💎Sobre o caso Henry Borel, evidentemente que o perdão judicial à mãe da criança é um acinte brutal à família brasileira. Toda a minha solidariedade ao pai da criança. No entanto, o que mais chama a atenção é que muitos daqueles que estão criticando a decisão judicial equivocada são os mesmos que votaram favoravelmente ao PL da criminalização da misoginia, o qual servirá - e já está servindo- para vitimizar mulheres sem escrúpulos exatamente como a Sra. Monique.
Esse lixo não se importou quando Bolsonaro foi julgado por um juíz imparcial. Agora que o chicote está batendo nele, ele se lembrou que um juíz não pode julgar quando faz parte direta da causa. 🤮
Ana Paula critica a forma como muitos homens idolatrizam jogadores de futebol mais do que respeitam mulheres:
“Já imaginou se os homens admirassem as mulheres como admiram jogadores de futebol? A violência contra mulher cairia mais que o Neymar em campo.”
Nada de grave, afinal, chamá-lo de “irmão em Cristo”. O próprio Cristo disse: amai os vossos inimigos, pois que mérito tendes em amar apenas os que vos amam? A caridade cristã, essa velha senhora de gestos largos, sempre tolerou excessos de afeto.
O que espanta, sim, é a desproporção cirúrgica, pois a mesma pessoa resolveu rebatizar Allan Santos como Allan dos Demônios. O trocadilho desceu do púlpito ao inferno com uma velocidade que faria inveja ao próprio Lúcifer. Trocar “Santos” por “demônio” não é mera ironia; é um salto mortal sem rede, um soco no sobrenome alheio com luva de ferro.
Há algo de profundamente contemporâneo nessa falta de medida: a mesma boca que oferece o pão da fraternidade é capaz de servir, no prato seguinte, o fel do deboche refinado. Equilíbrio? Nem sombra de equilíbrio. É o tempo dos extremos elegantes e aberrantes, onde se ama o próximo com a mão esquerda e se apunhala o seu nome com a direita, ou vice-versa, tudo em nome do Senhor, claro.
Sinal dos tempos? Talvez. Ou apenas o velho hábito humano de pregar o Evangelho com a boca e praticar Maquiavel com o resto.
No romance Os Demônios de Dostoiévski, Pyotr Verkhovensky surge como o protótipo perfeito do revolucionário niilista: um manipulador frio que exige dos outros uma pureza ideológica absoluta, uma submissão canina à causa, onde qualquer desvio do dogma equivale a traição mortal. Para si, porém, reserva o privilégio da exceção: chantagem, intriga psicológica, mentira sistemática e, quando necessário, o assassinato como instrumento de higiene partidária. Retirem-se os cadáveres, e Pyotr espelha com fidelidade desconcertante certo “intelectual” da direita contemporânea brasileira: o mesmo que aplica ao nome Bolsonaro, sobretudo a Flávio, o crivo mais estreito, o filtro mais impiedoso, exigindo dele uma lisura de santo laico, enquanto engole camelos e elefantes inteiros das velhas improbidades esquerdistas, com a indiferença de quem já se habituou ao cheiro de enxofre.
Há quem invoque, em defesa de Flávio, a metáfora da mulher de César: não basta ser honesto, é preciso parecer honesto. Nada o incrimina de fato, salvo as “manipulações psicológicas” que a ala hipócrita da direita limpinha agora entoa com afinco de réquiem. São as mesmas vedetes que, diante do breu mais denso da nossa história recente, exigem luz absoluta dos únicos fósforos que restam acesos e perdoam, ou convenientemente esquecem, as trevas mais antigas e mais vastas da política nacional.
Essas figuras lembram irresistivelmente outra grande criação da literatura russa: a Condessa Lídia Ivánovna, de Anna Karenina, obra de Tolstói. Espécie de arauto da moralidade mundana, ela encarna a elite pseudo-religiosa e farisaica que se arroga o direito de julgar e condenar. É ela quem lidera o boicote implacável contra Anna, não pelo adultério em si, pecado que a alta sociedade moscovita sabia muito bem dissimular, mas pelo escândalo de haver rompido o pacto do fingimento.
Enquanto as aparências se mantivessem, tudo era tolerável; quebrado o verniz, a guilhotina social caía sem misericórdia.
A analogia com Flávio é quase cruel de tão exata. Aconselhado a “parecer honesto”, a pedir desculpas públicas por um pecado que nunca cometeu, ele é instado a participar do teatro da contrição para aplacar os moralistas de plantão. E assim, vemos todos os dias que o fogo amigo não cessa porque a guilhotina moral está reservada, com zelo particular, à família Bolsonaro. E está, porque o exemplo bruto, quase despudorado de tão original e humano (e vital) de Jair expõe, desde sempre, a hipocrisia ossificada dos que se dizem seus pares. Eles não perdoam nele a ausência de fingimento. Repito: eles não perdoam nele a ausência de fingimento, essa virtude rara que, para os fariseus de todas as épocas, é o verdadeiro pecado imperdoável.
🇧🇷🗳️ VEJA: Ciro confunde apoiador fazendo “C” com as mãos com gesto ligado à facção criminosa.
- “Tá querendo ser preso?”, questiona.
- “É de Ciro”, responde o público e o tucano se desculpa.
Ela deu um tapa no rosto do professor.
Ele apenas pediu que ela se desculpasse.
Ela continuou o insultando.
Então ele perdeu a cabeça e reagiu.
Ele errou?
Nas últimas eleições, votei em Jair Bolsonaro. Conheci ele uma vez em Brasília e tive uma boa impressão pessoal. Também defendo que nem ele nem os presos de 8 de janeiro tentaram dar um golpe de Estado. Na minha visão, houve exageros jurídicos, prisões desproporcionais e uma narrativa política construída para transformar um episódio grave de desordem em algo equivalente a uma ruptura institucional clássica. Dito isso, voto não é herança genética nem transferência automática de sobrenome. Política séria exige avaliação de projeto, preparo, propostas e capacidade real de governar. Meu voto será de quem demonstrar compromisso com liberdade, responsabilidade fiscal, segurança e respeito ao país. E eu estou de olho.