Nikolas Ferreira e a Tática de Guerra Cavalo de Tróia do Bolsonarismo.
Uma das grandes vitórias do PT, no segundo turno, foi a retomada de Minas Gerais. Isso aconteceu porque Nikolas Ferreira não entende de guerra política, não entende de tática básica, só de pânico moral e apelo. Surpresa: isso tem limite.
A estratégia do PL foi levar Nikolas Ferreira a seis estados do Nordeste onde o bolsonarismo não tem grandes lideranças. Em todos, fizeram seus eventos, encontros, carreatas e festas. Mas presença não tem impacto sem mobilização de ruas.
Enquanto Nikolas ficou visitando estado por estado, a esquerda fez mais de um ato por dia em quase todos os estados da Região. E, para piorar, havia o "vídeo mais importante da vida" do Nikolas, o maior Cavalo de Tróia dessa eleição.
Ele fez um vídeo CARICATO, mostrando a miséria do Nordeste. O vídeo viralizou, a meta impulsionou, mas nem todo mundo em que isso chegou, gostou.
A esquerda já tinha antecipado esse movimento. Todo mundo sabia que ele ia fazer apelo moral quando divulgou agenda no Nordeste. Conseguimos vazamento de making off forjando cenário e instruindo atuação e todo mundo desmascarou os falsos atores que foram retratados como pobres.
Nikolas gravou isso na mesma cidade em que fez um vídeo, antes, sobre prosperidade. Prosperidade foi o tema da eleição e a esquerda ENTENDEU e trabalhou muito em cima dessa dor. Nikolas ignorou totalmente e veio falar de desigualdade kkkk.
Enquanto isso, erro tático básico: veio despreparado e expondo suas armas ao inimigo, deixando a retaguarda desprotegida.
O maior cabo eleitoral bolsonarista de Minas Gerais teve mais agenda no Nordeste do que em casa. Enquanto isso, a esquerda cresceu em MG com Ana Elisa, Janones e outras lideranças, ainda conseguindo uma aproximação com Cleitinho, que é de direita.
Nikolas perdeu duas numa lapada só e deu o maior tiro no pé do Bolsonarismo na campanha de segundo turno.
Nordestino não é imbecil, a gente sabe como seus apoiadores sulistas nos tratam.
🐼 MOMENTO FOFURINHA 🐼
DIZEM QUE AS PESSOAS EM SP NAO SAO SOLIDÁRIAS, OLHA ESSE RAPAZ AI PRA CALAR A BOCA DE TODOS
AJUDA ATE MORADORES DE RUA, ESSE MERECE DEMAIS
NAO PENSOU NEM DUAS VEZES EM DAR A QUENTINHA!
GÊNIOOOOOOOOO kkkkkkkkkKKKKKKK
@FabioPorchat nos entregando mais uma obra de arte. Detalhe no fio dental vermelho kkkkkkkkkkk
"Você fez mais pela saúde do que seu pai na COVID"
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
10 MILHÕES SEM UM FUZIL
#exercitododudu55#ExercitoDoLula#LulaMaiorDoMundo
Gente, vocês tem ideia de que isso daqui fez ele ser reeleito e se renovar na política?
Janones foi fundamental, sem ele não teríamos conseguido essa mobilização. Mas o combustível foi essa fala do Lula
Nós fomos a voz politica que queriamos ver
Antonio Gramsci entendeu o cristianismo melhor do que muitos cristãos. É isso que o torna perigoso e não os slogans que lhe atribuem.
Ele foi preso em 1926 e condenado a vinte anos, quatro meses e cinco dias. Escreveu trinta e três cadernos numa cela, entre 1929 e 1935, sob censura, num vocabulário cifrado onde marxismo virava filosofia da práxis e Lênin virava Ilitch.
A pergunta que o consumia era por que a revolução não vinha onde deveria vir. Venceu na Rússia agrária. Fracassou na Alemanha, na Hungria, na Itália.
Depois da morte dele, venceu na China camponesa, no Vietnã, em Cuba e em nenhuma sociedade ocidental madura.
Havia algo no Ocidente que repelia o golpe. A resposta dele foi que, atrás do Estado, existia uma linha de fortificações:
Escolas, imprensa, associações, famílias e, sobretudo, igrejas.
Marx tratou a religião como ópio, um sintoma a ser dissolvido. Gramsci tratou-a como fortificação, uma posição a ser tomada. Chamou isso de hegemonia:
O consentimento que se fabrica antes de qualquer voto, no terreno daquilo que as pessoas simplesmente consideram óbvio.
O camponês italiano não se revoltava não porque estivesse satisfeito, mas porque possuía uma ordem de sentido que explicava o mundo, a dor e a morte melhor do que qualquer panfleto. Enquanto essa ordem se transmitisse de pais para filhos, não havia revolução possível.
Logo, escreveu, a guerra decisiva é anterior à política e é travada dentro das instituições que formam a consciência.
Estudou a Igreja Católica com uma atenção que nenhum inimigo dela dedicou. Considerava-a a mais duradoura máquina de formação de consenso já construída e o que o fascinava era exatamente aquilo que os cristãos costumam achar banal: a capacidade de manter o teólogo e o camponês dentro da mesma fé, por séculos, sem que a estrutura se partisse.
Estudou a disciplina dos jesuítas como caso organizacional e concluiu que o partido precisava fazer o que a Igreja fazia: ser o Príncipe moderno, um organismo coletivo que não apenas dispute o poder, mas forme homens.
Um partido contra-Igreja, com ideologia própria e ocupando o lugar de Deus. Não é força de expressão:
Gramsci escreveu que o Príncipe moderno toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, e se torna a base de uma laicização completa da vida e dos costumes.
O erro de quem o combate é tratá-lo como problema econômico. Não é. A filosofia da práxis, no vocabulário dele, é historicismo absoluto e mundanização absoluta do pensamento. Ou seja:
Não há ordem transcendente, não há natureza humana estável, não há lei natural, não há verdade que não seja filha da sua época. Tudo o que existe foi construído historicamente e, portanto, pode ser desconstruído.
O ataque não é ao lucro, é ao ser. Se nada é dado por Deus, então família, matrimônio, sexo e pessoa são arranjos negociáveis, e a revolução não precisa expropriar fábrica nenhuma: basta reeducar.
Em 1985, Ernesto Laclau e Chantal Mouffe pegaram a hegemonia gramsciana e trocaram explicitamente o proletariado por uma cadeia de demandas identitárias. Foi assim que a revolução de classe virou revolução de identidade, com o mesmo método e outro sujeito.
Augusto Del Noce viu ainda mais fundo. Para ele, o marxismo terminou como o grande servo do niilismo (posição de que não existe fundamento último, nem para a verdade, nem para o valor, nem para o sentido da vida) e seu fruto real foi a sociedade esvaziada da pergunta pelo sentido.
A revolução não veio de foice na mão. Veio como indiferença, como uma sociedade que não persegue a fé porque simplesmente já não consegue formulá-la.
— No Front Militar