A mais HUMANA entre as grandes histórias que acompanhamos na NBA, acaba aqui.
Russell Westbrook se aposentou.
Humana porque não foi perfeita, longe disso.
Westbrook foi um jogador que se tornou mais falho ao longo do tempo, com as revoluções do jogo, com as novas formas de se pensar um time vencedor, campeão, o que diz muito sobre seu mercado dos últimos anos, quando não foi parte do centro das atenções.
Mas há algo nessas histórias que envolvem personagens como Westbrook que instigam o ser humano, e por isso ele teve tantos e tantos fãs, dos quais fui parte.
A trajetória em OKC simboliza muito disso, o homem de um projeto que deveria durar muitos anos, vencer muitos títulos, que poderia o coroar como o melhor armador da NBA, com seu atletismo e capacidade física tão encantadoras, em uma posição que tanto mudou desde que ele era só um novato, até o último dia, hoje.
O MVP, sua maior glória na carreira, veio no momento mais improvável de todos, quando a franquia parecia condenada após perder Kevin Durant, mas respirou porque Russell Westbrook se manteve leal.
Leal aos princípios, leal a quem o escolheu, deu uma chance para quem lhe deu uma chance, falhou de novo, foi derrotado, porque a jornada do herói nem sempre é sobre glórias.
Quando enfim saiu de Oklahoma, facilitando a transição da equipe que hoje vive sua era dourada, deixou pra trás uma cidade que na verdade, jamais o esqueceu.
Porque mesmo títulos e taças podem não despertar tantas paixões como alguém tão obstinado por vencer em qualquer situação, como Westbrook.
Ele mais perdeu, do que conseguiu vencer, não encontrou mais uma casa pra chamar de sua, por mais que as passagens por Houston, Washington, Clippers e Denver tenham sido boas, diferentes do desastre que mudou de vez sua percepção na NBA pelo Lakers.
Nenhum jogador dividiu mais opiniões, polarizou tanto amor e ódio e acertos e erros em uma proporção tão elevada nessa geração… fez parte do porque tantos o amaram com tamanha profundidade.
Ele não foi o melhor jogador, ele não foi campeão, mas com certeza foi o dono de seu próprio épico, o que muitos não conseguem ser, mesmo com taças e prêmios.
É justo que a jornada acabe pelas mãos dele, meio que reconhecendo o quão difícil sua situação de mercado ficou, houve um declínio, natural, o tempo sempre chega, mas fico feliz que sua carreira não tenha tomado os rumores que outros jogadores históricos não conseguiram superar, tentando se agarrar a algo que não mais lhes pertencia.
O peso foi grande nos últimos anos, recebeu ameaças de morte, cobranças em tom desproporcional, ainda tinha coisas para entregar em quadra, por mais que já não fosse o mesmo jogador.
Mas a mais humana das histórias, acabou nos termos de um jogador que dentro e fora da quadra, se mostrou o mais humano dos heróis desta geração.
Por isso, o basquete te deve uma, Russ.
Por isso, todos nós também te agradecemos pelos anos, com seus erros, falhas, sucessos, alegrias e acima de tudo muito suor e sangue de quem jamais se entregou.
Lenda da NBA, dia triste.