Sim, e isso casa com a cosmovisão grega. Eles racionalizaram o que puderam (claro, aqui pulando pra Grécia clássica) mas ainda assim essa cosmovisão que foi mãe da filosofia precisa abarcar as contradições e injustiças que acontecem no mundo. Eles acreditavam num cosmo simétrico e hierárquico: inteligível, portanto causal. Ainda assim, como explicar um “pior” vencendo um “melhor”? Difícil explicar o belo se comportando com injustiça?
Para conciliar essa cosmovisão com as contradições apresentadas pela realidade, um grupo de divindades que, ainda que operem sobre as amarras da simetria e da hierarquia, tem temperamentos e desvios e operam na nossa realidade muitas vezes como um elemento caótico.
Ademais, além de tudo isso, você precisa se lembrar do porque a guerra começou: Éris (deusa da discórdia), joga uma maçã (ou o pomo da discórdia) destinada à deusa mais bela. Aí estavam Hera, Atena e Afrodite.
Para determinarem a mais bela elas elegem Páris e cada uma ofereceu um prêmio a ele:
Hera: se tornam rei da Ásia .
Atena: sabedoria infinita e vencer todas as batalhas.
Afrodite: a mulher mortal mais bela.
Páris escolhe Afrodite, Helena é a mortal mais bela e o resto é história.
A desavença c/ Tróia por parte de Hera e Atena é essa. E é por isso que Afrodite intervém por Páris na contenda contra Ajax, por exemplo.
Enfim, o que eu quero dizer é que há o elemento caótico , mas há também certa lógica nas posições.
Sim, e isso casa com a cosmovisão grega. Eles racionalizaram o que puderam (claro, aqui pulando pra Grécia clássica) mas ainda assim essa cosmovisão que foi mãe da filosofia precisa abarcar as contradições e injustiças que acontecem no mundo. Eles acreditavam num cosmo simétrico e hierárquico: inteligível, portanto causal. Ainda assim, como explicar um “pior” vencendo um “melhor”? Difícil explicar o belo se comportando com injustiça?
Para conciliar essa cosmovisão com as contradições apresentadas pela realidade, um grupo de divindades que, ainda que operem sobre as amarras da simetria e da hierarquia, tem temperamentos e desvios e operam na nossa realidade muitas vezes como um elemento caótico.
Ademais, além de tudo isso, você precisa se lembrar do porque a guerra começou: Éris (deusa da discórdia), joga uma maçã (ou o pomo da discórdia) destinada à deusa mais bela. Aí estavam Hera, Atena e Afrodite.
Para determinarem a mais bela elas elegem Páris e cada uma ofereceu um prêmio a ele:
Hera: se tornam rei da Ásia .
Atena: sabedoria infinita e vencer todas as batalhas.
Afrodite: a mulher mortal mais bela.
Páris escolhe Afrodite, Helena é a mortal mais bela e o resto é história.
A desavença c/ Tróia por parte de Hera e Atena é essa. E é por isso que Afrodite intervém por Páris na contenda contra Ajax, por exemplo.
Enfim, o que eu quero dizer é que há o elemento caótico , mas há também certa lógica nas posições.
Canto VI, Ilíada
1. Diomedes encontra Glauco - e o questiona quem é. Busca saber se é imortal ou humano pois não quer ter a sina de Licurgo, que ousou desafiar os deuses. “Quem és, herói, como te chamam os mortais?” (Quase frase linda, aliás). Após Glauco, longamente, expor sua descendência, Diomedes percebe que as histórias de suas famílias se cruzam. Favores foram trocados e relações estabelecidas e este propõe não empunharem armas um contra o outro.
Se estar na guerra de Tróia é dever e honra e estás sao virtudes para o grego, ao sugerir o não combate ao invés da glória, podemos vislumbrar um pouco do sistema de valores do herói grego. Diomedes se destaca no poema por sua bravura, até mesmo numes são vitimados por ele, no entanto, há hierarquia de valores e essa é a força motriz da ação (eis o sistema ético).
2. Diálogo entre Heitor e Andrômaca - Andrômaca aos prantos, tenta dissuadi-lo de ir ao combate, dizendo que ele cairá e que poderia escolher ter uma vida longa com sua família. Aqui o interessante é a resignação estoica com a qual Heitor encara seus deveres. (Lembrando que estoicismo é uma filosofia que vem depois da era clássica grega tendo seu apogeu em Roma, ou seja, mto tempo depois. Porém, encontramos suas raízes já nos livros de formação do homem grego).
Heitor diz que sabe que um dia Tróia cairá, que será findado por algum aqueu e que Andrômaca será feita de serva.
Chega a dizer: “ninguém há de lançar-me ao Hades contra a sina, mas não existe alguém que evite a própria moira…”
Ainda assim, foi EDUCADO para estar na frente do campo de batalha, de buscar a glória de seu pai e sua e no fim da cena, ao abraçar seu filho, o que deseja é o mesmo à sua prole. Que seja reconhecido por ser forte, que tenha superado seu pai e que seja rei de Tróia.
Nota sobre a resignação ante ao destino que mencionei: já fazia parte do sistema ético grego aceitar seu destino. O grego via o destino como inexorável. As 3 irmãs fiadeiras o tecem, só resta você percerrê-lo. Percebe como acovardar-se é uma grande desonra, portanto vergonha?
Percebe como, inevitávelmente, 4 séculos depois, Sócrates não aceitaria ser persuadido por Críton e fugir de sua sentença? Para Sócrates, nunca houve a possibilidade de não cumprir seu destino. Nem para Heitor
Decidi postar mais sobre a leitura, canto a canto, o que me chamar a atenção e achar que vale a pena compartilhar. Assim fixo melhor o poema e minhas reflexões. O que acham?
O que estava sob disputa você esclareceu na primeira frase, estamos de acordo.
Sobre generalisações, podemos dizer sobre elas o mesmo que o Taleb diz sobre modelos: todos estão errados, mas alguns são úteis.
Ou até mesmo sobre as médias, nenhuma representa fielmente uma distribuição, no entanto podem ser úteis.
Não estou argumentando em favor da generalização feita, mas da utilidade da generalização. Toda metafísica tende à universalidade, grosso modo, generalização.
Ilíada, Canto V - Interessante essa passagem onde Atena fala com Diomedes e o incita à batalha e como isso tem TUDO a ver com o logos da Grécia clássica e como através desse trecho podemos entender um pouco do sistema de formação dos valores gregos.
A Ilíada para os gregos não é só um épico, é um poema formativo, era sinal de ilustração recitar cantos ou até mesmo a Ilíada inteira. Somente os bem educados tinham tal capacidade. Devemos sempre nos lembrar que no livro X da República, Platão, através de Sócrates, nos diz que “Homero educou a Grécia”.
Dito isso, é importante vermos a Ilíada como uma obra de formação central do homem grego. Toda a Paideia, se encontra ali.
Nesse trecho em específico, para encorajar o herói, pela segunda vez na obra, Atena recorre à ancestralidade, fala dos feitos de Tideu (pai de Diomedes), mexe com o brio remontando ao antigo monarca “origem” da linha. Ao final, ela profere que o estará protegendo. E aqui é onde reside o mais interessante. Atena a não está lançando um “encantamento” em Diomedes, pelo menos não só isso. Se esse fosse o caso, bastava a última sentença de seu discurso, no entanto o que ela faz é isso, mas também é outra coisa. Além do encantamento, há a evocação da bravura e através do logos a Deusa cria a inspiração no herói.
Antes de tudo, ela o faz recordar de sua dívida de grandeza para com seus antepassados. Homero não evoca a benção divina, ele a coloca como um dos componentes do heroísmo e se, como eu disse anteriormente, a Ilíada é obra central na Paideia, Homero está sedimentando no sistema de valores grego a moralidade da bravura, a ideia de honrar sua hereditariedade, fortalecer os vínculos familiares centrados na honra e na manutenção da grandeza e tudo isso através do logos, discurso.
@juno161985 A cabei de ler o canto VI. Encontro de Diomedes e Glauco, diálogo Heitor e Adrômaca e diálogo Heitor e Alexandre. Muito bom. Talvez escreva sobre tbm