O maior risco da economia brasileira hoje não está em Brasília.
É a taxa de juros de longo prazo nos Estados Unidos.
Nosso problema fiscal poderia ter sido resolvido dentro de casa há algum tempo.
A hora de se proteger era ontem.
Se um problema na dívida americana virar crise financeira global, não teremos tempo de fazer os ajustes necessários.
E os ajustes viriam de qualquer forma.
Em 2027/2028, com o orçamento no limite, o Congresso faria isso com ou sem o Executivo.
O problema é o timing.
É como querer guardar dinheiro e cortar gastos depois de já ter perdido o emprego, sem ter montado reserva de emergência.
Se formos pegos no contrapé:
- recorde de recuperações judiciais
- juros ainda muito altos
- déficit nominal perto de 8% ao ano
Isso não se reverte em meses. É trabalho de anos. E precisa de um mundo calmo para ser feito com algum controle.
Isso não é previsão.
É s�� a análise de um cenário alternativo, um cenário que eu gostaria muito que não acontecesse.
Uma vez um prospect chegou na reunião todo pomposo.
Sentou, puxou a chave da BMW e colocou em cima da mesa.
Achei estranho. Mas segue o jogo.
“Quero montar uma carteira de 300 mil com vocês.”
Beleza. Qual o primeiro aporte?
“Dois mil. Ganho 60 mil por mês e vou começar a guardar.”
Comprei o risco. Inocente.
No mês seguinte o cliente precisou dos dois mil de volta. Conta pra pagar.
Eu não consigo viver no limite desta forma. Mas cada um é cada um… Respeito, mas não concordo.
A reserva de emergência é o melhor "investimento" para começar, independente da idade.
Com ela você compra calma e tempo nos momentos mais difícieis, como os abaxo:
- Troca de emprego
- Doença na família
- Mudança de cidade/país
- Reparos emergenciais
- Recomprar itens roubados (sim, preciso colocar isso)
- Ajudar uma pessoa próxima com os problemas acima
Ah, Gabriel, mas eu posso vender minhas ações, FIIs, stocks e reits em até D+2.
Beleza, padawan, faça isso num crash das bolsas e você não terá o mesmo efeito de calma e tranquilidade esperada que você teria vendendo um tesouro Selic.
Mercados preditivos são uma das ferramentas mais subestimadas para hedge de carteiras tradicionais.
Opções protegem da variação de preço do ativo. O problema é que, em eventos políticos e econômicos, bonds e ações nem sempre se movem do jeito que a gente espera.
E tudo bem. São coisas diferentes.
No mercado preditivo você compra o evento de cauda direto, muitas vezes por uma fração do custo de uma put/call OTM no ativo/índice em que tem grande exposição.
Ressalva: evito contratos fáceis de manipular (tempo de reunião, primeira frase de um discurso etc.). Prefiro eventos grandes e de difícil manipulação.