10 litros que ficavam amontoadas no meio de tudo aquilo.
– Entendi. E para esse carrinho ficar tão cheio assim, o senhor levou quanto tempo?
– Hoje é segunda, né? – Começou a fazer uma conta mental – Faz seis dias, minha filha. Foi terça passada. – Quase uma semana que o senhor cata todo esse material nas ruas... E consegue arrecadar quanto, com o carrinho assim?
– Quando eu separar tudo, que a mulher pesar, e for justa no preço... uns cem reais.
– Uma semana e vai apurar cem reais. Entendi. Mas tem alguma outra fonte de renda?
– Deus é sempre bom, sabe? Sempre aparece alguma coisa. Minha mulher não pode trabalhar porque cuida dos seis filhos dela. Quando eu me casei com ela, ela era viúva e já tinha os meninos.
– Sei. Mas o senhor tem filhos? – Só nove – gargalhou, descontraído.
– Nove filhos? Mas moram aqui?
– Não, todos em Brasília. Tudinho nasceram lá. Eu sou de Caraúbas, mas com 16 anos fui morar em Brasília. Trabalhava em construção. Aí depois as coisas foram ficando mais difíceis, resolvi vir encontrar meus pais, que moravam aqui. Só voltei em Brasília uma vez. Os meninos ficaram lá. São adultos, já.
– Ele falava com muita vontade de falar a sua história. – Seu Rodrigo, então o senhor vive só com o que apura da venda desses materiais?
– Isso mesmo. Pouco com Deus é muito e muito sem Deus é pouco, minha filha. Eu sou muito feliz porque tenho saúde pra trabalhar. Qual o seu nome?
– Me chamo Katharina. Muito bonita a sua história, seu Rodrigo!
– Todos os dias quando me levanto e me deito, faço o sinal da cruz e agradeço a Deus pelo dia. O que a gente precisa que nunca falte na nossa vida é coragem. Se a gente tiver coragem e ser livre, Deus sempre vai dando um jeito.
– Seu Rodrigo, de vez em quando eu gosto de escrever sobre pessoas que têm histórias de vida bonitas assim, iguais a do senhor. Se incomoda se eu fotografar o senhor, e publicar um texto falando um pouco da sua história?
– Eu quero me ver na foto e na história! – Riu, orgulhoso. - Faz tempo que eu não tiro uma foto, viu? – A senhora é muito simpática, dona Katharina! Me ache mais vezes, viu?
Vou achar, seu Rodrigo. Um encontro desses não pode ficar só em um.
(Republicação)
Nasce no SUS, cresce na escola pública, se forma com o ProUni e conquista a casa pelo Minha Casa Minha Vida para morar.
Recebendo 13° e férias, aí vai pra internet defender o Estado mínimo e dizer que escolhe o candidato pelos princípios que ele prega"
Eu tive três pais.
O primeiro, o biológico, nunca conviveu comigo. Diziam que ele se parecia muito comigo: adorava cerveja, música e estar entre amigos. Pouco antes de ele falecer em um acidente de carro, quando eu tinha 15 anos, tomei coragem e o procurei para conversar e entender quem ele realmente era, e que bom que fiz isso! Ele pagou pensão alimentícia até meus 18 anos, mas a verdade é que nunca chegou a me colocar no colo.
O segundo foi o meu avô. Ele me educou e me criou como filha no tempo em que minha mãe, mãe solo, morou com ele e minha avó. Meu avô me amou profundamente e me ensinou tudo sobre cultura, solidariedade, humanidade e amizade.
O terceiro foi o meu padrasto, o meu pai de coração. Ele se casou com a minha mãe e me adotou como filha desde o primeiro momento. Transbordava amor e afeto, e me protegia de tudo e de todos. Ele fazia "pezinho" na piscina e no mar para me jogar para o alto, e tomávamos sorvete de flocos juntos assistindo à televisão. Era gentil, engraçado e protetor. Infelizmente, ele enfrentava a dependência do álcool e, de tempos em tempos, se transformava. Mas ele me amou demais, do mesmo jeito que eu o amei.
Eu tive três pais.
A experiência mais coletiva que existe é entrar em uma loja Americanas vazia, aquele clima apocalíptico, prateleiras sem reposição, nenhum funcionário nos corredores e mesmo assim ter quinze pessoas na sua frente na fila
Impressionante como a Turma da Mônica sempre foi essencial pro Brasil. Além de ajudar na alfabetização de todas as crianças e fazer parte da infância de inúmeras gerações, ainda fez essa ação histórica na época do início da pandemia em 2020.
Tive a ideia de fazer um post sobre o impacto das Bets em Minas Gerais depois que peguei um uber que motorista passou a corrida toda mais apostando do que dirigindo, e quando procurei por algumas reportagens pra ilustrar o post, me dei conta de que não existe tanta notícia sobre essas coisas o quanto deveria porque OS MAIORES PORTAIS DE NOTÍCIAS DA CIDADE SÃO PATROCINADOS POR BETS. Estamos vivendo uma epidemia silênciosa que cada vez menos será noticiada
Band acaba de detonar Record ao vivo por dar espaço ao ex-marido de Maria da Penha.
“Qual o interesse jornalístico em dar voz a um sujeito desses? Que prazer sádico é esse? Dar palco para o criminoso que tentou matá-la duas vezes é banalizar a vida.”
Quanta gente bonita no evento, amigos que não via há anos ou década. Fora a galera que veio reconhecer meu trabalho. Foi um dia muito feliz - fica um reforço pra mim mesmo que sair de casa dá sentido pras coisas.
as vezes o óbvio precisa ser dito SIMMM. irmã, as vezes cê não chegou lá ainda pq o seu ponto de partida foi na puta q pariu e o da pessoa que vc tá se inspirando foi a 10 metros da chegada!!!!!!!
enquanto os amargurados do twitter ficam querendo cagar regra de como deve ou não ir vestidos aos shows assim está quem de fato esteve lá curtindo da forma como se sentem bem…
O estilo marginalizado da música e do ritmo do Mc Hariel faz com que as pessoas ignorem que ele é um BAITA MÚSICO E ARTISTA. Depois leiam a história dele e da família.
Essa semana viralizou a fala de defesa a um apresentador por parte da CEO do SBT. A fala dizia q “ele é de outro tempo”.
Por isso, eu sempre defendo a @Eliana e o seu #EmFamíliaComEliana. Olha, o conteúdo que ela tá trazendo. Isso q é ser aliada na prática
Duas bixas histéricas dando show pra cima de mulher porque foram convidadas a se retirarem do vagão feminino do metro no Rio..... Faltou gente ali pra dar um sacode nesses dois misóginos