Explica isso, Nikolas?
Vazaram os áudios que mostram que Nikolas e Vorcaro tinham uma relação muito mais próxima do que ele dizia. Será que vem vídeo com fundo preto por aí ou ele vai ficar calado?
🚨 AGORA: Escute o áudio de Nikolas Ferreira, que mentiu dizendo que não conhecia Daniel Vorcaro. Ele chama o banqueiro de “Dani”, pede desculpas por ter feito críticas ao escândalo Bolsomaster e solicita ajuda para um negócio de R$ 200 milhões de seu advogado. A CASA CAIU!
Nikolas passou meses falando que não era porque ele tinha usado o jato do Vorcaro que, necessariamente, ele o conhecia.
Não só usou, como o conhecia e ainda chamava de lindão.
Não vai sobrar um.
𝗢 𝗦𝗨𝗜𝗖𝗜́𝗗𝗜𝗢 𝗗𝗘 𝗨𝗠 𝗩𝗘𝗟𝗛𝗢 𝗖𝗢𝗠𝗨𝗡𝗜𝗦𝗧𝗔
Todo dia primeiro de setembro, como hoje, meu pai mergulhava num silêncio quase sepulcral. Criança, eu não entendia o motivo. Quando meus irmãos e eu insistíamos em puxar conversa, minha mãe o protegia e nos mantinha fora do alcance.
Só na adolescência fui juntar as peças, ouvindo um pedaço de conversa aqui, outro acolá. Nessa data, em 1960, meu avô Wolf tinha cometido suicídio, enforcando-se na modesta fábrica têxtil de sua propriedade. Meu pai só tocaria no assunto nos últimos anos de vida, sempre de forma contida.
Interromper a própria existência é uma ferida para o judaísmo. Entre os judeus comunistas, pior. Para os religiosos, representa uma violação da disposição divina sobre nossos destinos. Para os revolucionários, quase sempre significa alguma forma de covardia.
Não conheci esse avô, morto aos 53 anos. Ainda assim, sua história me é muito familiar. Nascido em Varsóvia, em 1907, era militante comunista desde garoto. Revoltado com um pai rico e carola, fugiu de casa aos nove anos e foi morar com um tio pobre e marxista, dirigente do Partido Social-Democrata da Polônia e depois do Partido Comunista, o KPP.
No final dos anos 1920, fugido da crise econômica e do antissemitismo, imigrou para o Brasil. Três primos sortearam entre si três destinos: Estados Unidos, Cuba e Brasil. O combinado era que o primeiro a melhorar de vida chamaria os demais. Nunca voltaram a se reencontrar.
Wolf veio para São Paulo, casou-se aqui com uma judia também polonesa, minha avó Riva, montou um pequeno negócio e se juntou aos comunistas brasileiros. Até meados dos anos 1950, seria um dos principais chefes do Setor Judeu do PCB, um dos fundadores da Casa do Povo e o primeiro presidente da Escola Israelita Brasileira Scholem Aleichem.
Integrou também o ICUF – Idisher Kultur Farband (em ídiche, Federação Cultural Judaica), organização mundial comandada por judeus antissionistas, fundada em 1937 com forte apoio da União Soviética e sediada em Paris. As atividades internacionais o levavam a viajar seguidamente para Moscou, onde tinha bastante proximidade com dirigentes do primeiro Estado socialista.
Homem de seu tempo, estava disposto a matar e morrer pela causa da revolução socialista. A vitória do Exército Vermelho sobre o nazismo, em 1945, foi o grande momento de sua geração. A liderança de Josef Stalin era saudada e respeitada como a mão de ferro que garantira o triunfo sobre Hitler e a emergência da URSS como superpotência da classe trabalhadora.
Mesmo tendo críticas ao modelo soviético, sempre guardadas para as instâncias partidárias ou o convívio familiar, sentia-se e comportava-se como um dos milhões de gladiadores das fileiras revolucionárias que atuavam sob a batuta bolchevique.
Esse mundo desabou em fevereiro de 1956, no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, três anos depois da morte de Stalin. Diante dos delegados, Nikita Kruschev, primeiro-secretário do partido, leu o relatório que denunciava supostos crimes do antecessor.
Inúmeros comunistas, mundo afora, receberam aquelas denúncias como uma facada nas costas. Alguns aturdidos pelas revelações alardeadas. Outros impactados pelo que consideraram uma traição imperdoável ao líder responsável pela transição soviética da era do arado à bomba atômica.
Conta-se que vários comunistas soviéticos tiraram a própria vida nos meses seguintes. Entre eles, o escritor Alexander Fadeiev, autor de "A jovem guarda", que se matou com um tiro em maio daquele ano.
Meu avô Wolf seguiu esse caminho. Acusado dentro do PCB por “stalinismo”, foi afastado de todas as funções que exercia. Entrou em depressão profunda, quase emudecido pela dor e pela melancolia. Até o dia em que se enforcou.
Meu pai, Max, ficaria muito abalado. Fez questão de pedir ao irmão mais velho, Carlos, que lhe coubesse o discurso fúnebre, lido para as centenas de pessoas que compareceram ao enterro. Guardo o texto até hoje: uma ode à missão dos revolucionários e um juramento ao legado paterno, desde menino um soldado da epopeia de Marx e Lênin. Sem culpas ou ressentimentos, mágoas ou lamentos.
Mas essa ferida o acompanharia até seus últimos momentos, em 2016. Eu sabia disso por seu silêncio. O silêncio de todo primeiro de setembro.