Poliana Rocha agora tenta apagar o que ela mesma disse.
Após transformar em anedota televisiva a história de ter levado um adolescente pobre da Bahia para sua casa em Goiânia, tratá-lo como “irmão temporário” do filho e depois simplesmente “devolvê-lo”, ela grava um vídeo afirmando que foi mal interpretada e ameaça processar quem a “caluniou”.
Mas não há calúnia quando as palavras saíram da própria boca.
O que chocou a sociedade não foi invenção da internet, foi o relato cru de uma mulher que se orgulhou em público de transformar a vida de um adolescente em experiência passageira, como se fosse um objeto descartável.
Dizer que “não contou a história toda” não muda o fato central: retirar um menor de idade de sua família, sem respaldo legal, para brincar com seu filho e devolvê-lo quando perdeu a “utilidade”, é grave.
Pior ainda é tratar essa situação como entretenimento de programa de auditório.
O problema não é a “interpretação” das pessoas, mas a prática em si e o modo banalizado com que ela foi exposta.
Crianças e adolescentes não são bonecos que a elite pode usar para suprir carências afetivas e, quando cansar, devolver para a realidade dura da pobreza.
Quem deveria estar pedindo desculpas é Poliana ao jovem, à sua família e à sociedade.
E mais, deveria refletir sobre o que significa privilégio e responsabilidade, em vez de se colocar como vítima de “mal-entendidos”.
Porque, no fim das contas, a verdadeira violência não está nos comentários das redes, mas no que ela própria fez questão de narrar.
Nos comentários está o vídeo para quem ainda não assistiu.
Pífios e patéticos. Nossa plataforma de streaming , o Streamyard, está com fora do ar em boa parte do mundo devido a uma queda do serviço de nuvem do Google. Esperamos até às 16h30 para tentar reestabelecer a transmissão e nada. Voltamos amanhã
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