@kinoramacine Esse tipo de discussão tem se tornado recorrente, e pra mim é um caso de educar para o consumo. As pessoas precisam saber avaliar as obras pelo que elas são e não pelo que elas querem que sejam.
@CaioAugstOR Tenho muitas críticas a imprensa esportiva, mas nesse caso, eu discordo. Realmente foi uma geração com ótimos jogadores, sendo destaques nos principais campeonatos do mundo, só que pra um País não tão tradicional no esporte, a manutenção e a renovação é muito mais complicada.
@CaioAugstOR A passagem dele no Vasco foi de muita oscilação, teve um bom momento em que venceu 7 de 8, mas o time era irregular. Acho que ele peca nas convicções, a insistência em uma transição da defesa com toques curtos, e uma linha alta defensiva que deixa o time vulnerável.
@jcaetanoleite Pior que o exame do toque nem é um bom exame de rastreio, pois gera sobrediagnóstico, e não reduz a mortalidade. O ministério da saúde nem faz a recomendação mais.
@igoreckert Felizmente ainda existem perfis, como o seu, que buscam debater os assuntos de forma técnica, didática, e com seriedade. Infelizmente parte da mídia gerou uma expectativa irreal pra população, a ponto de virar em torcida de futebol, travestida de defensores da ciência.
O estudo controlado ao qual o Bruno se refere não necessariamente precisa ser controlado por placebo.
O mais importante é ter um grupo controle, que foi selecionado da mesma população de origem (source population) que o grupo intervenção e apresenta prognóstico idêntico -- de maneira que a única diferença entre os dois grupos seja a aplicação da polilaminina.
A presença de um grupo controle é importante porque, a não ser que os efeitos da polilaminina sejam de magnitude extrema, é impossível saber se o curso clínico dos pacientes que receberam polilaminina seria diferente caso não tivessem recebido.
E pelo que temos visto nos casos que estão sendo divulgados (e nos casos relatados no preprint de Menezes et al. 2024), a velocidade e o grau de recuperação de capacidade funcional dos pacientes que receberam polilaminina é compatível com o que se espera apenas recebendo tratamento usual, conforme demonstrado na literatura.
Um ponto importante: mesmo que em uma série de casos de, digamos, 30 pacientes que receberam polilaminina, seja observada uma taxa de progressão maior do que a literatura apresenta, ainda assim haveria um elevado grau de incerteza para inferir que o tratamento é eficaz.
Isto é verdade porque existem pelo menos 2 fatores CRÍTICOS que podem justificar diferenças relevantes na taxa de progressão em uma coorte histórica e em uma coorte contemporânea que recebeu polilaminina:
1. Diferenças no processo de determinação do grau de comprometimento inicial pela escala ASIA: é plenamente possível, e até comum, que a equipe médica NÃO ACERTE o verdadeiro grau de comprometimento do paciente nas primeiras horas da lesão medular. Isso é amplamente sabido: existem MUITAS limitações que impedem a gente cravar uma classificação correta nas primeiras horas. Ninguém pode afirmar com total certeza que um paciente "nunca mais vai andar" em 24, 48 ou 72 horas desde o evento traumático!
Muitas vezes o grau de comprometimento mais definitivo não pode ser determinado sequer dentro dos primeiros 7-10 dias!
Por essa razão, é comum que médicos classifiquem pessoas com lesões incompletas equivocadamente como se tivessem lesões completas.
E como o prognóstico de pessoas com lesão completa é pior, a taxa de progressão com certeza vai ser MAIOR na sua coorte que recebeu polilaminina devido a esse erro de classificação, o que cria uma falsa aparência de eficácia. O maior percentual de melhora na sua amostra não é uma maior taxa de progressão real, é só uma correção do diagnóstico inicial que vc errou.
2. Diferenças no processo de seleção dos pacientes: dependendo da coorte histórica que vc pega para usar como referência, vc pode ter dados de pessoas que:
- demoraram para receber primeiros socorros
- demoraram para chegar no hospital
- demoraram até a cirurgia de descompressão
- receberam tratamentos sub-ótimos durante todo o processo, desde os primeiros socorros até a reabilitação com fisioterapia
Agora, imagine que as pessoas que recebem polilaminina em uma coorte contemporânea sejam todas bem selecionadas: receberam o cuidado usual padrão ouro de forma célere, foram atendidas por excelentes profissionais e não sofreram negligências em qualquer etapa do processo de tratamento.
Mesmo que a polilaminina sequer seja aplicada, vc COM CERTEZA tem uma coorte que tem MUITO mais probabilidade de recuperar capacidade funcional e/ou recuperar de forma mais célere!
Exemplo concreto:
Imagine que uma coorte histórica de 500 participantes tenham apresentado 15% de conversão de lesão completa para lesão incompleta (AIS A para AIS D, por exemplo)
Imagine que uma coorte contemporânea de 50 participantes, que receberam polilaminina, apresentem 30% de conversão de AIS A para AIS D.
Bem, temos aqui uma evidência de que pessoas que recebem polilaminina têm O DOBRO de chance de sair de 'lesão completa' para 'lesão incompleta motora'
Logo, o tratamento PARECE eficaz.
Mas esse resultado:
1. não deve te surpreender
2. não deve te convencer de que é realmente eficaz
Pq?
Porque uma diferença absoluta de 15 p.p. na conversão de AIS A --> AIS D pode ser plausivelmente explicada pelos 2 pontos que eu trouxe anteriormente: 1) diferenças no processo de seleção dos pacientes e 2) diferenças no processo de determinação do grau de comprometimento na escala ASIA!
Resumindo:
Se o tratamento tiver tamanho de efeito milagrosamente extremo, o que é improvável, saberemos disso vendo taxas de progressão implausivelmente altas (>70%) em um ensaio clínico de braço único.
Se o tratamento NÃO tiver tamanho de efeito extremo, sua eficácia precisará ser demonstrada em um ensaio clínico randomizado bem feito, com grupo controle. Só assim saberemos se realmente funciona, o quão bem funciona, e pra quem funciona.
PS: se esse texto foi útil ou esclarecedor, considere compartilhar.
@FabioJEB A decisão de cancelar os cruzeiros foi tomada antes mesmo desses protestos, a MSC já havia sinalizado a insatisfação por conta das altas taxas portuárias, logística ruim, custo operacional elevado, e falta de colaboração da gestão pública pra serviços essenciais.
3 minutos e 40 segundos, quase 10 mil folhas de desenhos. Um plano-sequência inteiro, em um filme de corrida, que se foca apenas no ambiente e nas preparações dos atletas.
Isso é cinema. Isso é arte. Isso é 100 Meters!
Stranger Things e GOT são fenômenos mercadológicos, mas em qualidade, não conversa com as outras obras citadas, então não é nenhuma surpresa ter finais abaixo da crítica. GOT começa a decair quando não tinha mais material pra adaptar.
Qual foi a última série gigante (popular estilo Stranger Things/ GOT) que teve um final unânime e sem críticas?
- Lost foi criticado
- GOT foi criticado
- Breaking Bad encerrou bem, mas quando saiu não era tão popular
- Better Call Saul também teve um ótimo final e era popular (só que não era nível Stranger Things)
- Band of Brothers foi 10/10, mas ninguém tinha HBO em 2001 fora dos Estados Unidos.