“O amor é um mestre, mas é preciso saber adquiri-lo, porque é difícil adquiri-lo, custa caro, um longo trabalho que demanda um longo tempo, porque não se deve amar apenas por um instante fortuito, mas até o fim”.
Fiódor Dostoiévski, escritor e jornalista.
Josefina Soria, poeta espanhola, escreve sobre a coragem de devolver palavras, promessas e tudo aquilo que já não nos pertence. Mas, no fim, guarda o amor. Porque o amor que sentimos nunca pertenceu ao outro. Era nosso. Freud talvez dissesse que sempre foi.
A reflexão de Tony Bellotto, dos Titãs, merece atenção.
O momento político atual vai além de uma disputa entre direita e esquerda; o que está em jogo é a defesa da democracia diante do avanço de ideias autoritárias.
Por isso, soa contraditório que setores da extrema direita se apresentem como defensores da “liberdade”, enquanto frequentemente atacam a diversidade, os direitos de grupos sociais e a pluralidade de pensamento.
Democracia se fortalece com diferenças; o autoritarismo, ao contrário, busca sufocá-las.
“O mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando”.
João Guimarães Rosa, poeta, escritor, médico e diplomata.
No dia 4 de Julho, o senhor da Guerra completa 250 anos. Uma trajetória de muitas bombas, algumas delas atômicas. Tudo para saquear as riquezas dos países. Felizmente o império está em declínio e essa música anuncia novos tempos.
Não sei se vocês estão percebendo, mas existe um movimento crescendo no Brasil e no mundo que funciona quase como uma religião da riqueza.
É uma espécie de supremacismo de rico. Uma ideologia que tenta convencer a sociedade de que pobre é menos inteligente, menos capaz, menos digno, menos humano. É por isso que a gente vê influencer, coach e esse tipo de figura dizendo que pobre não deveria votar, que trabalhador não tem cognição, que pobreza é sujeira, burrice ou preguiça.
E o mais assustador é entrar nos comentários dessas pessoas.
Você entra no perfil de um coach que está demonizando pobre, humilhando trabalhador, dizendo que pobre não deveria ter direito, e tem um monte de gente aplaudindo. Você entra no vídeo de uma influenciadora dizendo que mulher não deveria votar, e também tem gente apoiando. É gente defendendo abertamente a retirada dos próprios direitos, como se isso fosse sinal de inteligência, coragem ou superioridade moral.
Isso não é opinião solta. É projeto.
É gente que ganha dinheiro em cima dos pobres, vendendo curso, vendendo fórmula mágica, vendendo humilhação fantasiada de meritocracia. E é bom deixar uma coisa muito clara: quem ganha 10 mil, 20 mil por mês, não é rico no sentido real do poder. Se a pessoa depende do próprio salário para sobreviver, se perde a renda e entra em desespero, ela está muito mais perto do trabalhador comum do que da elite.
O problema é que muita gente que ganha um pouco mais passou a se enxergar como parte da elite, quando na verdade continua sendo trabalhador. Continua dependendo de emprego, de contrato, de cliente, de salário, de renda mensal. Só que foi convencida a odiar quem está embaixo, enquanto idolatra quem está muito acima e jamais vai aceitá-la como igual.
O que esse movimento tenta fazer é animalizar o pobre. Transformar trabalhador em lixo. Transformar desigualdade em culpa individual. Transformar privilégio em superioridade moral.
Isso lembra a lógica dos movimentos supremacistas da história: primeiro desumaniza, depois naturaliza a violência, depois tenta tirar direitos. A extrema direita sempre testou esses limites. Bolsonaro fez isso durante anos, ofendendo mulheres, negros, pobres, indígenas, LGBTQIA+, e muita gente tratou como piada.
Só que não era piada. Era método.
Hoje a gente vê gente pobre aplaudindo quem quer tirar o direito dela de votar, de estudar, de se tratar, de circular pela cidade, de ter acesso ao mínimo. Isso é lavagem ideológica. É fanatismo de classe. É a pessoa sendo convencida a admirar quem despreza a sua existência.
E isso se conecta diretamente com uma política que trata representante do povo como celebridade, como casta, como gente acima da sociedade. Só que político não é dono do país. Político é empregado do povo.
O alerta é esse: não é um caso isolado, não é um vídeo perdido, não é um coach falando bobagem para viralizar. É um movimento organizado de desumanização da pobreza. É a tentativa de transformar riqueza em religião e pobre em inimigo.
Quando uma sociedade começa a achar normal humilhar quem trabalha, quem pega ônibus, quem usa serviço público, quem depende do SUS, quem vive do próprio salário, essa sociedade já passou do limite do absurdo.
A gente precisa acordar antes que esse fanatismo nos engula.
“Sua mente toma a forma daquilo em que você pensa com frequência, pois a alma humana adquire a cor dos seus pensamentos”.
Marco Aurélio, imperador e escritor.
Futurista: não sei qual a data que ele refletiu isso no passado, mas no presente estamos vivenciando a reflexão colocada.... América do Norte e oriente médio nos mostra os fascistas em curso...
Os mortos no Mediterrâneo são vítimas tanto das decisões tomadas como das decisões que faltaram: o desinteresse pelo bem comum e a corrupção nos lugares de origem, um sistema econômico mundial que gera pobreza e exclusão, o medo que alimenta preconceitos e desprezo, a ideia de que tais problemas não nos dizem respeito, os cálculos criminosos de quem lucra com o drama alheio, a lenta e difícil passagem de uma mera gestão de emergências à elaboração de políticas orgânicas e partilhadas. #VisitaPastoral #Lampedusa
A vida humana, ah!
A vida sobretudo – é poesia.
Inconscientes, nós a vivemos, dia a dia,
passo a passo – mas em sua intangível
plenitude ela vive
e nos traduz em poesia.
Lou Andreas-Salomé, intelectual alemã, nascida na Rússia.
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de Andrade
“A mansidão eu amo sobre todas as coisas deste mundo.
Na quietude das coisas eu descubro um canto enorme e mudo.
E quando elevo os olhos para o céu no estremecer das nuvens eu encontro, na ave que cruza o espaço e até no vento a doçura que flui da mansidão”.
Pablo Neruda, poeta