@Carol__Freitas Vão lá aceitar tudo quietinho que o gremio faz nos bastidores pra ter vantagem contra vcs...
Podem ficar com esse Mandioca aí, nivel série B...
A pedido dos amigos colorados, segue um pouco do que penso a respeito do Paulo Pezzolano e do que vivemos com ele aqui em 2022.
Vou dividir essa análise em três partes e vou tentar ser o mais objetivo em todas elas: contexto da sua chegada, perfil/estilo de jogo e expectativas para 2025.
1. Contexto
O "Papa" foi o primeiro treinador da Era Ronaldo. Para quem não viveu de perto aqueles anos tenebrosos do Cruzeiro, saibam que, o momento da sua chegada foi um dos mais turbulentos do clube.
Transição para SAF, chegada do Ronaldo, cortes agressivos de gastos, saída de atletas e ídolos (como o Fábio), demissão do Luxemburgo (que havia terminado "bem" em 2021)...
O uruguaio, então, foi o escolhido para liderar a reformulação do elenco que culminaria com o acesso em 2022. Mas, para isso, teve que lidar com muita pressão e desconfiança da torcida e da imprensa, afinal, era um nome pouquíssimo conhecido aqui no Brasil. Aqui, já vejo uma semelhança com o cenário do Internacional.
2. Perfil/Estilo de Jogo
Quando eu penso no Pezzolano, é impossível não lembrar do seu comportamento enérgico à beira do campo. Não sei se esse perfil se abrandou com sua passagem na Europa, mas, no Cruzeiro, o Papa daria carrinhos junto aos volantes se fosse permitido.
Por um lado, isso é bem legal. Tanto no aspecto durante o jogo, mas também em vídeos e informações de bastidores, era possível ver que o treinador conseguia transmitir essa energia aos seus comandados. Havia sinergia ali.
Por outro, é um aspecto perigoso. Pode se tornar uma faca de gois gumes caso o elenco não compre a ideia de ter um treinador exigente e enérgico dessa forma, totalmente oposto ao estilo do Abel Braga com sua fama de "paizão", por exemplo. O técnico uruguaio foi constantemente expulso aqui no Cruzeiro, ficando de fora da beira do gramado várias e várias vezes.
Dentro das 4 linhas, tivemos um desempenho extraordinário (com exceção do Mineiro em 2023, quando já se sabia que Pezzolano iria sair e Pepa viria a ser seu substituto). Com média de 1.87 pontos por partida em 68 jogos (38V/13E/17D), é possível dizer que o trabalho no Cruzeiro foi o melhor da carreira de Pezzolano.
Entre seus diversos testes, a equipe encaixou com 3 zagueiros, um esquema pouquíssimo comum na história do Cruzeiro. O tripé da zaga era formado por Zé Ivaldo, Lucas Oliveira e Eduardo Brock. No meio campo e no ataque, já havia maior liberdade e rotação de jogadores (ele não tem medo de fazer isso, lembrando o Sampaoli de certa forma).
Utilizando muito bem os atacantes de área que teve disponível ao longo do ano (Thiago, hoje no Brentford, Edu e Vitor Roque), o time conseguia criar muito pelas beiradas e municiar seus "camisas 9".
Os laterais (por exemplo: Matheus Bidu, hoje no Corinthians), como alas, foram importantíssimos para fazer a progressão ofensiva do Cruzeiro, enquanto os volantes têm um papel de criação importante. Aqui, a figura do camisa 10 (eu sei que vocês gostam muito do Alan Patrick) não foi tão importante, até porque o clube não tinha esse perfil de jogador no elenco.
O Cruzeiro, que na Série B em 2020 havia feito apenas 39 gols (1.03/jogo) e, em 2021, apenas 42 (1.11), saltou para 57 (1.50) sendo o melhor ataque em 2022. E, na defesa, os números também melhoraram: 26 gols sofridos na campanha do acesso, contra 44 em 2021 e 32 em 2020.
Como visto, é um treinador que não teve medo de colocar a base para jogar. Claro, foi uma mistura de necessidade, com o pouco dinheiro que o clube tinha à época, com perfil do técnico e insistência da direção (a gestão Ronaldo, apesar de suas ressalvas, de fato promovia a utilização da base). O Kaiki, hoje nome cotado para seleção e um dos melhores LE do Brasil, foi escalado como titular em um dos jogos mais importantes (Cruzeiro x Vasco, jogo do acesso) daquele ano (mesmo sendo 3ª opção do elenco), pegando muita gente de surpresa.
Em 2023, com a tendência de saída por sua vontade própria de ir para o mercado europeu, Pezzolano não conseguiu fazer a transição de elenco de Série B para o primeiro ano de Série A. Insistiu no esquema com 3 zagueiros que não funcionou com os novos atletas e fomos eliminados na semifinal para o América.
3. Expectativas para 2025
Inegavelmente, pelo menos 80% da torcida do Cruzeiro olha para o Pezzolano com muita gratidão. Muita mesmo. Mas é uma gratidão que vem acompanhada de uma certa desconfiança, pela forma como a relação terminou em 2023 e pelo técnico ainda não ter se firmado em uma liga mais competitiva.
Para se ter uma ideia, o Cruzeiro foi a 4ª equipe que ele mais comandou (68 jogos), enquanto a primeira foi o Liverpool do Uruguai (75). É um técnico que ainda precisa se provar em um trabalho mais longevo, fazendo transições de elencos e se estabilizando em um cenário mais competitivo.
O que esperar dele no Inter? Se a direção, torcida e jogadores entenderem que o clube vai passar por uma temporada de reformulação, deixando o pífio desempenho de 2025 para trás e buscando uma retomada de protagonismo, mesmo que sem brigar nas cabeças com obrigação de títulos, acredito que o Pezzolano possa ser a faísca para a equipe do Inter "pegar fogo" no ano que vem.
É preciso que o grupo de atletas compre sua ideia de jogo e que ele tenha respaldo e oportunidade de sacar medalhões do time, pois seu estilo de jogo exige muito fisicamente. Podem ter certeza de que é um treinador bem diferente de Roger Machado, Ramon Díaz e Abel Braga.
É uma aposta. Mas, se sou eu no lugar de vocês, eu também a faria. Sucesso ao Papa!
*Reforço que é um texto resumido e que há muito a ser explorado sobre o provável treinador do Internacional. Inclusive, podem procurar o termo "Pezzolano" em nossa página que, com certeza, encontrarão muitos posts analíticos.