— Dói-te alguma coisa?
— Dói-me a vida, doutor.
— E o que fazes quando te assaltam essas dores?
— O que melhor sei fazer, excelência.
— E o que é?
— É sonhar.
Mia Couto
Não foi o Lula que liberou as bets, foi o Temer. Bolsonaro teve quatro anos para fazer alguma coisa e não fez nada: nem cobrou imposto, nem proibiu, deixando crianças, idosos e beneficiários do Bolsa Família jogarem.
Nós regulamentamos. Proibimos beneficiários do Bolsa Família e crianças. Agora, qualquer pessoa pode se autoexcluir do sistema de casas de apostas, sem possibilidade de reaver essa decisão. O Ministério da Saúde está atuando com quem desenvolveu dependência, e há um controle maior de publicidade do que em gestões anteriores.
Isso é suficiente? Não. O problema é muito mais grave do que parece. Mas antes não se cobrava nem imposto sobre o lucro líquido das bets.
#HaddadNo3Irmãos
Men refuse to use condoms, to get vasectomized, and to raise children. And yet they want to punish women who have abortions. That's misogyny, not morality.
Explicando para quem não entendeu: Com uma mão, Vorcaro recebia quase R$ 1 BILHÃO dos aposentados do Rio de Janeiro, governado pelo PL, partido dos Bolsonaro. Com outra, entregava 11% desse valor para Flávio Bolsonaro. Maracutaia com dinheiro público!
Os números confirmam o que o trabalho sério constrói: somos o 1º lugar do Brasil na evolução da Segurança Pública!
Com planejamento e investimento recorde, alcançamos o menor índice de mortes violentas dos últimos 15 anos.
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Não basta eleger um presidente de esquerda. Tem que pensar no Congresso e eleger pessoas comprometidas. Não adianta colocar raposa pra cuidar do galinheiro.
Hoje é dia de celebrar a vida, a trajetória e a luta de uma mulher que dedicou cada capítulo da sua história ao povo do RN.
Professora, militante, parlamentar e governadora: em cada caminhada, a mesma coragem de defender a educação, a democracia e quem mais precisa.
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A duplicação da BR-304 aqui no Rio Grande do Norte foi uma das nossas maiores conquistas! Por isso, agradeço mais uma vez ao nosso querido @LulaOficial que tanto tem feito por nosso estado em parceria com o nosso governo! Sigamos!
"Se débarrasser des archives papier et les remplacer par des archives numériques leur permet de supprimer l’histoire. Un jour, vous trouverez le message « la page n’existe pas », et le lendemain, vous les verrez nier que cela ait réellement eu lieu".
Julian Assange
Se entendi bem, o Ciro Nogueira vivia como se fosse mulher do Daniel Vorcaro. Ele morava em apartamento do Vorcaro, tinha o cartão de crédito pago pelo Vorcaro, viajava por conta do Vorcaro, e ainda tinha mesada.
Se ele entrar com o reconhecimento de união estável, vai ganhar.
Tá chegando o dia das mães e eu vim aqui pedir um presente:
O FIM DA ESCALA 6x1
Ser mãe é um ato de fé na humanidade. Criar e educar uma pessoa é uma contribuição gigantesca para a sociedade. Não dá para fazer isso trabalhando 6x1. A conta não fecha: o resultado são mães e pais sobrecarregados e crianças sem assistência. Se a escola é 5x2, por que o trabalho é 6x1? A infância é uma responsabilidade coletiva, o governo e a sociedade devem apoiar quem cuida. O mínimo é uma escala 5x2!
"Mire, respire, sienta el viento, o el calor, o la brisa, analice las nubes, prediga que va a llover. Y, sobre todo, escuche: no hay sonido más reconfortante y más ignorado que el de la vida cotidiana".
"Instrucciones para mirar por la ventana", Julio Cortázar
📚Umberto Eco, que possuía 50.000 livros, tinha isto a dizer sobre bibliotecas domésticas:
“É tolo pensar que você tem que ler todos os livros que compra, assim como é tolo criticar aqueles que compram mais livros do que jamais serão capazes de ler. Seria como dizer que você deve usar toda a talheraria ou copos ou chaves de fenda ou brocas que comprou antes de comprar novos.
“Há coisas na vida de que precisamos sempre ter suprimentos em abundância, mesmo que usemos apenas uma pequena porção.
“Se, por exemplo, considerarmos os livros como remédios, entendemos que é bom ter muitos em casa em vez de poucos: quando você quer se sentir melhor, então vai ao ‘armário de remédios’ e escolhe um livro. Não um aleatório, mas o livro certo para aquele momento. É por isso que você deve sempre ter uma escolha nutricional!
“Aqueles que compram apenas um livro, leem apenas esse e depois se desfazem dele. Eles simplesmente aplicam a mentalidade consumista aos livros, ou seja, os consideram um produto de consumo, um bem. Aqueles que amam os livros sabem que um livro é tudo, menos uma mercadoria.”
À propósito do Prêmio Camões do Chico Buarque, recomendo a leitura:
*Chico Buarque ensinou o quê?*
Pedro Tadeu (jornalista português)
Quando recebi no telemóvel o alerta "Chico Buarque ganha o Prémio Camões" senti-me no direito de comemorar uma vitória: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".
Fui ler a notícia. Os seis membros do júri explicavam a razão desta atribuição do galardão literário pela "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa".
E o que é que este português, de 55 anos, que escreve estas linhas, aprendeu com Chico Buarque?
Aos cinco anos de idade o meu corpo saltitava sempre que no rádio grande do meu pai soava "A Banda", a música que, quando passava, diz o verso final do refrão, ia "cantando coisas de amor". Chico Buarque impulsionou-me a dança.
Aos 10 anos de idade percebi como um indivíduo sozinho nada pode contra o cerco violento da indiferença. Bastou-me ouvir a história circular do operário de "Construção", que "morreu na contramão atrapalhando o sábado". Chico Buarque ensinou-me a identificar a injustiça social.
Aos 11 anos de idade percebi a inutilidade da divindade quando o coro masculino MPB4 repetia, em Partido Alto, "Diz que Deus dará/ Não vou duvidar, ô nega/E se Deus não dá?/Como é que vai ficar, ô nega?". Chico Buarque deu-me razões para ser ateu.
Aos 12 anos de idade intui, com os versos de Fado Tropical, como a brutalidade da colonização sangrou a pele dos povos e como as cicatrizes prevalecentes demoram séculos a fechar: "E o rio Amazonas/Que corre Trás-os-montes/E numa pororoca/Desagua no Tejo/Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal/Ainda vai tornar-se um Império Colonial". Chico Buarque ofereceu-me uma identidade, um medo e uma esperança na Lusofonia.
Aos 13 anos de idade percebi, pela letra do pseudónimo Julinho da Adelaide (um autor inventado, usado para ludibriar a censura da ditadura brasileira, que até falsas entrevistas deu aos jornais...), que confiar na polícia pode ser perigoso, como constata Acorda Amor: "Tem gente já no vão de escada/Fazendo confusão, que aflição/São os homens/E eu aqui parado de pijama/Eu não gosto de passar vexame/Chame, chame, chame, chame o ladrão, chame o ladrão". Com Chico Buarque descobri que, às vezes, está tudo certo se se ficar do lado errado.
Aos 14 anos de idade conspirei o sentido da canção O Que Será (À Flor da Pele): "Será, que será?/O que não tem decência nem nunca terá/O que não tem censura nem nunca terá/O que não faz sentido..." Chico Buarque revelou-me o secreto significado da palavra "liberdade".
Aos 15 anos de idade compreendi, ao ouvir Mulheres de Atenas, que a minha mãe, a minha irmã e a minha namorada viviam num mundo pior do que o meu: "Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas/Geram pro seus maridos os novos filhos de Atenas/Elas não têm gosto ou vontade/Nem defeito nem qualidade/Têm medo apenas". Chico Buarque justificou-me o feminismo.
Aos 16 anos de idade espantei-me com o atrevimento de O Meu Amor. "Eu sou sua menina, viu?/E ele é o meu rapaz/Meu corpo é testemunha/Do bem que ele me faz". Chico Buarque fez-me entender como o sexo pode, ou não, fazer um par com a palavra afeto.
Aos 17 anos comovi-me com Geni, a prostituta que salva a cidade mas que a cidade despreza: "Joga pedra na Geni!/Joga bosta na Geni!/Ela é feita pra apanhar!/Ela é boa de cuspir!/Ela dá pra qualquer um/Maldita Geni!". Chico Buarque confrontou-me com a dignidade dos indignos.
Aos 18 anos de idade a história de O Malandro exemplificou-me como é sempre o mexilhão que se lixa: um tipo que foge de um tasco sem pagar a cachaça que bebeu provoca uma crise mundial. Mas, no final das crises, há sempre um bode expiatório: "O garçom vê/Um malandro/Sai gritando/Pega ladrão/E o malandro/Autuado/É julgado e condenado culpado/Pela situação". Chico Buarque antecipou-me a globalização e fez de mim um comunista.
Aqueles anos foram os tempos do meu caminho até à chegada à idade adulta, uma época anterior aos romances que Chico Buarque escreveu e que completam, com a verdadeira poesia de muitas das suas canções, um currículo mais do que suficiente para a atribuição do mais importante prémio literário em Língua Portuguesa.
Aqueles anos foram os tempos que moldaram o meu carácter.
Aqueles foram os tempos que moldaram o carácter de tantos outros e de tantas outras que, como eu, cresceram a ouvir estas canções mas que entenderam nelas tantas coisas que eu não entendi, que compreenderam nelas tantas coisas que eu não percebi, que tiraram conclusões destes textos muito diferentes das que eu tirei.
Mas, tenho a certeza, apesar de pensarem e sentirem de maneiras tão diferentes da minha, ontem, milhões de vós, ao saberem da notícia do Prémio Camões atribuído a Chico Buarque, tiveram o mesmo impulso que eu e comemoram: "ganhei eu, caramba, ganhei eu!".