Como teu governado, digo tranquilo:
A paz do nosso reino não há quem aniquile
Contigo, não há quem me exile.
Então, permita-me falar:
Do teu governo, quero exclusividade
Já não sei mais viver sem a tua reciprocidade.
Inferno é este juízo,
Não há mais saída para este prejuízo:
Sem estar ao teu lado, vivendo no presídio.
Pela eterna promessa que te fiz,
Não ligo em viver este longo martírio.
Réu
Como dizem, é um crime amar demais
E aqui estou eu, sendo julgado pelos demais.
Neste tribunal, não sou só passageiro:
Desta acusação, sou o portador e mensageiro.
Aí está o juiz e seu martelo,
Com a condenação vem a prova do nosso elo.
De algemas nas mãos, aqui escrevo minha defesa:
“Não temas, meu céu, não te sintas indefesa.”
Sinceramente, infinitamente feliz eu sou
Jamais irei achar uma paixão que assim brilhou.
Portanto, se desespero é o que sinto
Então longe de ti estou.
Se saudade não bastou
Aqui escrevo letras de quem clamou.
Mas já pensaste?
Sentir sede de alguém
Não é mais irreal:
Vivo a necessidade daquilo que tens de real
E não é por acaso o que sinto,
Saiba que agora és o meu mais puro recinto.
Sede de Ti
Saudosa seja essa beleza intangível,
Olhar-te é admirar aquilo que é impossível.
Acima de um devaneio,
Somente aquilo que em ti não vejo:
Aquilo que és e não deixas de ser.