O final alternativo de ‘Eu Sou a Lenda’ subverte completamente tudo o que pensávamos saber sobre o filme. Na versão que a maioria das pessoas viu nos cinemas, o personagem de Will Smith, Robert Neville, morre como um herói, sacrificando-se para proteger uma cura que salvará a humanidade. É um final clássico de Hollywood, cheio de suspense.
No entanto, o final “alternativo” original é muito mais psicológico e perturbador, pois revela que Neville não é o herói afinal, pelo menos não para as criaturas que ele estava caçando.
Nesta versão, o macho alfa dos infectados não está atacando a casa de Neville para matá-lo por comida ou esporte. Ele está lá para resgatar sua companheira, a fêmea infectada que Neville havia sequestrado anteriormente para seus experimentos. Quando Neville percebe isso, ele vê o macho alfa desenhar uma borboleta no vidro, fazendo referência a uma tatuagem no pescoço da mulher. Neville abre a cápsula, a liberta e observa os infectados demonstrarem genuíno amor e alívio. Naquele momento, Neville olha para a parede de fotos mostrando todos os “monstros” que ele matou em seu laboratório e percebe que, para essa nova espécie, ele é a terrível lenda urbana que ataca das sombras.
Esse final, na verdade, está muito mais próximo do espírito do livro original de Richard Matheson. O título Eu Sou a Lenda assume uma ironia sombria: Neville se torna uma “lenda” da mesma forma que vampiros ou bichos-papões eram lendas para os humanos no passado. Ele é o monstro do novo mundo.
O estúdio acabou refilmando o final porque o público de teste achou essa complexidade moral muito deprimente e preferiu um final direto de herói de ação.
Curiosamente, a próxima sequência tornou oficialmente esse final alternativo o “verdadeiro”, para que o personagem de Will Smith possa retornar.
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