O negócio que Portugal fez nos últimos anos foi: exportar pessoas com produtividade do 1o mundo, e importar pessoas com produtividade do 3o mundo e dar-lhes serviços públicos gratuitos de 1o mundo.
A HIPOCRISIA FRANCESA
“ A França convocou uma reunião do CS/ONU por causa do Líbano. É um típico gesto francês. Quando a realidade se torna desagradável, organiza-se uma reunião, emite-se um comunicado e culpa-se Israel. É a diplomacia como pomada para dores do cotovelo.
Macron declarou que “nada justifica” o avanço israelita no sul do Líbano. A frase é tão admirável como certas peças de museu, isto é, não serve para nada, mas diz muito sobre a época que a produziu. Segundo Paris, Israel tem direito a defender-se do Hezbollah, desde que não o ataque; tem o direito de proteger os seus civis, desde que não neutralize quem os mata; tem direito à segurança, desde que esta continue confiada à moderação da Guarda Revolucionária iraniana e à vigilância guterrista e pantanosa da ONU. Um plano impecável, se a guerra fosse só uma manifestação de vândalos islâmicos em Paris.
Enquanto Paris palrava, Israel tomou Beaufort. O contraste dispensa legenda. De um lado, a reunião. Do outro, a acção. De um lado, adjectivos. Do outro, geografia militar. Beaufort não é apenas uma ruína bonita. É altura, observação, domínio do terreno, controlo das aproximações ao Litani e pressão sobre as rotas do Hezbollah. Quem domina aquela crista vê primeiro, ataca melhor e morre menos. Detalhes desinteressantes para quem olha para o mundo de uma poltrona exalando suspiros humanitários.
Macron diz defender a soberania libanesa. Magnífico. Mas que soberania é essa em que uma milícia armada, financiada e dirigida pelo Irão ocupa o sul do país, escava túneis, armazena rockets e usa território libanês para atacar Israel? Que soberania é essa que o governo libanês não exerce, a UNIFIL não garante e o Hezbollah despreza? Exigir que Israel respeite uma soberania que o próprio Líbano perdeu para o Irão é transformar o direito internacional num monumento ao absurdo.
Porque será que Paris faz esta figurinha?
Talvez o Qatar, convenientemente instalado em Paris com cheques, futebol, hotéis, luxo e prudências bem vestidas. Não é preciso imaginar ordens directas de Doha para perceber que o dinheiro cria ambientes. E há ainda subúrbios inflamáveis, Mélenchon a transformar a “causa palestiniana” em missa laica, e uma República tão valente a dar lições a Israel quanto tímida perante os seus próprios incêndios.
A posição francesa é hipócrita e não defende o Líbano. Defende a mentira de que o terrorismo deve ser compreendido e a democracia que se defende deve ser repreendida. O escândalo não é Israel ter tomado Beaufort. O escândalo é Paris preferir condenar quem se defende (como a França se defenderia se alguém a atacasse), a enfrentar quem transformou o Líbano numa caserna iraniana. Beaufort foi mau para o Hezbollah. Mas, sobretudo, expôs a França, velha hipócrita sem coragem para afrontar quem teme, e cheia de farronca para bater no judeu, cercado pela matilha, mas que já não aceita morrer em silêncio.”
Coronel José Rodrigues do Carmo