Tenho dificuldade para aceitar o argumento de que, sem as bets regularizadas, os apostadores migrariam para a clandestinidade.
Apostas de futebol clandestinas existem há décadas no Brasil (vide Máfia do Apito), mas o cenário caótico de vidas ceifadas e famílias destruídas é fenômeno recente.
A facilidade para se apostar e o estímulo constante para que se aposte são as causas da epidemia que vivemos – existem estudos para comprovar – e é isso que deveríamos combater.
A ludopatia não é novidade, mas nunca foi tão fácil torrar salários e reservas de uma vida em minutos. Você não precisa mais se locomover, você não precisa infringir leis, você não precisa buscar lugares clandestinos, você não precisa esperar sorteios semanais.
A derrocada está a poucos cliques no smartphone, 24 horas por dia.
Quem quiser apostar pode fazê-lo no meio do trabalho, almoçando, no banheiro, no cinema, na cama. E esse maldito vício, ao contrário de outros utilizados pelos defensores das bets para argumentar “por que só com as bets, tadinhas?”, não gera consequências físicas imediatas.
Você não desaba no chão porque apostou demais. Você não incomoda ninguém apostando. Você não tem uma overdose de apostas, ainda que elas também possam te levar à morte. Seu colega pode estar apostando agora mesmo, ao seu lado, e você não vai perceber ou se incomodar.
O vício no jogo é tão cruel quanto discreto, e o estímulo a esse vício não pode ser aceito em nenhuma medida.
A morte do futebol brasileiro? Se vier a ocorrer porque a incompetência dos clubes os fez depender do vício alheio para sobreviver, que assim seja.
@import_robs A galáxia não órbita o seu centro pela massa do buraco negro, mas o buraco negro está no centro da galáxia por causa de sua massa: ele naturalmente “decanta” para essa posição. Certo?
@reumalho Qdo deixei de dar plantão, o q mais senti falta foi de trabalhar em equipe (o CTI não existe sem essa troca constante). No consultório e ambulatório, ainda que se dependa muito dos outros profissionais (meu caso), a relação é muito mais distante, o trabalho bem mais solitário.
Política não se faz com truculência, marra e ameaças se vc não for bandido, milíciano, traficante ou Coroné… política se faz com habilidade e amor. Do contrário seus aliados perdem a crença na liderança e só ficam do lado dela por interesse e não por propósito.
Acho que a pior coisa em ser funcionário público na área da saúde é lidar com a eterna sensação de insuficiência. Mesmo sabendo que a responsabilidade não é nossa, é ruim saber que não deu…
Lula foi eleito para governar para todos e não para uma minoria rica. A gente precisa trabalhar para acabar com a fome, gerar empregos e reduzir as desigualdades. Essa reportagem da @SoniaBridi tá completando exatamente um ano e mostra bem o tamanho do nosso desafio.
E quando o paciente agradece, ele inverte esse fluxo médico-paciente, reconhecendo o médico não como fonte inesgotável, mas como indivíduo, que também só dá o que tem. E nesse momento cria conexão.
Obrigado por agradecerem quando podem, a gente também precisa.
Obrigado por agradecerem!
Entendo q meu trabalho, em última instância, é a promoção da autonomia, máxima possível dentro das limitações de cada um. Mas o ser humano é um bicho social; então, essa autonomia não pode ser isolada, mas somente plena e saudável, se cooperativa. (…)
Ou seja meu trabalho é auxiliar o indivíduo na construção de sua autonomia cooperativa.
Entretanto sendo eu também bicho social, apesar de entendedor da minha posição no tratamento, a posição de quem oferece o que se precisa, não sou imune a minha necessidade cooperação. (…)