No fim das contas, todo brasileiro acredita na mesma mentira. Até o mais cético. Até aquele que passa quatro anos dizendo que a seleção acabou.
Quando a bola rola, todo mundo acredita que o Brasil continua sendo o melhor time em campo.
É por isso que dói tanto.
Do outro lado estava o Haaland, um dos melhores jogadores do mundo. Do nosso, a camisa amarela. E, por algum motivo que desafia a lógica, a gente acreditava que ele faria com todas as seleções aquilo que jamais conseguiria fazer com a nossa.
É uma arrogância bonita. Quase infantil. Mas é ela que transforma derrota em luto.
E perdemos. De novo.
Já faz tempo que o Brasil desaprendeu a ganhar as coisas que realmente importam.
Enquanto alguns amigos só queriam que a Copa acabasse para a vida voltar ao normal e as empresas voltarem a faturar, eu estava aqui, feito um idiota, torcendo.
Torci pelo Vini. Torci pelo Neymar. Torci pelo Rayan. Torci até pelo Casemiro quando parecia que metade do país tinha decidido crucificá-lo.
Porque Copa do Mundo é isso.
Você empresta um pedaço do seu coração para onze caras que nunca viram sua cara.
E, quando eles perdem, sobra aquele gosto metálico na boca. A sensação de que dava. De que faltou um pouco. De que, se tivessem acreditado como a gente acreditou, talvez desse para derrubar qualquer favorito, como tantas vezes já aconteceu.
Não aconteceu.
Quem sabe em 2030.
Eu vou estar lá de novo.
Vou reclamar da convocação. Vou dizer que o técnico não entende nada. Vou jurar que dessa vez vai. Vou repetir que camisa com cinco estrelas pesa.
Nem sempre pesa.
Mas a esperança nunca aprende.
Ainda assim, existe um consolo: aconteça o que acontecer nesta Copa, o Brasil continua sendo o único pentacampeão do mundo.
Só que esse privilégio já não basta.
O resto do planeta aprendeu a jogar bola. O que antes parecia uma exclusividade nossa virou paixão mundial. E quem imaginaria que a Noruega, um país de gelo e fiordes, pisaria em campo de igual para igual com o país das embaixadinhas, do futvôlei, da pelada na rua e da criança que aprende a chutar antes mesmo de escrever o próprio nome?
Eu fiz a minha parte.
Torci.
Acreditei.
E agora só me resta dizer um sonoro:
Vai tomar no cu.
Não é possível que um elenco que ganha o que ganha não conseguisse evitar esse vazio que milhões de brasileiros estão sentindo agora.
Um brinde à Seleção Brasileira. Ao técnico italiano. E, principalmente, a você que acreditou junto comigo.
Quanto aos que juram que já sabiam que ia dar errado… façam um favor.
Fiquem em silêncio.
A derrota já fala alto o suficiente.
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