Toda vez que há uma greve em um serviço essencial, essa greve é questionada na Justiça. A Justiça, com grande frequência, julga a greve abusiva e determina o retorno às atividades, ainda que parcialmente. Partindo do pressuposto de que Educação também é serviço essencial, eu não consigo compreender como, depois de tantos dias, não houve questionamentos acerca dessa verdadeira tomada da Universidade de São Paulo. Pergunto, sempre respeitosamente: se não houver como cumprir as infinitas exigências dos grevistas, a Universidade vai ficar parada indefinidamente? Louvo o fato de as aulas on line terem sido autorizadas, mas também são invadidas, sob a desculpa de que o movimento seria legítimo. Para além da suspensão indevida dos serviços, o próprio território da Universidade é público. Podem tomar prédio público assim? Eu entendo que não! Mas, aparentemente, estou muito equivocada, pois não vejo nenhuma autoridade se movimentando para, pelo menos, permitir que quem quer trabalhar e estudar tenha esses direitos preservados, em segurança. Se acionaram no caso dos transportes, por que a passividade com a educação pública? Como seria se profissionais em greve não só parassem de trabalhar, mas tomassem um hospital, impedindo outros profissionais e pacientes de entrar? E como seria se a tal greve e tomada do hospital fosse feita por pacientes? Todos assistiriam passivos? O Direito que eu estudei, e procuro ensinar, não existe mais!
Amados, tenho procurado ler todas as matérias que são publicadas sobre a greve, na USP. Sei que há muitas questões a serem melhoradas, sobretudo em termos burocráticos. Recentemente, por exemplo, soube de alunos aprovados no Vestibular, que foram desligados por não terem encaminhado um email confirmando suas matrículas. Como pode uma norma burocrática se sobrepor à aprovação em um dos vestibulares mais difíceis do País? Igualmente, já aconteceu de alunos fazerem intercâmbio pela própria Universidade, mas terem faltas lançadas por serem obrigados a se matricular em disciplinas no Brasil, ao mesmo tempo. Até os professores, inúmeras vezes, têm dificuldades. Custa conseguir informações firmes e tudo acaba como culpa do tal sistema. A inteligência artificial, que afasta os seres humanos, finda virando uma desinteligência. Desse modo, eu compreendo que cada membro dessa tal "greve" esteja protestando contra algo que considera absurdo. Por isso, defendo que todas as pautas sejam ouvidas e levadas em consideração com seriedade. Ocorre que muitas pessoas são prejudicadas com essa paralisação. Os dirigentes das unidades também têm sentido dificuldade na definição dos interlocutores. Por tudo que vem sendo dito, seria muito importante permitir que a Universidade voltasse ao normal, seguindo com as tratativas para solucionar as questões incômodas. Vi, por exemplo, que os cursos de coreano e japonês estão ameaçados de extinção. Por meus trabalhos durante o tempo de Alesp, tenho certeza de que o Consulado da Coreia poderia ajudar. Tive menos contato com o Consulado do Japão, mas creio que, pelo apreço à Cultura e à Educação, também seria possível procurar meios alternativos para lidar com as faltas, enquanto são contratados mais Professores. Acredito firmemente ser possível construir. Que a próxima semana inicie com recuos, para que seja possível avançar.
Por mais legítimas que possam ser as pautas, não há sentido em greve do tomador de um serviço. A assim chamada "greve" dos alunos da USP resta ainda menos justificada, quando se constata que a principal reivindicação é por mais professores e, por conseguinte, mais aulas. Indago, sempre respeitosamente, qual a lógica de pleitear mais professores e mais aulas, boicotando os Professores que querem lecionar e as aulas já programadas? Quem ganha, por exemplo, atrasando as avaliações e o lançamento das notas? Trata-se de contradição intrínseca, que precisa ser debatida sem ideologias.