Vcs lembram da minuta do golpe?
Lembra como feita a correlação com o Bolsonaro e seus assessores?
Até log de impressora do planalto levantaram.
Foi tudo com base em metadados
Valeu como prova robusta.
Vamos ver se agora valerá também
147 milhões de unidades de Glifage XR. Mais de 154 milhões de unidades de losartana. R$ 8,5 bilhões em Mounjaro ao longo de 12 meses. Metformina para diabetes, losartana para hipertensão, tirzepatida para obesidade. O balcão da farmácia virou um retrato mais honesto do Brasil do que o discurso oficial.
Nas capitais, 62,6% dos adultos estão com excesso de peso e 25,7% têm obesidade. Em 2006 eram 42,6% e 11,8%. A obesidade mais que dobrou. Entre mulheres, chega a 26,7%; entre os de 35 a 44 anos, 30,1%; entre os de 45 a 54 anos, 31,7%; entre quem não estudou ou não completou o ensino fundamental, 29,7%.
A caricatura estatística é quase esta: café da manhã, Glifage. Almoço, losartana. Jantar, sinvastatina. Antes de dormir, algo para a ansiedade, a depressão ou o sono. Entre 2,5 milhões de usuários acompanhados por um programa de benefício-farmácia, antidepressivos são a segunda classe mais utilizada, atrás dos antibióticos, e o consumo entre adultos de 29 a 58 anos cresceu 12,4% em um ano.
O Vigitel completa a cena: o diabetes diagnosticado saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024. Hipertensão, de 22,6% para 29,7%. A depressão referida chegou a 14,5% e a 19,7% entre as mulheres.
Não falta comida. Falta saúde.
Na POF 2017-2018, os ultraprocessados representavam 18,4% das calorias consumidas em domicílios. No consumo individual, eram 19,5% entre adultos e 26,7% entre adolescentes. O Brasil não saiu simplesmente da fome. Entrou numa abundância industrial de açúcar, gordura, sódio, aditivos, conveniência e publicidade.
Existe algo de economia planificada nisso. Não no sentido soviético de tabelar o pão, mas numa versão tropical mais eficiente: planeja-se o consumo, estimula-se o crédito, subsidia-se a demanda, celebra-se o acesso ao mercado e depois administra-se a doença produzida pelo próprio ambiente.
É quase uma alimentação planificada para o colapso.
O Estado conhece os números. Regula o que entra nos alimentos. Define rotulagem, tributação, publicidade, merenda escolar, política agrícola e assistência farmacêutica. Sabe quanto o brasileiro pesa, quantos têm diabetes, quanto o SUS gasta e quanto faturam as indústrias nas duas pontas do ciclo.
E mesmo assim a grande medida de sucesso político continua sendo consumo.
Lula construiu sua narrativa sobre colocar comida na mesa e ampliar o acesso do pobre ao mercado. O problema é que o pobre não foi emancipado. Foi incorporado à engrenagem. Entraram cartão, consignado, parcelamento, delivery, ultraprocessado, aposta e dívida. Depois, hipertensão, diabetes, obesidade e remédio.
É um cassino social com várias mesas e a mesma ficha.
O sujeito recebe renda, consome. Falta dinheiro, toma crédito. O crédito acaba, parcela. A comida barata adoece, ele se medica. A ansiedade aumenta, medica-se de novo. Engorda, procura uma caneta de milhares de reais. Não pode pagar, recorre ao sistema público. Em cada estágio alguém fatura e, no centro, há um cidadão cada vez mais dependente.
Em julho de 2026, 82% das famílias brasileiras tinham alguma dívida. Entre as que ganham até três salários mínimos, 84,9%. Destas, 38,5% estavam inadimplentes. O cartão de crédito aparecia em 85,3% dos lares endividados.
Esse é o novo pobre brasileiro. Não necessariamente faminto, mas mal alimentado. Não excluído do consumo, mas aprisionado nele. Bancarizado, parcelado, endividado, inflamado, acima do peso e medicalizado.
Pode ter geladeira cheia e metabolismo destruído. iFood e diabetes. Cartão de crédito e nenhuma reserva. Três refeições por dia e três medicamentos para suportar o cotidiano.
A engrenagem fecha perfeitamente. Mounjaro, Wegovy e Ozempic movimentaram R$ 13,3 bilhões nos doze meses encerrados em maio de 2026. Só o Mounjaro respondeu por R$ 8,5 bilhões. Uma indústria vende a comida que engorda. Outra vende o tratamento que emagrece. O banco financia as duas. O Estado arrecada, regula, trata as consequências e continua anunciando consumo como vitória social.
@papini_antonio@JMilei Estive em Posadas, no norte da Argentina, capital da provincia “mais pobre” do país.
Não se ve moradores de rua, o comércio está movimentado, vários locais com oferta de emprego.