Um sorriso perverso se abriu ao ordenar “late”. Como um cachorro desobediente se colocou em seus joelhos e rosnou. “Não foi isso que pedi” sussurrou àquele que tinha labirintos que corriam pelo corpo pecaminoso.+
“Olhos brilhantes”
Aquelas palavras ressoavam como uma linda melodia na minha mente antes inquieta. A mão quente segurava a minha enquanto a areia afundava levemente sob meus pés. Até o mar fazia silêncio para ouvir aquelas palavras
-O que foi? Seus olhos brilham mesmo
As flores brancas se manchavam em vermelho no meu jardim. As rosas antes com cheiro doce, agora tinham cheiro de ferro. A espada atravessada em meu peito possuía meu nome nela, minha marca e minha vida. +
“Eu te amo”. As palavras mais sinceras que eu já havia dito para alguém. “Nos vemos do outro lado”. A espada cravada no peito dele tilintou quando usou seu último impulso de força para me abraçar.
Eu observava atentamente pela janela aquela figura. Na TV uma música estava tocando, me fazendo criar um cenário que eu sabia que era impossível “baby, can you try me?”. O homem lá fora roubava para si o sol, como podia uma criatura ser tão… assustadoramente sedutora?+
As mãos no meu pescoço ameaçavam acabar com todo o ar dos meus pulmões. Gemi e estremeci em resposta. Aqueles olhos que brilhavam eram quase vermelhos, talvez realmente fossem. Eu podia jurar que havia visto chifres em sua sombra. A língua percorreu onde antes a mão apertava+
Mas assim como a noite, aquilo chegou ao fim me deixando apenas com o silêncio do quarto e a minha mente que relembrava o momento em um looping infinito. Apenas o que sobrara de mim.
-ANAAAA
O som do ferro se chocando contra o chão ecoava em seus ouvidos. Lembranças há muito esquecidas voltavam à tona e esmigalhavam cada pedaço de um coração que talvez já nem sabia como bater. Vermelho nunca tivera um gosto tão amargo.