Mussolini chegou ao poder em 1922. A Itália só se livrou definitivamente dele em 1945. Foram 23 anos que mudaram o país para sempre. Para pior.
Nesse período, o fascismo acabou com a democracia, censurou a imprensa, perseguiu opositores, proibiu partidos, prendeu adversários e instituiu leis raciais contra os judeus italianos.
Depois, arrastou o país para guerras de agressão. Invadiu a Etiópia, interveio na Espanha e, em 1940, entrou na Segunda Guerra Mundial ao lado de Hitler.
O resultado? Centenas de milhares de italianos mortos, cidades bombardeadas, famílias destruídas, ocupação estrangeira, guerra civil e um país devastado, que precisou reconstruir sua economia e suas instituições.
Mussolini prometia fazer a Itália grande novamente. Terminou pendurado de cabeça para baixo, como salame. E deixando um país derrotado, empobrecido e humilhado. A propaganda vendia força, mas a realidade se impôs como catástrofe.
E é por isso que devemos prestar atenção quando o fascismo volta a aparecer como referência política. O desfecho não é nada bom.
Nas redes da Calciopédia já falamos inúmeras vezes das semelhanças entre o bolsonarismo e o fascismo histórico. Já houve quem tentasse refutar, minimizar ou fingir que não estava vendo. Disseram até que "fascismo é de esquerda". Mas por que políticos que se dizem de direita e seus apoiadores copiariam e exaltariam tanta simbologia pretensamente de esquerda? Obviamente, porque o fascismo não pertence a este campo.
Já tivemos um secretário do governo Bolsonaro reproduzindo, em vídeo oficial, a retórica e a estética de Goebbels, ministro da Propaganda de Hitler. Motociatas a rodo, tal qual Mussolini fazia. Políticas de supressão, cooptação de parte do judiciário e da polícia. Tentativa de golpe. Plano para assassinar autoridades.
Dessa vez, a campanha de Flávio Bolsonaro publicou uma imagem que copia a propaganda de Mussolini. Depois, a imagem foi apagada e a associação foi negada. Para enganar trouxa depois que o apito de cachorro já foi tocado.
Até quando você, que apoia esse projeto ou que está indeciso, vai fingir que são coincidências? Até quando vai negar que o Brasil está em perigo? Já passamos há muito da fase indiciária e os fatos não são poucos para evidenciarem o cenário de horror que se desenha caso um candidato que exalta tudo isso chegue ao poder com o congresso a seu lado e a possibilidade de dominar o judiciário. Sem freios, sem oposição. Com horizonte livre para esconder todos os seus crimes e sufocar quem não concorda com isso. Sim, porque você pode até votar nele e não concordar com algumas coisas. Mas será que teria voz para criticá-lo livremente?
A história nos ensina a reconhecer os sinais: a hostilidade contra adversários, o desprezo pelos limites institucionais e a tentativa de transformar símbolos autoritários em instrumentos de propaganda não dão resultados positivos.
Mussolini não aboliu todas as liberdades de uma vez. A ditadura foi construída por etapas, enquanto muita gente minimizava os riscos ou acreditava que o líder colocaria o país nos trilhos. Quando as consequências ficaram claras, a Itália já estava mergulhada na tragédia.
Estamos em uma eleição. Flávio Bolsonaro quer chegar à Presidência em um cenário no qual seu campo político pode exercer grande influência sobre o Congresso, o Judiciário e sobre as instituições. É legítimo e necessário discutir o que aconteceria com os freios e contrapesos, a independência da Justiça, a liberdade de imprensa e os direitos da oposição.
Não precisamos esperar que uma democracia deixe de existir para reconhecer os riscos de sua erosão.
O fascismo não se apresenta apenas por uma imagem, um slogan ou uma estética. É um projeto de poder que, na Itália, destruiu liberdades, perseguiu pessoas e terminou em guerra e devastação. Hoje, ressignificado e mais sofisticado, tenta fingir que não é o que realmente é.
A Calciopédia já alertou sobre isso. E, enquanto houver democracia, vai continuar alertando.
E, quando se trata de democracia, o preço de perceber tarde demais que ela foi para o beleléu pode ser alto demais para um país inteiro.
claro que essa bola calva que tem um público que só faz piada com estupro, misoginia e pedofilia é amigo de um cara que faz piada com estupro, misoginia e pedofilia