Pela quadragésima vez, um participante do BBB se mostrou um completo nojento, dentro e fora da casa, com denúncias e relatos que vão de assédio durante o programa até um possível caso de pedof*lia fora dele.
Felizmente, a Justiça e o Ministério Público já estão sendo acionados, e o participante já está de saída do programa.
Isso é importante. As condutas foram publicizadas, e é essencial que o poder público se atente a tudo isso.
Mas acho que já passou da hora de questionar: com toda a pesquisa prévia da Rede Globo sobre os futuros participantes do BBB, é sério que, todo ano, eles são incapazes de detectar participantes com comportamentos nocivos, especialmente contra as mulheres ou até crianças?
É sério que, de Laércio a Pedro, nunca percebem nada? Nunca suspeitam de nada? Nunca refletem, por um instante, sobre quem estão presenteando com um possível estrelato nacional?
Precisamos, sim, sempre, nos enojar e denunciar cada caso de assédio cometido pelos participantes de um programa com um alcance desses.
Mas também devemos nos questionar e questionar o programa que consumimos. A possibilidade de que esses casos não sejam por acaso deve alarmar a todos.
Seja por acidente, ao não considerarem o assédio sexual uma possibilidade real nociva ao programa, ou intencionalmente, ao considerarem o assédio sexual como uma possibilidade real benéfica aos números de audiência.
Torço para que todos esses casos sejam infelizes acidentes. Mas, por enquanto, o histórico do programa é triste: em quase toda edição acabam convidando um assediador, e quase nunca convidam mulheres como a Ana Paula Renault.
É, no mínimo, hora da Globo repensar seus processos. O assédio sexual afeta, sistematicamente, mais de 50% da população brasileira. Não podemos aceitar que ele seja normalizado em um programa que atinge e influencia tanta gente.