Como foi demonstrado de forma brilhante na obra 1984, uma das características mais marcantes e violentas de uma distopia, consiste na alteração da realidade visível. Para que a ditadura seja plena e duradoura, é preciso destruir a noção de realidade e o senso comum. Você não pode mais acreditar no que enxerga, no que escuta, e nem mesmo no que já sabe. Até a história precisa ser reescrita. A realidade passa a ser aquela que o partido impõe. Duvidar disso, ou pior, manifestar-se em sentido contrário, passa a ser o pior crime possível.
Estamos justamente nesse processo, conforme demonstro a seguir com alguns exemplos recentes.
Alexandre de Moraes recebe honraria da Ordem do Rio Branco:
Não foi a primeira vez, nem a segunda e nem a terceira. O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi hoje é dos racistas. Uma nação linda, que me acolheu e que amo, mas que aceitou exportar a imagem para o mundo de um país racista. Lamento pelos espanhois que não concordam, mas hoje, no Brasil, a Espanha é conhecida como um país de racistas. E, infelizmente, por tudo o que acontece a cada semana, não tenho como defender. Eu concordo. Mas eu sou forte e vou até o fim contra os racistas. Mesmo que longe daqui.
Todas as vezes que vc ver um funcionário público atendendo mal, todas as vezes que um alvará demorar pra ser aprovado, que uma decisão judicial levar ANOS para ser julgada e um idoso doente esperar por horas numa fila do SUS, lembre-se dessa frase:
“Perdeu, mané. Não amola”