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O Brasil não é para amadores (por Henrique Bredda)
A Técnica Feynman é um método de aprendizado que o força a desenvolver uma compreensão profunda sobre determinado assunto. Richard Feynman foi um físico ganhador do Prêmio Nobel, mas o seu verdadeiro superpoder, no entanto, era sua capacidade de explicar assuntos complicados a outras pessoas em termos claros e simples. Ele percebeu que o jargão, as palavras vagas e a complexidade, típica dos acadêmicos e ditos especialistas, revelam, na verdade, uma completa falta de compreensão. É o clássico 'embromation'.
Existem quatro etapas principais para a técnica de Feynman:
1. Escolha um conceito sobre o qual deseja aprender;
2. Explique para uma criança de 12 anos;
3. Reflita, Refine e Simplifique;
4. Organizar e revisar.
Vamos lá explicar o Brasil de uma forma bem simples. Segue:
O Brasil é fruto de uma expedição heróica, profética e espiritual de Portugal. Estudem a Batalha de Ourique e a vida de Dom Afonso Henriques. A Terra de Santa Cruz começou a ser idealizada. “Consentindo nisso, o Senhor me disse: Não se apartará deles, nem de ti, nunca Minha misericórdia, porque por sua via tenho aparelhadas grandes searas e eles, escolhidos por Meus segadores, em terras muito remotas”. (Coimbra, 29 de outubro de 1152. Eu, El Rei Dom Afonso).
Sobre a expansão marítima portuguesa, Jaime Cortesão disse que "A descoberta do Brasil foi o resultado de um plano premeditado, e não um acidente fortuito."
Portugal, fruto de Roma, uma Roma já cristã, é a última flor do Lácio (Olavo Bilac). Portanto, Portugal é o resultado de todos os épicos juntos: "Ilíada" e "Odisséia", que ajudaram a formar o ideário e a cultura grega; a "Eneida" que contém o mito fundador de Roma, que antes de ser a Cidade Eterna, fazia parte da Magna Grécia; a "Divina Comédia" que é a extraordinária cosmovisão cristã de Dante Alighieri, do ápice da Idade Média; e por fim e "Os Lusíadas", com o mito fundador de Portugal, com todas as suas aventuras heroicas. "O luso-tropicalismo é a capacidade singular dos portugueses de conviver e se adaptar às realidades tropicais, influenciando e sendo influenciados pelas culturas locais." – Gilberto Freyre
Portugal é o resultado do grande encontro cósmico entre o Judaísmo, a Revelação de Cristo, a Filosofia Grega e o Império Romano.
A nossa cultura portuguesa, a nossa herança romana, o fato de termos como primeiro nome Ilha de Vera Cruz (ver as aparições de Ourique e a de Constantino), e a herança filosófica grega, nos torna um caso único no mundo. Esse DNA pode até adormecer, mas nunca morre.
Adicione a tudo isso a seguinte afirmação de Benito Mussolini, já experiente, depois de pintar e bordar com a vida dos italianos: "Governar os italianos não é impossível, mas é inútil".
Se pensarmos que somos herdeiros de Portugal, que por sua vez era a última flor de Roma, fica fácil de compreender o motivo do Luiz Alves nunca ter se preocupado com política para investir em empresas no Brasil: nosso DNA é ingovernável. Não é porque algo está acontecendo que continuará a acontecer para sempre, e não é porque não está acontecendo que jamais acontecerá. Explico: não é porque quando tínhamos Lei das Estatais que a tínhamos de fato, e não é porque a perdemos que nunca a teremos de volta. No Brasil, tudo muda, o passado e o futuro, para ficar sempre o mesmo. O Brasil não irá se tornar o país X ou Y. É mais fácil o X e o Y se tornarem Brasil, enquanto o Brasil é sempre Brasil.
O resultado desse DNA não é a anarquia. Pelo contrário. Reflita: o que faz com que o Brasil sempre se reorganize depois de qualquer revolta, tentativa de revolução ou movimento separatista? A capacidade que existe no Brasil de negociar uma solução, abafar, desmantelar ou simplesmente destruir qualquer movimento que esteja desestabilizando o país é enorme.
A quantidade de revoltas não foram poucas:
- Insurreição Pernambucana (1645-1654)
- Revolta de Beckman (1684)
- Guerra dos Palmares (1630-1694)
- Guerra dos Emboabas (1707-1709)
- Guerra dos Mascates (1710)
- Revolta de Felipe dos Santos (1720)
- Inconfidência Mineira (1789)
- Conjuração Baiana (1798)
- Revolução Pernambucana (1817)
- Confederação do Equador (1824)
- Revolta dos Malês (1835)
- Cabanagem (1835-1840)
- Farroupilha (1835-1845)
- Sabinada (1837-1838)
- Balaiada (1838-1841)
- Revolta da Praieira (1848-1850)
- Guerra dos Canudos (1896-1897)
- Revolta da Vacina (1904)
- Guerra do Contestado (1912-1916)
- Revolução Constitucionalista (1932)
Por mais que um ou outro conflito tenha durado um pouco mais de tempo, nada foi substancialmente pra frente. A cada nova revolta, mais o Brasil se fortalece contra possíveis outros movimentos desestabilizadores.
Essa capacidade de busca do equilíbrio é a força que manda, que determina, que induz, que influencia, à qual muitas instâncias de poder obedecem. O Brasil tem dono, mas ninguém sabe 'quem' é. 'Alguém' controla, unifica, aglutina, passa pano quentes nos conflitos, e recoloca o Brasil nos trilhos.
A capacidade de voltar ao equilíbrio é o verdadeiro Poder Moderador no Brasil que sempre toma as atitudes necessárias para que o país volte à sua nornalidade. Nem lá e nem cá, nem Suíca e nem Venezuela, mas sempre Brasil. E o que é o Brasil? Um lugar enorme, fértil, para onde uma família imigrante vem em busca de vida, fixa residência, acha trabalho, vive e melhora a sua vida. É assim há 500 anos.
Mas de tempos em tempos, sempre aparece alguém, que se acha mais sábio do que os outros, mas que no fundo está apenas emocionado, que diga que "agora é diferente".
Não, não é diferente.
O Brasil é aquele país único que ao mesmo tempo que "não tem como dar certo", também "não tem como dar errado".
Quando falo de longo prazo e do Brasil, sempre escuto a seguinte pergunta: "E se o Brasil virar Venezuela?" A pergunta sempre embute um certo pessimismo, endêmico em certos perfis de pessoas, geralmente aquelas que vivem em bolhas elitizadas fingindo serem 'cidadãos novaiorquinos' presos num inferno subdesenvolvido. Olhando a história do Brasil, no entanto, vemos que nosso DNA possui uma outra vocação, bem diferente do que a pergunta induz. O Brasil foi o refúgio de uma corte que se esquivou de Napoleão, o qual tomou um drible e teve que ficar 'a ver navios' quando Dom João VI veio com sua família para cá. Aliás, aguma colônia espanhola da América teve o herdeiro da coroa como o mandatário máximo, 'in loco'?
O Brasil é sempre a tábua de salvação de vários povos que procuram vida, comida, casa, trabalho, oportunidade. Imigrantes de vários países, em várias épocas, vieram ao Brasil com a esperança de uma vida melhor. Alguns fugiam da guerra, outros da fome, e muitos procuravam uma vida melhor. E conseguiram. Italianos, libaneses, alemães, japoneses, judeus, etc, vieram para o Brasil em busca de vida. Hoje recebemos haitianos, venezuelanos, latino-americanos e, muito em breve, outros refugiados.
A história mostra que quando países entram (temporariamente ou não) em processos de "venezuelização", é o Brasil que acolhe seus imigrantes. O Brasil não vira Venezuela. São os outros que passam por esse terror e somos nós que acolhemos.
Recorro ao genial Mário Ferreira dos Santos:
"É comum, entre literatos da nossa época, tripudiar sobre as dores humanas, remexer feridas em vez de cauterizá-las. Há quem busque angústias quando não as têm, numa morbidez afanosa de sofrimentos, mais falsos que verdadeiros, para depois criar, com gritos de dor, obras nem sempre autênticas. Há quem diga até que o otimismo é uma atitude de filosofia barata. Mas há algo mais barato que o pessimismo? Olhem para o mundo. Quantos os que se queixam, quantos os que se angustiam, açulados pela imaginação doentia; quantos proclamam angústias (as famosas angústias físicas e metafísicas de tantos intelectuais!). Quantos procuram mágoas para explorá-las? Há coisa mais barata por este mundo?"
O Brasil não vira Venezuela. Pelo contrário. Somos nós que acolhemos povos que fogem de suas 'Venezuelas'.
Não somos perfeitos, mas aqui sempre se encontrou possibilidade de vida. Essa é a nossa vocação.
Essa nossa especialidade, essa nossa capacidade de acolhimento e absorção cultural é sem precedentes no mundo. Talvez se compare, no máximo, ao Império Romano.
Veja que curioso:
Quem é de São Paulo, é paulistano. Quem é dos EUA, é americano. Quem é da Itália, é italiano. Quem é da elite da guarda romana, é pretoriano. E por aí vai: equatoriano, peruano, boliviano, goiano, anglicano, australiano, lituano, jordano, iraquiano, iraniano, queniano, indiano, atleticano, corinthiano, etc. Em essência, a terminação '-ano' significa pertencimento.
Por outro lado, a terminação '-eiro' significa profissão: engenheiro, padeiro, porteiro, carteiro, carpinteiro, jardineiro, leiteiro, açougueiro, pedreiro, cabeleireiro, coveiro, goleiro, caseiro, jornaleiro, borracheiro, verdureiro, fuzileiro, cozinheiro, etc.
Enquanto "-ano" basta apenas ser, "-eiro" requer dedicação, esforço, talento e conquista.
"Brasiliano" era o termo utilizado, no século 16, como referência aos índios locais aqui do Brasil; já os portugueses, recém-chegados preferiam se autodenominarem "brasileiros". Eles se diziam brasileiros pois a atividade de trabalhar, criar riqueza e organizar essa terra bruta aqui no Brasil era coisa de profissional.
Normalmente quando ouvimos a frase que diz que "o Brasil não é para amador" ela geralmente se encontra num contexto pejorativo, quase sempre dita por alguém que está frustrado ou perdendo em alguma situação por aqui no Brasil. A conclusão de quem repete essa expressão é que a única solução é se mudar do país porque "aqui não tem solução". No entanto, essa frase possui uma continuidade lógica que passa despercebida: se o Brasil "não é para amador", logo ele é para profissional. Se não for profissional, não aguenta a lidar com o Brasil.
Ou seja, 'brasileiro' é a única nacionalidade do mundo que também é em si uma profissão.
O Brasil realmente não é adequado para amador, é para profissional. Se uma pessoa conseguir compreender essa realidade, muda tudo.
Ser brasileiro é uma profissão.
Ser brasileiro é herdar a Ilíada, a Odisséia, a Eneida, a Divina Comédia e Os Lusíadas.
Ser brasileiro é acolher qualquer imigrante do mundo e incorporá-lo em nossa cultura.
Chegou no Brasil, não importa a raça, a religião, a origem, basta vestir a amarelinha, falar mal do governo, pagar um iptu, tomar uma gelada ou fazer uma romaria para Aparecida que já é dos nossos. Nenhum país tem isso. Darcy Ribeiro (de "O Povo Brasileiro") dizia que "O brasileiro não é somente um feriado de sua miscigenação, mas a prova viva de sua capacidade de criar uma nova civilização, mesclando culturas tão diversas."
Nenhum país do mundo conseguiria receber 100 mil refugiados de guerra, seja eles ucranianos, africanos, judeus ou palestinos, sem mudar um milímetro a sua cultura, e sem que isso seja causa de qualquer ato de violência. Só o Brasil. Os outros não sabem lidar com isso.
De fato, o Brasil foi feito por profissionais.
https://t.co/YIddEltEgg
A Proclamação da República é um dos feriados mais importantes no Brasil, comemorado anualmente em 15 de nov. Representando o fim do Império e o início de uma nova forma de governo.
Leia mais: https://t.co/KNfYx8aXQD
#ProclamacaoDaRepublica, #feriado, #Brasil, #história, #governo
���💥 A política está em constante evolução, e é nosso dever como cidadãos estar informados e engajados! 💪 Vamos unir forças para construir um futuro mais justo, inclusivo e sustentável. 💙🌍 Juntos, podemos fazer a diferença e transformar nossas comunidades. #PolíticaParaTodos
Em qualquer país sério, a decisão do Senado de ontem geraria protestos.
Os senadores decidiram reduzir a própria carga horária e vão "trabalhar" apenas 3 dias por semana; com expediente que começa apenas às 14h da tarde.
Absolutamente nenhuma reação da população sobre isso.
@rrcs1291@VIVIEIRA51@adilsonesp O Estado disponibilizou para ele Este tipo de equipamento? Se sim, ok! Do Contrário, que alternativa tinha o policial, amigo!? O que você teria feito?
Alguém me explica isso
No Brasil há 16 mil ONGs apenas na região da Amazônia. O numero de índios que vivem em áreas rurais é de 572mil.
Isso quer dizer que para cada ONG, que recebe milhões por ano, são apenas 35 índios.
E mesmo assim temos uma crise de inanição???