Ué, os jogadores de futebol deles voltaram pra casa mesmo com a derrota? Não foram jogar pôquer? Não foram pra um cruzeiro?
Foram pro meio do povo?
Que loucura...
Eu vou falar algo que com certeza é coisa de tiozão, mas, assistindo a esse vídeo, vendo o povo aplaudindo e indo receber a Seleção vice-campeã (que fez uma Copa cheia de altos e baixos, além de ter perdido a final sem ver a cor da bola), sorrindo, feliz e valorizando os jogadores, fica evidente como essa conexão mudou.
A conexão com a Seleção se perdeu primeiro quando ela parou de jogar no Brasil. Hoje, só atua aqui pelas Eliminatórias porque a FIFA obriga; caso contrário, jogaria em Londres ou Miami. A segunda ruptura aconteceu quando os jogadores se tornaram totalmente inacessíveis, restritos às redes sociais e a falas meticulosamente ditadas por assessores de imprensa. A terceira é que você não vê sinceridade por parte dos jogadores: parece um fardo jogar pela Seleção, uma obrigação apenas para ganhar mais dinheiro com patrocinadores e massagear o ego.
Detalhe: a Seleção vice-campeã de 1998 voltou inteira para o Brasil. A de 2026 voltou com apenas dois jogadores. Os outros foram passar as férias em paraísos pelo mundo, dando satisfações cheias de Deus e frases de coach, enquanto se preparam para a próxima Champions League. Afinal, é isso que importa para eles.
2006, perdemos para a França. Finalista da Copa, com Zidane. Decepção, mas era do jogo.
2010, perdemos para a Holanda. Time encardido, Felipe Mello entregando a paçoca. Outra decepção, mas ainda era "normal".
A anormalidade começou em 2014. E, desde então, ela virou o normal.
O Atlético lamenta o falecimento de Vicente de Paula Lage, o 'Cento e Nove', treinador do Clube na década de 1980.
Prestamos a nossa solidariedade e desejamos força aos familiares e amigos neste momento de luto.
Na foto, de 1985, Vicente aparece ao lado do zagueiro atleticano Olivera, de Frank Rijkaard e do histórico Johan Cruyff, que iniciava sua carreira de treinador com o título do Torneio de Amesterdã.
Descanse em paz, Cento e Nove!
📸: @galodigital
Isso não é um simples "erro". Esse suposto esquecimento do Jairzinho faz parte de um processo que já acontece há anos no futebol de clubes: a tendência de relegar o passado a algo secundário.
Já cansei de ler que "antigamente a Copa tinha só 16 seleções, então era mais fácil", que o futebol daquela época era inferior ou até que era "outro esporte". E a tendência é piorar.
As novas formas de comunicação sobre futebol vivem da lógica de que tudo precisa ser "histórico", "sem precedentes" e urgente. Nesse ambiente, só o agora parece importar. O passado vira algo a ser descartado.