POEMA À ÁGUA
Lentamente numa garganta de pedra uma mão na sebe
Lentamente num fuso horário uma manga
O ferro o mar a ínsula
O rio
-a água i-
A chuva
Gotas na estrada
Imerso o diapasão
Deixaram os portos
Deixaram os barcos
O que pertence aos oceanos é a vida não o plástico
Humedecida a retorta
Gargalha a porta
Por esse rio acima
Sôbolos rios
O parto
Já não parto
A sobreda
Ranchos
O vestido na banheira
O duche
A bacia
O alpendre
A baía
O que pertence aos oceanos é a vida não o plástico
Peixes e mamíferos
Marmota
Depenada condição
(Despejar o lixo no mar)
Caos
Os pedaços de estanho e de ranho
A torneira vazia África
As piscinas da nossa conveniência
Os resorts
O turismo abundâncias
Não cortes o riacho com a tua pedra morrida
Relembrar a lágrima
Nós somos sobretudo água
As nuvens e a água
Os dilúvios da Bíblia
As arcas de Noé
Episódios de um Titanic estrondo
O navio sem Deus
Naufrágios
Virginia Woolf morreu afogada
Porque assim quis
Num dia de março, 28
Uma toalha molhada
O calor e o frio
Os conquistadores dos mares
Depenada condição
-A Natureza também se revolta-
Água não és mágoa
Mas quantas vezes te maculamos
Na nossa oca odisseia
Água, Paideia
#ceciliabarreira