Nunca é demais lembrar que o presidente do Fluminense que recusou a administração do Engenhão foi o Sr Roberto Horcades, foi oferecido primeiro ao Flu.
🚨 | EXCLUSIVO - Saída "à força": a história não contada de Agner no Fluminense
Em Xerém, todo mundo já sabe: entre a realidade e o sonho, existem duas barreiras importantes. A primeira delas é a política confusa adotada atualmente no processo de maturação dos atletas. A segunda - e mais complexa - está na relação entre pais, agentes, o diretor Antônio Garcia e o futebol profissional, que frequentemente acaba subordinada a ideias chanceladas pelo diretor-geral Mário Bittencourt. Considerado uma joia bruta anos atrás, o meia Agner aparece no centro dessa equação como o mais novo talento da base tricolor a ser descartado sem ter recebido oportunidades suficientes na equipe profissional.
Aos 21 anos, o atleta acertou sua transferência para o Sharjah FC. O Fluminense, por sua vez, não recebeu nenhum valor pela negociação, mas manteve 10% dos direitos econômicos do jogador. Curiosamente, o clube das Laranjeiras teve a oportunidade de negociar Agner com o Palmeiras entre 2024 e 2025. Contudo, o acordo não avançou. O Palmeiras não quis exercer a opção de compra fixada em R$ 5,5 milhões e apresentou uma oferta de aproximadamente metade desse valor, recusada pela diretoria tricolor.
De volta ao Fluminense, o jovem se viu no limbo: ignorado pelos profissionais e cada vez menos prestigiado nas categorias de base. Quanto menos atuava, menor era o interesse do mercado. Tanto que uma das principais questões envolvendo o jogador nos bastidores era justamente sua baixa minutagem. Ainda assim, pelo desempenho apresentado nas oportunidades que recebeu, diversos clubes demonstraram interesse, entre eles Bahia, Braga (POR), Botafogo, Sport e Athletico.
Em outras palavras, após uma passagem marcante pelo sub-17, o talento acabou sendo empurrado para debaixo do tapete em Xerém. Para justificar sua ausência, alguns rumores sobre suposta má conduta profissional e indisciplina chegaram a circular, mas nunca foram confirmados por integrantes das comissões técnicas do sub-17 e do sub-20. Havia apenas questionamentos pontuais sobre sua não utilização em determinadas partidas.
Diante da forma como sua permanência vinha sendo conduzida no Fluminense, o estafe do jogador optou por não renovar o contrato. Como consequência, recebeu a informação de que não treinaria com o elenco profissional caso não encontrasse um novo clube. Na prática, enquanto o elenco principal treinava à tarde, Agner era deslocado para atividades pela manhã, e vice-versa.
Nos bastidores, comenta-se que Agner jamais realizou uma pré-temporada completa com os profissionais. Seu contrato se encerraria no fim deste ano, e o meia ainda alimentava a esperança de receber oportunidades. O técnico Zubeldía e membros da comissão técnica chegaram a elogiar o jogador em algumas situações.
Outro fator importante para o desgaste da relação foi a ruptura dos familiares do atleta com o empresário Reinaldo Pitta, que mantém boa relação com a diretoria do Fluminense. A decisão ocorreu por divergências sobre a condução da carreira de Agner.
O afastamento do jogador durante o Campeonato Carioca surpreendeu muita gente. Enquanto alguns atribuíam a decisão a questões técnicas, outros simplesmente não conseguiam encontrar uma explicação. O estopim ocorreu quando, no decorrer da temporada, Martinelli e Lucho Acosta se lesionaram. Em uma das partidas, a comissão técnica optou por relacionar seis zagueiros e quatro laterais, sem levar nenhum meia, mesmo com Agner à disposição. A informação de bastidor é que a decisão partiu exclusivamente da diretoria.
Diante desse cenário, quando o sheik responsável por representar o clube dos Emirados Árabes Unidos demonstrou interesse na contratação do atleta, o técnico do Sharjah FC realizou uma chamada de vídeo com Agner e seus familiares. O salário e as condições apresentadas foram considerados bastante satisfatórios, e o jogador acertou sua transferência em definitivo.
Após mais de uma década no Fluminense, clube que defendeu desde os nove anos de idade, Agner agora tentará escrever um novo capítulo em sua carreira. A gratidão pelo período vivido permanece, mas também fica a convicção de que sua continuidade se prolongou por tempo demais diante da pouca confiança recebida por parte dos responsáveis pelo futebol de base e pelo departamento profissional do Tricolor.
📸 | Lucas Merçon/FFC