Even #EVEN3 | 1T26 🧵
Alto padrão vendendo. Margem expandindo. Caixa robusto.
📊 Receita líquida: R$330 mi (-2% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 25,6% → ajustada 35,6% (+6,2 p.p. vs 1T25)
💰 Lucro bruto: R$84,5 mi (+7% vs 1T25)
📈 Resultado financeiro: +R$24 mi (positivo — caixa rendendo)
🟢 Lucro líquido consolidado: R$41,9 mi (-38% vs 1T25)
🟢 Lucro atribuído aos acionistas: R$32,5 mi
A operação melhora consistentemente. A queda do lucro vs 1T25 se explica principalmente pelo aumento de provisões (R$9,8 mi em 1T26 vs reversão de R$12,8 mi em 1T25) — efeito não-caixa.
🏦 Dívida bruta: R$1,5 bi (CRI + crédito imobiliário)
💵 Caixa + aplicações: R$924 mi
📉 Dívida líquida / PL: ~25% — alavancagem controlada
Destaques operacionais:
🏙️ Vendas de R$252 mi (% Even) no trimestre sem lançamentos — VSO de 7%
🏗️ Banco de terrenos: R$9,1 bi de VGV total (R$5,6 bi % Even)
📦 Estoque: R$3,3 bi a valor de mercado — 89% alto padrão e luxo, apenas 9,2% concluído
🛒 Comprou 5 terrenos/fases com VGV potencial de R$2,1 bi no trimestre
📋 Carteira de recebíveis: R$3 bi indexada à inflação — cobertura de ~1,5x o custo de obras
Pontos de atenção:
⚠️ Contas vencidas consolidadas: R$109 mi (+41% vs 1T25) — inadimplência crescendo
🔄 Fluxo de caixa operacional consolidado: -R$78 mi (vs +R$62 mi em 1T25) — queima de caixa pressionada pelo aumento de estoques em construção (-R$96 mi)
📊 Lucro por ação básico: R$0,67 (vs R$0,08 em 1T25) — forte expansão
💎 EVA (Destruição/Geração de Valor):
EBIT consolidado: ~R$27,5 mi
Capital investido (PL + dívida líquida): ~R$2,876 bi
WACC estimado (setor imobiliário BR, juro alto): ~14%
Custo do capital: ~R$403 mi anualizados → ~R$101 mi no trimestre
EVA ≈ R$27,5 mi - R$101 mi = -R$73 mi no trimestre
A Even opera bem, mas o custo de capital elevado (Selic a ~14,75%) ainda supera o retorno gerado no período. A expansão da margem bruta ajustada para 35,6% é o sinal mais importante: se mantida, com queda do CDI, o EVA vira positivo rapidamente.
Tese clara: empresa bem posicionada no segmento premium de São Paulo, com landbank sólido e alavancagem saudável. O gatilho para re-rating é a redução dos juros e a entrega dos lançamentos do 2T26 (Renato 410 e Jan��).
Banco Mercantil do Brasil #BMEB4 | 1T26 🧵
Banco de nicho. Consignado como motor. Juros altos como aliado.
📊 Receita de Intermediação: R$ 2,5 bi (+40,4% vs 1T25)
✅ Resultado Bruto da Intermediação: R$ 1,0 bi (+41,8%)
💰 Lucro Líquido Consolidado: R$ 278,0 mi (+141,7% vs 1T25)
📈 Lucro por Ação: R$ 4,43 (ON e PN) — ante R$ 2,10 em 1T25
Aqui o juro alto joga a favor. O Mercantil vive de crédito consignado (72% da carteira), onde a taxa paga pelo tomador é elevada e o risco é baixo. A Selic a 14,75% a.a. comprime o spread do varejo comum, mas o consignado tem desconto em folha — inadimplência estruturalmente baixa.
🏦 Carteira de crédito: R$ 25,2 bi (+6,2% no trimestre)
📦 Consignado: R$ 18,2 bi (72,3% da carteira)
💳 Crédito pessoal: R$ 3,4 bi | Saque FGTS: R$ 2,5 bi
⚠️ Provisão para perdas: R$ 1,2 bi (4,6% da carteira) — subiu com a expansão
🏛️ Basileia III: 16,0% — confortável, bem acima do mínimo de 10,5%
Outros destaques:
🔼 Patrimônio Líquido saltou para R$ 3,0 bi (era R$ 2,3 bi em dez/25) — aumento de capital de R$ 498,5 mi incorporado
💵 Caixa: R$ 7,3 bi (19,8% do ativo total)
🏢 Ativo total consolidado: R$ 37,4 bi
📣 Receitas de serviços: R$ 371,9 mi (+83,5%) — crescimento expressivo de fee income
👥 Fechamento do capital da Mercantil Financeira (subsidiária) — movimento de simplificação estrutural
💎 Dividendos (JCP): R$ 65,1 mi declarados no trimestre — pagos com resultado, não com reserva
💎 EVA — a empresa está gerando valor?
O EBIT (Resultado Operacional antes de IR) consolidado ficou em ~R$ 358 mi. O capital investido (Patrimônio Líquido + dívidas subordinadas) gira em torno de R$ 4,1 bi. Estimando custo de capital (WACC) próximo de 18-19% a.a. para um banco de médio porte com perfil de risco consignado, o custo trimestral seria ~R$ 185-195 mi. Com NOPAT líquido superior a esse patamar, o EVA é positivo — o banco está criando valor econômico, não apenas contábil.
O Mercantil não compete com os grandes. Escolheu uma trincheira — o aposentado, o servidor público, o FGTS — e domina esse território. Juro alto = maior receita de crédito sem explosão de inadimplência. O modelo funciona exatamente quando o ambiente é adverso para os demais.
O risco está na concentração: 72% em consignado é força e vulnerabilidade ao mesmo tempo. Qualquer mudança regulatória nas margens do consignado ou nas regras do INSS afeta diretamente o coração do negócio.
Grupo Fleury #FLRY3 | 1T26
Cem anos de história. Resultado consistente. Juro pesando, mas o negócio aguenta.
📊 Receita líquida: R$ 2,22 bi (+10,3% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 28,3% — praticamente estável
💰 EBITDA: R$ 606 mi (+10,7%) — margem de 27,3%
⚠️ Resultado financeiro: -R$ 115 mi
🟡 Lucro líquido: R$ 201 mi (+12,2%) — margem de 9,1%
O crescimento de receita veio principalmente do B2C (+15,1%), com a Marca Fleury avançando 12,1% e Minas Gerais entregando quase 20%. O lucro cresceu mais que a receita — sinal de eficiência real, não de ilusão contábil.
🏦 Endividamento
💵 Caixa: R$ 2,27 bi
📉 Dívida bruta: R$ 4,54 bi — 91,7% em debêntures
📊 Dívida líquida: R$ 2,28 bi
🔒 Dívida líquida/EBITDA: 1,0x — confortável, limite do covenant é 3,0x
💳 Custo médio da dívida: CDI + 0,94% — reduziram 47 bps desde 2023
Com CDI na casa de 14,65%, o serviço da dívida dói, mas a estrutura aguenta. A alavancagem em 1,0x é uma posição de força, não de fragilidade.
⚠️ Pontos de atenção
📦 Contas a receber subiram R$ 259 mi no trimestre — expansão de volume, mas prazo médio de recebimento foi a 76 dias
🔴 Novos Elos caiu 12,8% — base de comparação difícil (4 doses de medicamento de alto custo no 1T25), não estrutural
🏗️ CAPEX caiu 9,4% para R$ 60,6 mi — redução em TI e equipamentos, mas expansão de novas unidades subiu 65%
💸 Fluxo de caixa operacional: R$ 264,6 mi (-17,9%) — queda sazonal típica do 1° tri
💎 EVA — A empresa está gerando valor?
EBIT = R$ 367,8 mi
Capital investido (PL + dívida líquida) ≈ R$ 7,55 bi
WACC estimado ≈ 13-14% → custo de capital ≈ R$ 980 mi a R$ 1,06 bi anualizado / ~R$ 245-265 mi no trimestre
NOPAT (EBIT após IR efetivo 21,8%) ≈ R$ 287 mi
EVA trimestral ≈ R$ 287 mi - ~R$ 250 mi = positivo, mas estreito. O Fleury gera valor, porém o custo de capital elevado comprime o spread. ROIC de 17,0% acima do custo de capital confirma criação de valor — por pouco.
Veredicto: Operação sólida, crescimento real, dívida sob controle. O Fleury não está quebrando nem estagnando — está comprimido pelo juro. Queda do CDI amplia o spread do EVA e destrava múltiplo. Por ora, entrega consistência. E com 100 anos, sabe atravessar ciclos.
Vivara #VIVA3 | 1T26
Joalheria sólida. Resultado abaixo do esperado — mas por razões compreensíveis.
📊 Receita líquida: R$595,5 mi (+10,9% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 69,9% — excelente para o setor
💰 EBIT (lucro operacional): ~R$90,4 mi
⚠️ Resultado financeiro: -R$35,9 mi
🔴 Lucro líquido consolidado: R$80,8 mi (-29,8% vs R$115 mi no 1T25)
A receita cresceu bem. O problema está na combinação de despesas com vendas infladas (+20% YoY, chegando a R$246,6 mi) e resultado financeiro pressionado por encargos de debêntures e derivativos de swap cambial. A operação em si é saudável — a queda do lucro é resultado de custo de capital e expansão agressiva de lojas.
🏦 Estrutura de capital:
💵 Caixa: R$308,5 mi
📉 Dívida bruta: R$513,2 mi (debêntures CDI+0,70% + Res. 4131 com swap CDI+0,55%)
Dívida líquida: ~R$204,7 mi — posição administrável
O swap cambial gerou passivo de R$41 mi no fair value — reflexo da apreciação do dólar. Sem o hedge, a situação seria pior. Gestão prudente, mas cara nesse ciclo de CDI elevado.
Outros pontos de atenção:
📦 Estoque subiu para R$1,55 bi (+R$71 mi vs dez/25) — expansão de coleções e sazonalidade pós-Natal explicam, mas merece acompanhamento
🏪 Rede cresceu para 503 lojas (vs 498 no 4T25) — 5 novas Life no trimestre, expansão concentrada na marca de ticket menor
😰 Despesas de vendas aceleraram acima da receita — pessoal (+14,8%), marketing (+39,2%), fretes (+85,8%). Expansão tem custo
💎 EVA do trimestre:
EBIT = ~R$90,4 mi (anualizado ~R$361,5 mi)
Capital investido estimado = ~R$3,3 bi (PL + dívida líquida ajustada por arrendamentos)
WACC estimado = ~13,5% → custo de capital ~R$445 mi anualizados
EVA ≈ negativo no trimestre — a empresa ainda não remunera o capital investido acima do seu custo nesse ambiente de juros. Estrutura de arrendamentos (R$682 mi em passivo de direito de uso) pesa bastante no capital alocado.
Contexto positivo:
✅ Incentivos fiscais da Zona Franca (IRPJ -75% para Conipa até 2033) são vantagem competitiva real e sustentável
✅ Alíquota efetiva de imposto corrente foi -48% — os benefícios fiscais protegem o caixa tributário de forma significativa
✅ Vendas digitais cresceram para R$97,9 mi (+16,2% YoY) — canal digital ganhando tração
✅ Programa de recompra aprovado pós-trimestre: até 12,4 mi de ações em 12 meses — sinal de confiança da gestão
A Vivara não está quebrada. Está crescendo. Mas crescer com CDI a ~15% e estrutura de arrendamentos pesada comprime retorno sobre capital. Queda de juros e maturação das novas lojas são os catalisadores que o mercado aguarda.
LOG Commercial Properties #LOGG3 | 1T26 🧵
Portfólio crescendo. Valorização entregando. Juros pesando no bolso.
📊 Receita líquida: R$66 mi (+19% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 96,3% — modelo de locação puro
💰 Lucro operacional: R$183,7 mi — robusto
⚠️ Resultado financeiro: -R$39,9 mi
🟢 Lucro líquido: R$134 mi (+55% vs 1T25)
O crescimento é real. Portfólio de galpões valorizado, taxa de ocupação sustentada, e a variação do valor justo das propriedades para investimento contribuiu com R$134,8 mi no resultado — é o motor do modelo.
🏗️ Propriedades para investimento: R$5,3 bi (+8% vs dez/25)
Adições de R$232 mi no trimestre. A máquina de construção não parou.
🏦 Dívida bruta: R$2,2 bi — 16 debêntures/CRIs ativas
💵 Caixa + TVM: R$516 mi
📉 Dívida líquida: R$1,7 bi
📐 Dívida líquida / PL: 45,2% — caiu vs 48,7% em dez/25
Estrutura de capital melhorando. A alavancagem está dentro dos covenants: dívida bruta/PPI em patamar confortável abaixo dos 60% exigidos contratualmente.
Outros destaques:
🔄 Antecipação de recebíveis: R$315,5 mi de Seattle III e Senior antecipados em fevereiro, gerando desconto de R$13 mi — decisão que acelerou caixa mas custou margem financeira
📤 Venda de ativos (evento subsequente): portfólio de 11 ativos vendido ao Itaú LOG CP FII por R$1,02 bi em abril/26 — reciclagem de capital em alta velocidade
💸 Dividendos aprovados: R$31,8 mi (25% do lucro do 1T26), pagamento em junho/26
🔁 Swap de hedge: 5 operações ativas protegendo R$1,01 bi de CRIs indexados a IPCA e prefixado contra CDI — gestão ativa do risco de taxa
⚠️ Ponto de atenção: despesas financeiras subiram 33% vs 1T25 (R$75,9 mi vs R$57,3 mi). Juro alto pressiona mesmo quem tem hedge.
💎 EVA:
EBIT (lucro operacional antes do financeiro): R$183,7 mi
Capital investido (PL + dívida líquida): ~R$5,47 bi
Custo de capital estimado (WACC ~13%): ~R$710 mi anualizados → ~R$178 mi no trimestre
EVA ≈ R$183,7 mi - R$178 mi = positivo, mas estreito
A LOG cria valor, mas a gordura é fina enquanto o CDI permanecer acima de 13%. A queda dos juros não é só desejável — é o catalisador que destrava a expansão do spread entre retorno dos ativos e custo do capital.
Cosan #CSAN3 | 1T26 🧵
Holding pesada. Raízen afundando. Compass decolando.
📊 Receita líquida consolidada: R$9,0 bi (-6,6% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 34,1% — melhora relevante vs 32,7% no 1T25
💰 EBITDA consolidado: R$3,17 bi (+60% vs R$1,98 bi no 1T25)
⚠️ Resultado financeiro: -R$2,36 bi
🔴 Prejuízo líquido atribuível aos controladores: -R$1,58 bi
A operação melhorou. O problema segue sendo a estrutura de capital corporativa — e agora com um fantasma chamado Raízen pairando sobre o grupo.
🏦 Dívida bruta consolidada: R$58,5 bi em empréstimos, debêntures e bonds
💵 Caixa consolidado: R$17,5 bi
📉 Dívida líquida estimada: ~R$41 bi
Outros alertas:
⚡ Raízen entrou com pedido de Recuperação Extrajudicial em março/26. O investimento já foi zerado no balanço. A Cosan afirma não ter obrigação legal de aportar capital — mas o risco reputacional e estratégico permanece.
🚀 Compass é o destaque positivo: EBITDA de R$1,33 bi no trimestre, IPO realizado em maio/26 com precificação a R$28/ação. A Cosan recebeu líquido R$2,08 bi com a oferta secundária — fôlego de caixa relevante no momento certo.
🚂 Rumo segue entregando: EBITDA de R$1,58 bi, crescimento de receita de +10,6% na malha norte. A perda de impairment da Malha Sul (R$168 mi) pressiona, mas não compromete o core do negócio.
🛢️ Moove consistente: EBITDA de R$236 mi, margem estável, operação global funcionando bem.
🌾 Radar: R$103 mi de EBITDA, portfólio de terras agrícolas com R$18,2 bi em propriedades para investimento no balanço — ativo estratégico subavaliado pelo mercado.
💸 A controladora (holding pura) queimou R$9,2 bi de caixa no trimestre — resultado de resgate antecipado de ~R$6,2 bi em dívidas (bonds 2029, 2030 e 2031) + liquidação de TRS lastreado em ações próprias. Movimento deliberado de desalavancagem.
📉 Patrimônio líquido dos controladores caiu de R$5,3 bi para R$3,5 bi em um trimestre. Prejuízo acumulado atingiu R$11,3 bi — reflexo de anos de custo financeiro pesado e equivalência patrimonial negativa.
💎 EVA:
EBIT consolidado estimado: ~R$2,51 bi (resultado antes do financeiro e IR)
Capital investido total (ativo total - passivo operacional): ~R$55 bi
WACC estimado: ~14,5% (CDI ~13,1% + spread de risco)
Custo do capital: ~R$7,98 bi
EVA = R$2,51 bi - R$7,98 bi = -R$5,47 bi
A Cosan destrói valor contábil no nível consolidado enquanto o custo de capital superar largamente a geração operacional. A virada passa por: queda do CDI, desalavancagem acelerada e monetização dos ativos (Compass já iniciada).
Sanepar #SAPR4 | 1T26 🧵
Operação sólida. Precatório complicando a narrativa.
📊 Receita líquida: R$1,95 bi (+7,8% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 59,4% — forte expansão
💰 Lucro operacional (EBIT): R$671 mi
⚠️ Resultado financeiro: -R$72 mi
🟡 Lucro líquido: R$353 mi (-70,8% vs 1T25)
A queda no lucro assusta à primeira vista, mas é ilusão de base: o 1T25 foi inflado por R$2 bi de receita extraordinária de precatório do IRPJ. Tirando os não recorrentes, o lucro ajustado do 1T26 (R$353 mi) ficou bem próximo do 1T25 ajustado (R$424 mi).
A operação está saudável.
🚰 Volume faturado de água: +1,2%
🪣 Volume faturado de esgoto: +2,4%
💧 Cobertura de água: 100% | Esgoto: 82,6%
📈 Ligações de água cresceram 48 mil no ano (+1,4%)
🏗️ Investimentos: R$588 mi (+20,8% vs 1T25)
A empresa cresce organicamente, expande rede e ainda investe pesado na universalização — exatamente o que o marco legal do saneamento exige.
Custos sob controle — destaque positivo do trimestre
📉 Custos e despesas operacionais (ex-não recorrentes): -10,4% vs 1T25
👷 Pessoal caiu 46,3% — principalmente pelo efeito base do PDV de R$171 mi no 1T25
⚡ Energia elétrica subiu 9,8% — maior rigor ambiental no tratamento de esgoto + reajuste de contratos
🔧 Serviços de terceiros: +15,4% — expansão das PPPs de esgoto nas microrregiões
EBITDA
📦 EBITDA: R$843 mi (vs R$1.116 mi no 1T25, mas aquele era inflado)
📐 Margem EBITDA: 43,3% — vs 45,2% ajustado no 1T25, queda modesta
🏦 Conversão EBITDA → Caixa: 77,4%
Estrutura financeira — ponto de conforto
💵 Caixa: R$5,36 bi (enorme, fruto do precatório recebido em setembro/25)
🏦 Dívida bruta: R$7,28 bi
📉 Dívida líquida: R$1,92 bi
📊 Dívida líquida/EBITDA: 0,7x — muito confortável
⚖️ Grau de endividamento: 52,7%
📋 Todos os covenants cumpridos integralmente
43% da dívida vence em mais de 5 anos. Perfil alongado, sem pressão de refinanciamento.
O elefante na sala: o precatório
A Sanepar recebeu ~R$4 bi da União em setembro/25 referente a imunidade tributária do IRPJ (1996–2020).
A Agepar quer destinar 100% desse valor aos usu��rios via modicidade tarifária.
A Sanepar reconheceu provisão de apenas 75% (R$3,45 bi no passivo circulante) — baseada na regra vigente à época.
A diferença em disputa: R$872 mi — classificada como perda possível (não provisionada).
A empresa já foi a juízo, perdeu as liminares e a audiência pública aconteceu em 29/04. A deliberação final da Agepar ainda não saiu.
⚠️ Esse é o principal risco não precificado do papel. Se a Agepar decidir pelo 100%, pode haver reconhecimento adicional de passivo significativo.
Reajuste tarifário confirmado
✅ IRT 2026 homologado: +2,4993% a partir de 17/05/2026
A tarifa média vai para R$7,0032/m³
Baixo, mas positivo. Acima da inflação corrente.
Evento subsequente relevante
🚨 Em 29/04, o governo do Paraná declarou Emergência Hídrica em todo o estado por estiagem prolongada. A Sanepar está autorizada a implementar rodízios e campanhas de redução de consumo.
Reservatórios do SAIC (Curitiba) já em 81,9% — caindo de 84,1% em dezembro. Vale monitorar.
💎 EVA — A empresa gera valor?
EBIT (1T26): R$671 mi → anualizado ~R$2,68 bi
Capital investido (ativo total - passivo operacional): ~R$19,5 bi
WACC regulatório referenciado pela Agepar: ~10,5% (spread IPCA + taxa regulatória)
NOPAT (EBIT × (1 - 34%)): ~R$1,77 bi anualizados
Custo do capital: ~R$2,05 bi
EVA ≈ -R$280 mi em base anualizada — ligeiramente negativo, mas na fronteira. Isso reflete o custo elevado do capital num ambiente de Selic a ~14,75% e o peso dos ativos de concessão de longo prazo no balanço.
Em termos operacionais puros, a Sanepar remunera bem o capital. O problema é que o custo de capital subiu junto com a Selic.
💎 EVA — A empresa está gerando valor?
EBIT: ~$956 mi (lucro antes de IR e financeiro)
Capital investido total: ~$17,6 bi (patrimônio líquido $12,6 bi + dívida líquida ~$5 bi)
Custo de capital estimado (WACC): ~12% ao ano / ~3% no trimestre
NOPAT (lucro operacional líquido após impostos ajustado): ~$880 mi
Custo do capital no trimestre: ~$528 mi
EVA estimado: ~+$352 mi no trimestre
✅ O Nu está gerando valor econômico acima do custo de capital — e com folga. O crescimento não é só volumétrico; está criando retorno real para o acionista. O risco é que a deterioração da qualidade de crédito e o aumento das provisões podem comprimir esse EVA nos próximos trimestres se a inadimplência não estabilizar.
Resumo:
O Nu é uma máquina de crescimento. Receita explodindo, presença em 3 países, licença bancária nos EUA a caminho, México virando banco.
O risco não está na operação — está na qualidade da carteira de crédito. Provisões crescendo mais rápido que receita, Stage 3 subindo, e uma base de clientes que inclui perfis de maior risco (PD > 20% = 24,6% do cartão).
Se o ciclo de crédito apertar ou o CDI brasileiro ficar elevado por mais tempo, as margens sofrem. Se a inadimplência estabilizar e o México maturar, o upside é substancial.
Não está quebrado. Está numa fase de escala cara — e apostando que vai cruzar esse vale antes que o crédito corroa o resultado.
Nu Holdings #ROXO34 $NU | 1T26 🧵
Banco digital em modo de aceleração. Crescimento impressionante. Crédito pesando.
📊 Receita total: $4,97 bi (+53% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 37,5% — forte expansão
💰 Lucro operacional (EBIT): ~$956 mi
💚 Lucro líquido: $871 mi (+56% vs 1T25)
📈 LPA diluído: $0,1776 (+56% vs $0,1139)
A máquina de receita está funcionando muito bem. Juros sobre cartão de crédito e empréstimos cresceram quase 60% ano a ano. O Nu virou um banco de verdade — e está sendo remunerado como tal.
Receita por fonte:
💳 Juros — cartão de crédito: $1,56 bi (+64%)
🏦 Juros — empréstimos: $1,60 bi (+59%)
🏧 Juros — outros ativos: $650 mi (+57%)
🪙 Tarifas e comissões: $693 mi (+34%)
O crescimento de empréstimos pessoais está acelerando mais rápido que o cartão — sinal de expansão do mix de produtos.
Balanço:
🏛️ Total de ativos: $77,5 bi
💵 Caixa e equivalentes: $13,9 bi
📋 Recebíveis de cartão: $20,2 bi
🏦 Empréstimos a clientes: $11,0 bi
💰 Depósitos totais: $42,4 bi (principal funding)
📊 Patrimônio líquido: $12,6 bi
O elefante na sala — inadimplência e provisão:
⚠️ Perda de crédito esperada (ECL): $1,72 bi no trimestre (+76% vs 1T25)
📦 Estoque total de ECL acumulada: $6,1 bi
🔴 Índice de cobertura cartão: 17,1% (vs 16,2% no 4T25) — subindo
😰 Carteira Stage 3 (crédito em default): 9% dos recebíveis de cartão e 6,3% dos empréstimos
O crescimento da carteira de crédito está vindo com custo. A provisão cresceu mais rápido que a receita financeira. Cada real novo emprestado está vindo com mais risco embutido — especialmente nas faixas de PD acima de 20%, que já representam 24,6% da carteira de cartão.
Custo de funding:
💸 Despesas financeiras totais: $1,27 bi
🏦 Juros sobre depósitos: $1,13 bi — dominante
📉 Spread bruto implícito: expressivo, mas comprimido pelo custo de inadimplência
O funding via RDB (recibos de depósito bancário) a 100% do CDI é o core do modelo. Com CDI brasileiro elevado, isso pressiona margens — e o Nu não tem isenção.
Eficiência operacional:
🖥️ Infraestrutura + dados: $157 mi
👥 Salários + benefícios: $168 mi
📊 G&A total: $492 mi (+70% vs 1T25)
🎨 Marketing: $53 mi — contido para o tamanho da operação
As despesas operacionais cresceram 74% — bem acima da receita. O Nu ainda está em fase de investimento pesado em infraestrutura e headcount. Não é necessariamente ruim, mas é um alerta sobre alavancagem operacional futura.
Tributação — surpresa positiva:
🧾 Lucro antes do IR: $954 mi
📉 Imposto efetivo pago: $83 mi — alíquota efetiva de apenas ~8,7%
💡 Motivo: benefícios fiscais em subsidiárias internacionais + juros sobre capital próprio (JCP) no Brasil + créditos diferidos das provisões de crédito
Sem esse benefício fiscal, o lucro seria consideravelmente menor. Isso não é trucagem — é estrutural no modelo brasileiro — mas é importante entender que a alíquota nominal é 40% e a efetiva foi 8,7%. Dever�� se normalizar gradualmente.
Expansão geográfica:
🇧🇷 Brasil: $3,59 bi de receita (+53%)
🇲🇽 México: $289 mi de receita (+97%) — acelerando forte
🌎 Outros: $77 mi
México é a grande aposta de crescimento. Em abril de 2025 recebeu aprovação para virar banco pleno no país — o que deve destravar crédito mais robusto na operação mexicana nos próximos trimestres.
🇺🇸 EUA: aprovação condicional do OCC em janeiro de 2026 para formar um banco nacional. Se concretizado, abre mercado gigantesco para produtos de depósito, cartão, crédito e custódia de ativos digitais.
Fluxo de caixa — ponto de atenção:
🔴 FCO: -$1,21 bi (negativo no trimestre)
📋 Principal culpado: crescimento acelerado de carteira ($4,2 bi em novos recebíveis de cartão + $3,8 bi em novos empréstimos)
✅ Isso é esperado numa fintech em expansão — caixa negativo por originar crédito, não por ineficiência operacional
O caixa caiu de $15 bi para $13,9 bi no trimestre. Não é sinal de fraqueza — é sinal de que estão colocando dinheiro pra trabalhar. A posição ainda é confortável.
Copel #CPLE3 | 1T26 🧵
Energia gerando lucro. Dívida pesada, mas gerenciável.
📊 Receita Líquida: R$ 7,07 bi (+20% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 25,3% (Lucro Bruto R$ 1,79 bi)
💰 EBIT: R$ 1,50 bi (+8,9% vs 1T25)
⚠️ Resultado financeiro: -R$ 490 mi
🟢 Lucro líquido: R$ 694 mi (+4,4% vs 1T25)
A receita cresceu forte puxada por suprimento de energia (+55%) e pelo resultado positivo dos ativos financeiros setoriais — que saiu de -R$ 14 mi para +R$ 700 mi. Negócio operacional sólido.
🏦 Dívida bruta: R$ 23,3 bi (empréstimos + debêntures)
💵 Caixa: R$ 5,18 bi
📉 Dívida líquida: ~R$ 17,5 bi
📐 Alavancagem: 2,8x Dívida Líquida/EBITDA — exatamente no centro da meta
O custo médio da dívida é de 13,05% a.a. (~89% do CDI). Com R$ 3,2 bi em novas debêntures emitidas só neste trimestre (Copel GeT e Copel DIS), a dívida total de debêntures saltou de R$ 16,6 bi para R$ 19,9 bi. O serviço da dívida pesou: só em encargos de debêntures pagos no trimestre foram R$ 504 mi.
Outros destaques:
🔋 Leilão de Reserva de Capacidade vencido em março/26 — R$ 4,9 bi de investimento, receita anual futura de R$ 2,6 bi a partir de 2030 (UHE Segredo + Foz do Areia)
📈 EBITDA: R$ 1,91 bi (+9,9% vs 1T25), mas margem caiu de 29,5% para 27,0% pela receita crescer mais que o operacional
⚡ Energia comprada para revenda subiu 37,7% — maior custo do período, pressionado por MMGD e CCEE
💼 Perdas de crédito esperadas: +R$ 73 mi — inadimplência na distribuição subindo, carteira vencida após 90 dias em R$ 104 mi
🔀 Repactuação de UBP da Elejor (R$ 420 mi) será reconhecida no 2T26 — impacto relevante pela frente
💎 EVA — a empresa está destruindo valor no curto prazo, mas marginalmente:
•EBIT (1T26 anualizado): ~R$ 6,0 bi
•Capital investido (Patrimônio Líquido + Dívida Líquida): ~R$ 41,3 bi
•Custo de capital estimado (WACC ~10-11% real para utilities brasileiras reguladas): ~R$ 4,1–4,5 bi
•NOPAT (EBIT × 0,66, pós-imposto médio de 34%): ~R$ 3,96 bi
•EVA estimado: levemente negativo a neutro (~-R$ 0,1 bi a 0)
A geração operacional é real, mas o capital investido é enorme — típico de uma utility de concessão com infraestrutura pesada. O EVA tende a melhorar com a entrada de receita do leilão de capacidade a partir de 2030.
O negócio não está fraco. Está num ciclo de capex intenso com dívida crescendo antes de a receita nova chegar. A tese depende de: CDI cadente, tarifas reajustadas e projetos entregando dentro do prazo.
ENGIE Brasil Energia #EGIE3 | 1T26 🧵
Operação crescendo. Juros mordendo. Caixa engordando.
📊 Receita Líquida: R$3,4 bi (+13% vs 1T25)
✅ Margem EBITDA: ~65% — robusta, típica do setor elétrico
💰 EBITDA: R$2,2 bi (+10%) — acima das expectativas do mercado (R$1,8 bi esperado)
⚠️ Resultado financeiro: pressão de +33% nos juros pagos
🔴 Lucro líquido ajustado: R$789 mi (-4,1%)
A empresa vende mais energia, gera mais caixa operacional, mas o lucro cai. O problema é a dívida grande num ambiente de juros ainda elevados.
🏦 Dívida bruta: R$31,7 bi (+9%)
💵 Caixa: R$6,5 bi (+93% no trimestre)
📉 Dívida líquida: ~R$25 bi (-2%)
📊 Alavancagem: 3,2x Dívida Líquida/EBITDA (vs 2,7x no 1T25)
Outros destaques:
⚡ Geração de energia: 12,6 mil GWh (+8%) — hidrelétricas e complementares performando
📈 Energia vendida: 10,6 mil GWh (+11%) — volume crescendo com entrada de novos ativos
🏗️ Investimentos: R$219 mi no trimestre (-80% vs 1T25) — ciclo intenso de capex dando uma trégua
🌱 Matriz renovável: 90% da gera��ão de fontes limpas — posicionamento ESG forte
💸 Dividendos: R$0,49/ação no período — DY ~2,8% nos últimos 12 meses, abaixo da média histórica de ~6,5%
O negócio não está quebrado. Está em transição. O ciclo agressivo de investimentos dos últimos anos (aquisição de usinas hidrelétricas, complexos eólicos e solares) está começando a render volume, mas a conta chegou na dívida. A alavancagem subiu de 2,7x para 3,2x. O mercado gostou do EBITDA acima do esperado, mas o lucro caindo com juros maiores é um sinal de alerta.
Redução do ciclo de investimentos e geração de caixa são condições necessárias para a normalização. Sem isso, a dívida continua pesando e o dividendo não volta ao patamar histórico.
💎 EVA = NOPAT - (Capital Investido × WACC)
Para calcular o EVA da ENGIE no 1T26:
NOPAT = EBIT × (1 - T)
• EBIT (Lucro Operacional) 1T26 ≈ R$1,54 bi (estimado a partir do EBITDA de R$2,2 bi menos depreciação/amortização típica do setor)
• Considerando alíquota efetiva de ~25% (setor elétrico com benefícios fiscais):
• NOPAT ≈ R$1,16 bi
Capital Investido = Patrimônio Líquido + Dívida Líquida
• PL ≈ R$13,9 bi
• Dívida Líquida ≈ R$25 bi
• Capital Investido ≈ R$38,9 bi
WACC (estimado para o setor elétrico brasileiro, com beta baixo e dívida significativa):
• Custo de capital próprio (Ke) ≈ 11-12%
• Custo da dívida (Kd) ≈ 13-14% (pré-fixado + IPCA)
• Peso do PL ~36% / Peso da Dívida ~64%
• WACC ≈ 12,5%
Custo do Capital = R$38,9 bi × 12,5% = R$4,86 bi/ano ou ~R$1,22 bi/trimestre
EVA = R$1,16 bi - R$1,22 bi ≈ -R$60 mi/trimestre
A ENGIE está destruindo valor no curto prazo. O NOPAT trimestral não cobre o custo de oportunidade do capital investido. Isso explica a pressão sobre o preço da ação e a insatisfação dos investidores com o dividendo. O ciclo de investimentos precisa começar a gerar retorno acima do WACC para que o EVA vire positivo. A entrada em operação dos novos ativos (Serra do Assuruá, Assú Sol, usinas Jari e Caldeirão) é o catalisador, mas ainda precisa se materializar nos resultados.
Cemig #CMIG3 | 1T26 🧵
Receita crescendo. Custos de energia comendo a margem.
📊 Receita líquida: R$10,5 bi (+6,3% vs 1T25)
✅ Margem bruta: 16,4% — comprimida vs 18,7% no 1T25
💰 EBITDA: R$1,79 bi — ainda robusto
⚠️ Resultado financeiro: -R$338 mi (+35% vs 1T25)
🟡 Lucro líquido: R$979 mi (-5,75% vs 1T25)
A Cemig distribui energia para Minas Gerais inteira. O problema deste trimestre não é demanda — é o custo da energia que compra para revender.
O vilão: PLD nas alturas
O PLD SE/CO (preço de liquidação de diferenças) saiu de R$160/MWh no 1T25 para R$310/MWh no 1T26 — alta de 94%. Cenário hidrológico desfavorável + contratos de disponibilidade = dor direta no caixa.
⚡ Custo de energia comprada para revenda: R$4,9 bi (+15,2% vs 1T25)
🏗️ Custo de construção de infraestrutura: R$1,5 bi (+23,4%)
📉 Custos totais: R$9,1 bi (+8,4%)
Dívida: cresceu, mas é estruturada
🏦 Dívida bruta (debêntures + empréstimos): R$19,6 bi
💵 Caixa + TVM: R$1,8 bi
📉 Dívida líquida: ~R$17,8 bi
⏳ Prazo médio de amortização: 6,6 anos — bem escalonado
O problema: encargos de debêntures saltaram 71% — de R$260 mi para R$445 mi — por conta das emissões da 12ª, 13ª e 14ª séries da Cemig D feitas em 2025. Dívida cara num ambiente de CDI a ~15%.
Pontos de atenção
🚨 Capital de giro líquido negativo: -R$1,06 bi em março/26 (era +R$17 mi em dez/25) — reflexo do investimento pesado no PDD sendo capitalizado no não-circulante
📉 Segmento de Comercialização: prejuízo de R$125 mi vs lucro de R$64 mi no 1T25 — exposição ao mercado livre com energia cara
📉 Segmento de Gás (Gasmig): receita caiu 41%, clientes migrando em massa para o mercado livre
📦 Alíquota efetiva de IR: apenas 6,67% (era 14,42%) — mostra o peso dos JCP e outros benefícios fiscais na proteção do resultado
O que sustenta a tese
✅ Distribuição cresceu 27,8% no lucro — segmento âncora da empresa funcionando
✅ CVA: mecanismo regulatório que repassa custos não gerenciáveis à tarifa — mitiga o risco de PLD alto no médio prazo
✅ Reajuste tarifário anual da Cemig D (maio/25) já capturado na receita residencial (+11,35%)
✅ JCP declarado: R$658 mi no trimestre (R$0,23/ação) — yield relevante
✅ Participações e Holding viraram do avesso: de -R$10,5 mi de EBITDA para +R$35,7 mi, puxado pela Cemig Sim com novas usinas entrando em operação
💎 EVA — A empresa está gerando valor?
EBIT (lucro antes do resultado financeiro e tributos): R$1,387 bi
Capital investido (PL + dívida líquida): ~R$46,7 bi
WACC estimado (ponderado, dado mix IPCA+CDI na dívida e custo de equity regulatório): ~11-12% a.a. → ~2,75-3% no trimestre
Capital investido × custo trimestral: ~R$1,28-1,40 bi
EVA ≈ neutro a levemente positivo — a empresa está no limite de destruição de valor, mas não abaixo dele. O PLD alto e os encargos de debêntures crescentes comprimiram a geração de valor econômico que era mais folgada nos últimos trimestres.
Uma normalização do PLD + estabilização da curva de juros reconduziria o EVA para território claramente positivo.
Resumo
A Cemig não está quebrada. Está cara de operar num ambiente de energia spot nas alturas e CDI elevado pesando na dívida nova.
O mecanismo da CVA protege a distribuidora no médio prazo. O reajuste tarifário de 2026 vai capturar parte dos custos excessivos. Mas enquanto o PLD não ceder e os juros não arrefecerem, a compressão de margem continua.
Quem compra CMIG3 está apostando em normalização hidrológica + queda do CDI. Sem isso, mais trimestres assim pela frente. 💧
AXIA Energia (antiga Eletrobras) #AXIA3 | 1T26 🧵
Resultados operacionais robustos, mas pressionados pelo elevado custo da dívida e despesas financeiras.
• 📊 Receita Líquida: R$ 12,71 mil milhões (+22% vs 1T25).
• ⚙️ Lucro Operacional (EBIT): R$ 5,64 mil milhões, evidenciando a força da geração operacional após o processo de reestruturação.
• 💰 Lucro Líquido: R$ 2,63 mil milhões — uma recuperação face ao prejuízo registado no mesmo período do ano anterior.
• ⚠️ Resultado Financeiro: Negativo em R$ 2,31 mil milhões, refletindo o peso dos juros sobre o elevado endividamento, mitigado parcialmente por receitas de aplicações financeiras.
O 1T26 da AXIA Energia (ex-Eletrobras) demonstra a consolidação de ganhos de eficiência pós-privatização, com um crescimento expressivo na receita líquida. Contudo, a estrutura de capital ainda impõe um fardo pesado; o resultado financeiro negativo consome uma fatia considerável da geração operacional. A companhia mantém um foco rigoroso na gestão de passivos e na redução de provisões para litígios, que ainda somam R$ 19,39 mil milhões.
• 🏦 Dívida Bruta (Empréstimos + Debêntures): R$ 133,79 mil milhões (Consolidado).
• 💵 Caixa e Equivalentes: R$ 23,37 mil milhões.
• 📉 Dívida Líquida: Aproximadamente R$ 110,4 mil milhões.
• 🏗️ Património Líquido: R$ 121,20 mil milhões.
Outros alertas:
• ⚖️ Provisões para Litígios: A empresa continua a gerir um volume significativo de processos cíveis (incluindo empréstimos compulsórios), com R$ 19,39 mil milhões em provisões.
• 🔄 Mudança de Nome: O relatório formaliza a transição de marca de Eletrobras para AXIA Energia.
• ⚡ Investimentos: A companhia mantém o seu plano de expansão em geração e transmissão, com foco em energias renováveis e modernização de ativos.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• Lucro Líquido (1T26): R$ 2,63 mil milhões.
• Património Líquido Médio: ~R$ 119,8 mil milhões (Média entre dez/25 e mar/26).
• Custo de Capital Próprio (Ke): Estimado em ~3,5% ao trimestre para o setor elétrico brasileiro.
Resultado: No 1T26, a AXIA Energia foi uma destruidora de valor económico. Apesar do lucro contabilístico de R$ 2,63 mil milhões, o montante foi insuficiente para cobrir o custo de oportunidade do capital investido (~R$ 4,19 mil milhões). O ROE (Retorno sobre Património) trimestral de 2,2% ficou abaixo do custo de capital, indicando que a empresa ainda precisa de avançar na desalavancagem e eficiência para entregar lucro económico real aos acionistas.
Equatorial Energia #EQTL3 | 1T26 🧵
Crescimento sólido do EBITDA e impacto positivo da Sabesp impulsionam os resultados.
• 📊 Receita Operacional Líquida (ROL): R$ 12.750 milhões (+12,0% vs 1T25).
• ✅ Lucro Bruto (Aprox.): R$ 4.644 milhões (calculado como ROL de R$ 12,75 bi menos Custos de R$ 8,11 bi).
• 💰 EBITDA Societário: R$ 3.169 milhões (+10,8% vs 1T25).
• 🟢 Lucro Líquido Consolidado: R$ 606,8 milhões (+1,7% vs 1T25).
• 📉 Lucro Líquido (Controladora): R$ 424,5 milhões.
A Equatorial Energia reportou um primeiro trimestre de 2026 marcado pela expansão da receita e pela resiliência operacional. O crescimento da receita líquida foi acompanhado por um aumento de 12,5% nos custos operacionais, que totalizaram R$ 8.106 milhões. O destaque do período foi a contribuição da Sabesp via equivalência patrimonial, que adicionou R$ 254 milhões ao EBITDA da companhia, refletindo a estratégia de diversificação em saneamento.
• 🏦 Ativo Total Consolidado: R$ 111,8 bilhões.
• 💵 Caixa e Aplicações (Holding): R$ 724,4 milhões.
• 📉 Dívida em Debêntures (Holding): R$ 1.505,6 milhões (R$ 8,5 mi no curto prazo e R$ 1,497 bi no longo prazo).
• ⚖️ Patrimônio Líquido Consolidado: R$ 28,2 bilhões.
Outros alertas:
• 💧 Equivalência Sabesp: O EBITDA ajustado foi beneficiado por R$ 254 milhões vindos da Sabesp, um crescimento de R$ 40 milhões em relação ao trimestre anterior.
• ⚠️ Inadimplência (PCLD): As perdas estimadas em créditos de liquidação duvidosa totalizaram R$ 247,0 milhões no trimestre.
• 🔌 Segmento de Distribuição: Continua sendo o principal motor, com o EBITDA ajustado deste segmento atingindo R$ 2.544 milhões.
• 📑 Provisões: A companhia mantém R$ 629,4 milhões em provisões para perdas em investimentos no passivo individual.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• EBITDA (1T26): R$ 3.169 milhões.
• Capital Investido: R$ 83,6 bilhões (estimado como Ativo Total de R$ 111,8 bi menos Passivo de Funcionamento/Circulante operacional).
• Custo de Capital (WACC): Estimado em ~10% a.a. (ou ~2,4% ao trimestre) para o setor de utilidades públicas no Brasil.
Resultado: No 1T26, a Equatorial foi uma geradora de valor. Com um ROIC (Retorno sobre Capital Investido) trimestral estimado acima de seu custo de capital, a empresa demonstra que seus investimentos em distribuição e a recente entrada no setor de saneamento estão entregando rentabilidade econômica superior ao custo de oportunidade, consolidando sua posição como uma das plataformas de infraestrutura mais eficientes do país.
Porto #PSSA3 | 1T26 🧵
Ecossistema em expansão e eficiência financeira.
• 📊 Receita Total (Prêmio Ganho): R$ 7,7 bilhões (considerando apenas a vertical de seguros e saúde reportada gerencialmente). No consolidado total de receitas operacionais, o salto foi de 20,1% vs 1T25.
• ✅ Lucro do Serviço de Seguro (Cia): R$ 717,9 milhões.
• 💰 Lucro Operacional (EBIT): R$ 1,14 bilhão.
• ⚠️ Resultado Financeiro (Controladora): -R$ 11,6 milhões. Embora a holding apresente despesa líquida, o resultado financeiro das subsidiárias (vinda do float) é o principal motor do lucro consolidado.
• 🟢 Lucro Líquido: R$ 1,13 bilhão (+36,2% vs 1T25).
A Porto demonstrou uma forte capacidade de crescimento em todas as frentes. A vertical Porto Saúde atingiu um resultado de R$ 236,5 milhões no trimestre, consolidando-se como um pilar relevante além do seguro automóvel. A incorporação da Itaú Auto e Residência pela Porto Cia em fevereiro de 2026 trouxe sinergias operacionais e benefícios fiscais (mais-valia dedutível) que impulsionaram o lucro líquido.
• 🏦 Dívida Financeira (Empréstimos/Debêntures): R$ 693,9 milhões.
• 💵 Caixa e Aplicações Financeiras: R$ 13,04 bilhões (sendo R$ 1,99 bi em caixa e R$ 11,04 bi em aplicações circulantes).
• 📉 Patrimônio Líquido: R$ 15,67 bilhões.
Outros alertas:
• 💳 Porto Bank: A operação de crédito encerrou com R$ 16,77 bilhões em empréstimos e financiamentos no ativo.
• 💰 Remuneração aos Acionistas: Foram declarados R$ 347,2 milhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP) intercalares no trimestre.
• 🔄 Recompra de Ações: A companhia investiu R$ 139,1 milhões na recompra de ações próprias no período.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• EBIT (1T26): R$ 1.145,7 milhões.
• Capital Investido: R$ 16.367,3 milhões (Patrimônio Líquido de R$ 15.673,4 mi + Dívida de R$ 693,9 mi).
• Custo de Capital (WACC): Estimado em ~15% a.a. (ou ~3,6% ao trimestre).
• Resultado: A Porto continua sendo uma "máquina de valor". Com um ROIC trimestral de aproximadamente 7%, a empresa entrega quase o dobro do seu custo de capital estimado, gerando um EVA positivo superior a R$ 500 milhões apenas neste trimestre.
O cenário de juros elevados continua beneficiando a rentabilidade das reservas técnicas, enquanto a diversificação para Saúde e Serviços (Porto Bank e Porto Serviço) reduz a dependência histórica da ciclicidade do seguro de automóveis.
Ser Educacional #SEER3 | 1T26 🧵
Expansão em Medicina e eficiência operacional impulsionam forte crescimento do lucro e geração de caixa.
• 📊 Receita Líquida: R$ 583,8 milhões (+8,1% vs 1T25).
• ✅ Lucro Bruto: R$ 364,6 milhões — margem bruta de 62,4%.
• 💰 Lucro Operacional (EBIT): R$ 122,9 milhões (+32,2% vs 1T25).
• ⚠️ Resultado Financeiro: -R$ 46,9 milhões — impactado por juros e swaps, mas com melhora frente ao ano anterior.
• 🟢 Lucro Líquido: R$ 75,9 milhões (+74% vs 1T25).
A Ser Educacional apresentou um 1T26 sólido, com o crescimento da receita líquida (+8,1%) sendo impulsionado pelo aumento da base de alunos no ensino presencial, especialmente no curso de Medicina, além do repasse inflacionário. A disciplina nos custos e despesas permitiu que o lucro operacional crescesse em ritmo superior à receita, evidenciando ganho de alavancagem operacional e sinergias de seu plano de otimização.
• 🏦 Dívida Bruta (Empréstimos + Debêntures): R$ 920,3 milhões.
• 💵 Caixa Total: R$ 719,6 milhões (Crescimento de 59% vs Dez/25).
• 📉 Dívida Líquida: R$ 200,7 milhões — redução expressiva no endividamento líquido.
Outros alertas:
• 🩺 Foco em Medicina: A companhia continua a colher frutos da expansão de vagas em Medicina e do crescimento de alunos em cursos de saúde e direito.
• 💸 Geração de Caixa: A geração de caixa operacional líquida atingiu R$ 133,3 milhões (+35,8%), com uma forte taxa de conversão para o EBITDA ajustado.
• 🏗️ CAPEX: Investimento de R$ 23,7 milhões no trimestre, mantendo-se estável para suportar a infraestrutura dos campi.
• 🎓 Base de Alunos: O grupo atingiu aproximadamente 364,0 mil alunos consolidados em sua rede.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• EBIT (1T26): R$ 122,9 milhões.
• Capital Investido: R$ 1,62 bilhão (Patrimônio Líquido de R$ 1,417 bi + Dívida Líquida de R$ 200,7 mi).
• Custo de Capital (WACC): Estimado em ~14% a.a. (ou ~3,4% ao trimestre) para o setor educacional brasileiro.
Resultado: No 1T26, a Ser Educacional foi uma geradora de valor. Com um ROIC (Retorno sobre Capital Investido) trimestral de aproximadamente 7,6%, a empresa superou significativamente o seu custo de capital estimado (~3,4%). A estratégia de focar em cursos de alto ticket médio (como Medicina) e a redução da alavancagem financeira estão convertendo o crescimento operacional em rentabilidade econômica real para o acionista.
Unifique Telecomunicações #FIQE3 | 1T26 🧵
Crescimento sustentado e forte geração de valor no Sul do país.
• 📊 Receita Líquida: R$ 268,7 milhões (+14,2% vs 1T25).
• ✅ Lucro Bruto: R$ 134,8 milhões — margem bruta sólida de 50,2%.
• 💰 Lucro Operacional (EBIT): R$ 64,8 milhões (+18,1% vs 1T25).
• ⚠️ Resultado Financeiro: -R$ 13,9 milhões (Impactado pelo custo da dívida para expansão).
• 🟢 Lucro Líquido: R$ 41,1 milhões (+11,1% vs 1T25).
A Unifique apresentou um primeiro trimestre de 2026 com crescimento consistente, mantendo-se como um dos principais players de fibra óptica no Sul do Brasil. A expansão orgânica e a integração eficiente de aquisições permitiram que o Lucro Operacional (EBIT) crescesse acima da receita, demonstrando ganho de escala. A margem líquida permaneceu saudável em 15,3%, mesmo com o aumento das despesas financeiras atreladas ao financiamento da infraestrutura.
• 🏦 Dívida Bruta (Empréstimos e Financiamentos): R$ 1,024 bilhão.
• 💵 Caixa e Equivalentes: R$ 681,3 milhões.
• 📉 Dívida Líquida: R$ 342,8 milhões (Posição de alavancagem muito confortável).
Outros alertas:
• 🚀 Expansão 5G: A companhia segue investindo na ativação de rádio-bases para sua rede móvel, visando diversificar as fontes de receita além da banda larga fixa.
• 📡 Infraestrutura: O imobilizado líquido atingiu R$ 1,08 bilhão, refletindo o alto investimento em projetos de fibra e ativação de clientes.
• 💳 Participações a Pagar: Existem R$ 140,5 milhões em obrigações de aquisições passadas (earn-outs), sendo parte relevante no longo prazo.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• EBIT (1T26): R$ 64,8 milhões.
• Capital Investido: R$ 1,511 bilhão (Patrimônio Líquido de R$ 1,169 bi + Dívida Líquida de R$ 342,8 mi).
• Custo de Capital (WACC): Estimado em ~13% a.a. (ou ~3,1% ao trimestre).
Resultado: A Unifique foi uma geradora de valor no 1T26. Com um ROIC (Retorno sobre Capital Investido) trimestral de aproximadamente 4,3%, a empresa superou o seu custo de capital estimado (~3,1%). Ao contrário de outras operadoras regionais que lutam com margens apertadas, o modelo de negócios da Unifique continua a extrair rentabilidade real superior ao custo de oportunidade do capital investido na rede.
Banco do Brasil #BBAS3 | 1T26 🧵
Queda expressiva no lucro impactada pelo forte aumento nas provisões de crédito.
• 📊 Receita da Intermediação Financeira: R$ 75,07 bilhões (+21,2% vs 1T25).
• 📉 Lucro Líquido Consolidado: R$ 3,09 bilhões — uma redução de 54,4% em relação aos R$ 6,77 bilhões registrados no 1T25.
• 💰 Lucro Líquido (Controladores): R$ 3,03 bilhões.
• ⚠️ Provisões (PCLD): R$ 16,84 bilhões em perdas esperadas com risco de crédito, um salto significativo frente aos R$ 11,49 bilhões do 1T25, pesando diretamente no resultado final.
O 1T26 do Banco do Brasil foi desafiador. Apesar do crescimento na receita de intermediação (juros), o lucro líquido sofreu uma queda acentuada. O principal detrator foi o aumento nas provisões para devedores duvidosos, indicando uma deterioração na qualidade da carteira ou uma postura mais conservadora da gestão frente ao cenário macroeconômico. O segmento de seguros e previdência ajudou a mitigar perdas, mas não foi suficiente para sustentar o patamar de rentabilidade do ano anterior.
• 🏦 Patrimônio Líquido Consolidado: R$ 194,9 bilhões.
• 💵 Disponibilidades: R$ 23,9 bilhões em caixa e equivalentes.
• 🏗️ Carteira de Crédito: R$ 1,23 trilhão (Consolidado).
Outros alertas:
• 🔍 Segmento Bancário: Apresentou um desempenho operacional mais pressionado, enquanto a unidade de Seguros, Previdência e Capitalização manteve-se resiliente.
• 📈 Índice de Capital: O balanço reflete uma estrutura de capital robusta, com o Patrimônio Líquido crescendo de R$ 181,7 bilhões (dez/25) para R$ 194,9 bilhões (mar/26).
• 💸 Dividendos: O banco mantém sua política de remuneração aos acionistas, embora o lucro menor limite o montante absoluto distribuído no período.
💎 Análise de Geração de Valor (EVA)
• Lucro Líquido (1T26): R$ 3,09 bilhões.
• Capital Próprio Médio (PL): ~R$ 188,3 bilhões (Média entre o PL inicial de R$ 181,7 bi e final de R$ 194,9 bi).
• Custo de Capital Próprio (Ke): Para um grande banco comercial, estima-se um custo de capital nominal entre 12,5% e 14% ao ano (aprox. 3,2% ao trimestre).
Resultado: O Banco do Brasil foi um destruidor de valor no 1T26. Com um ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) trimestral de apenas 1,64%, o resultado ficou bem abaixo do custo de oportunidade do capital (~3,2%). Para que o banco volte a gerar EVA positivo, será necessário estabilizar o custo do crédito (provisões) e retomar a rentabilidade para níveis históricos superiores a 18-20% ao ano.