https://t.co/l0stsaq7Pc
Fui surpreendido, confesso, pela indicação ao prêmio iBest de Influenciador de Política. Encontro-me, neste instante, em décimo quarto lugar: posição que me parece quase obscena de tão improvável. Pergunto-me, com genuína perplexidade: como pode um sujeito nascido numa cidadezinha esquecida do interior do Paraná, sem padrinho ilustre, sem parentes importantes, sem sequer o verniz obrigatório das boas famílias, ser alçado à condição de “influenciador” em escala nacional? Como pode alguém situado fora dos eixos sagrados de Rio-São Paulo, ou o mais moderno, Miami-Washington, possuir alcance superior ao de um torneio de cuspe à distância?
São indagações que só o milagre das redes sociais consegue responder. Elas, e somente elas, romperam o monopólio que as grandes redes midiáticas exerciam outrora sobre o imaginário coletivo. Um milagre, sem dúvida. Um milagre que explica, por exemplo, a liderança de uma dona de casa como Bárbara sobre os figurões encanecidos da velha televisão, aqueles que ainda julgam reinar por direito divino de antena. Contudo, todo milagre carrega em si a semente da própria finitude. Não é difícil imaginar o desassossego que toma conta das grandes corporações. Basta olhar os prêmios iBest para constatar que perderam o protagonismo; o centro do palco já não lhes pertence. E não é preciso ser gênio, nem mesmo analista de terceira categoria, para perceber a inquietação que assola os grandes magistrados diante da “liberdade nas redes”. Dia sim, dia não, entoam o mantra da “regulação”, como se a palavra fosse neutra e desinteressada. A censura, aliás, já se exerce com desenvoltura acaciana no YouTube: invocam, com solenidade professoral, os algoritmos, as diretrizes comunitárias, o bem comum digital. Todo mundo sabe, no entanto, do que se trata: canais que ousam dizer a verdade são discretamente enviados para a geladeira, como o meu, por exemplo.
Simples assim.
Seja como for, o fato bruto permanece: ainda estamos vivos. Ainda estamos aqui, para usar a fórmula que a esquerda tanto aprecia. Muitos repetem que o essencial, agora, é sobreviver a 2026. Se chegarmos inteiros a janeiro de 2027, poderemos nos declarar ressuscitados. Antes de tudo, trata-se de uma questão de fé. E o iBest aí está, modesto e obstinado, para provar que milagres, ainda que provisórios, continuam a acontecer.
Dito isso, Flávio 22.
https://t.co/l0stsaq7Pc
Fui surpreendido, confesso, pela indicação ao prêmio iBest de Influenciador de Política. Encontro-me, neste instante, em décimo quarto lugar: posição que me parece quase obscena de tão improvável. Pergunto-me, com genuína perplexidade: como pode um sujeito nascido numa cidadezinha esquecida do interior do Paraná, sem padrinho ilustre, sem parentes importantes, sem sequer o verniz obrigatório das boas famílias, ser alçado à condição de “influenciador” em escala nacional? Como pode alguém situado fora dos eixos sagrados de Rio-São Paulo, ou o mais moderno, Miami-Washington, possuir alcance superior ao de um torneio de cuspe à distância?
São indagações que só o milagre das redes sociais consegue responder. Elas, e somente elas, romperam o monopólio que as grandes redes midiáticas exerciam outrora sobre o imaginário coletivo. Um milagre, sem dúvida. Um milagre que explica, por exemplo, a liderança de uma dona de casa como Bárbara sobre os figurões encanecidos da velha televisão, aqueles que ainda julgam reinar por direito divino de antena. Contudo, todo milagre carrega em si a semente da própria finitude. Não é difícil imaginar o desassossego que toma conta das grandes corporações. Basta olhar os prêmios iBest para constatar que perderam o protagonismo; o centro do palco já não lhes pertence. E não é preciso ser gênio, nem mesmo analista de terceira categoria, para perceber a inquietação que assola os grandes magistrados diante da “liberdade nas redes”. Dia sim, dia não, entoam o mantra da “regulação”, como se a palavra fosse neutra e desinteressada. A censura, aliás, já se exerce com desenvoltura acaciana no YouTube: invocam, com solenidade professoral, os algoritmos, as diretrizes comunitárias, o bem comum digital. Todo mundo sabe, no entanto, do que se trata: canais que ousam dizer a verdade são discretamente enviados para a geladeira, como o meu, por exemplo.
Simples assim.
Seja como for, o fato bruto permanece: ainda estamos vivos. Ainda estamos aqui, para usar a fórmula que a esquerda tanto aprecia. Muitos repetem que o essencial, agora, é sobreviver a 2026. Se chegarmos inteiros a janeiro de 2027, poderemos nos declarar ressuscitados. Antes de tudo, trata-se de uma questão de fé. E o iBest aí está, modesto e obstinado, para provar que milagres, ainda que provisórios, continuam a acontecer.
Dito isso, Flávio 22.
A view of a town square, with a procession during the Feast of Corpus Christi and figures kneeling before the Host
Jan van der Heyden
(Dutch, 1637-1712)
Oil on canvas