Um excelente sinal de saúde mental é quando você se torna alguém capaz de detestar pessoas que te maltratam e desrespeitam, em vez de se tornar um refém submisso delas ou enfeitiçadamente atraído por elas.
Narrativas no estilo “vilão x coitado” dificilmente são representações fieis da realidade.
E, para constatar isso, basta observar o quanto os “vilões” da sua vida conseguem ser habilidosos quando precisam se fazer de “coitados” nas histórias que contam.
Se você não dá ao outro aquilo que ele realmente precisa, e sim aquilo que na SUA opinião seria o “melhor” para ele, então você pode ser que você esteja agindo de forma bastante generosa, mas ainda assim você está sendo egoísta nas suas ações.
Se a gente entendesse que independência financeira não significa independência emocional, talvez as famílias teriam mais cuidado com os seus ao hostilizá-los e pressioná-los com discursos de “tem que ralar pra não depender de ninguém”.
Se está claro para o outro que você é incapaz de dizer “não”, então nenhum “sim” que você disser será percebido por ele com boas intenções verdadeiras.
Será que você quer ajudar alguém ou será que você só está buscando resolver o problema que é ter uma pessoa sofrendo ao seu lado?
Porque existem diferenças.
Vingança é dopamina. A sensação de punir ou de presenciar a punição de uma pessoa percebida como injusta ou trapaceira ativa circuitos de prazer no cérebro.
Uma pessoa com uma vida pouco prazerosa pode encontrar na vingança ou na contemplação dela uma válvula de escape.
Se você muda de ambiente, mas não muda de postura, o mais provável é que você continue a reviver as mesmas histórias desagradáveis de sempre, porém em lugares diferentes.
Se você está insatisfeito com a sua vida, mas ao mesmo tempo considera ultrajante e injusta a ideia de que algo em você precisa mudar, então, na verdade, o que está te deixando insatisfeito é se deparar com a realidade de que você não está sempre certo e com a razão.
Por que em vez impor consequências ou manter distância de alguém que age de uma forma que te machuca, você prefere ficar se debruçando na internet por explicações ou diagnósticos que justifiquem o motivo do outro agir assim?
Sem essa dimensão, a discussão sobre aborto se torna rasa.
Todo problema da sociedade é um problema também individual, porque a sociedade, no fim, é o conjunto de indivíduos.
Pessoas que tiveram uma infância marcada por negligência e traumas tem maiores índices de início precoce da vida sexual, comportamento de risco, múltiplos parceiros sexuais e gravidez precoce.
Não há como falar de aborto sem falar sobre suporte familiar e estilos parentais.
Evitar uma gravidez indesejada muitas vezes significa ter uma família que te faz sentir pertencimento, validação e acolhimento, porque um indivíduo PRECISA disso.
E uma forma possível de sentirmos que possuímos algum valor é buscando a validação sexual de múltiplas pessoas