Barretos entregou neste fim de semana um retrato difícil de ignorar sobre a relação do governo Lula com o interior de São Paulo e o agronegócio.
Na noite deste sábado, 22 de agosto, Flávio Bolsonaro entrou no estádio da Festa do Peão acompanhado de Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e aliados. Foi apresentado como “nosso candidato à Presidência do Brasil” e ovacionado pelo público que lotava o espaço, com capacidade para 55 mil pessoas entre arquibancadas e pista, além dos camarotes.
Em discurso de menos de três minutos, Flávio afirmou que o agro é “o coração do Brasil” e disse que o setor vem sendo atacado. O público respondeu com gritos de “meu presidente”, “Fora Lula” e “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
Poucas horas depois, durante o show de Gusttavo Lima, parte do público puxou outro coro: “Ei, Lula, vai tomar no #%”. O xingamento entrou na transmissão ao vivo da TV Globo.
Uma arena não fala por todo o campo, mas Barretos é o maior rodeio do país e um símbolo do universo sertanejo e do agro. Quando um candidato é aclamado e o presidente é repudiado no mesmo local e na mesma noite, há um sinal político muito claro - Lula continua distante de parcelas importantes do setor.
Em Mato Grosso, estado central do agro, a Real Time Big Data mostrou Flávio com 51% contra 37% de Lula num eventual segundo turno. Foram ouvidos 1.600 eleitores entre 7 e 11 de agosto; margem de dois pontos, confiança de 95%, pesquisa contratada pelo instituto e registrada sob BR-06833/2026.
Barretos já deu esse aviso antes. Em agosto de 2015, mais de 40 mil pessoas reunidas para o show de Garth Brooks entoaram o mesmo xingamento contra Dilma Rousseff e também atacaram Lula. Dilma tinha apenas 8% de aprovação; pouco mais de três meses depois, o processo de impeachment foi aberto; em agosto de 2016, ela perdeu o mandato.
O coro não derrubou Dilma, mas antecipou o isolamento que precedeu sua queda. Onze anos depois, o nome mudou mas o recado, não. Quando o Brasil do agro deixa de apenas reclamar e começa a gritar, é um pré-aviso do que está por vir.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que diversas empresas deixaram o Brasil durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi feita no primeiro ato da campanha eleitoral de Lula, realizado em São Bernardo do Campo (SP), diante de milhares de apoiadores.
Durante o discurso, Alckmin citou o fechamento de fábricas e a saída de empresas da indústria automotiva como exemplo das dificuldades enfrentadas pelo setor nos anos anteriores. Segundo ele, esse cenário prejudicou empregos e a produção nacional.
A fala fez parte das críticas do vice-presidente à gestão anterior e reforçou o discurso de que o atual governo pretende fortalecer a indústria e incentivar novos investimentos no país. O evento marcou o início oficial da campanha de reeleição de Lula.
Fonte: Folha de S.Paulo.