🚨 PLANTÃO DA SEMANA
A semana que o clube passou um mês inteiro esperando terminou assim: reforma estatutária reprovada nos 12 blocos, o ex-presidente Julio Casares virando alvo de mais um inquérito da Polícia Civil e do Ministério Público, o elenco com direito de imagem atrasado em até quatro meses e uma derrota por 1 a 0 pra Chapecoense, lanterna do Brasileirão. Não é coincidência de calendário. É o mesmo problema aparecendo em quatro lugares ao mesmo tempo.
O fato mais forte é a votação de quarta e quinta. Foram 54 propostas divididas em 12 pautas, votação eletrônica e aberta das 22h de 26/08 às 17h de 27/08, com 238 dos 255 conselheiros votando. Zero pauta aprovada. A melhor delas parou em 47,90% de aprovação, ou seja, a reforma nunca encostou na maioria simples. Caíram compliance e ouvidoria por 126 a 111, conselho fiscal mais atuante pelo mesmo placar, balancete trimestral ao Conselho Deliberativo por 123 a 114 e a responsabilização de dirigente que age com dolo também por 123 a 114. Nove votos separaram o São Paulo de ter regra pra responsabilizar dirigente. Nove.
Aí vem o número que muda a conversa. Todo mundo aponta pro vitalício, e o dado não sustenta isso apenas: na primeira pauta, entre os vitalícios que votaram, 80 aprovaram e 59 reprovaram, e outros 15 nem apareceram numa votação aberta. Entre os 100 eleitos, 31 aprovaram e 67 reprovaram, dois pra um. Quem enterrou a reforma foi o bloco eleito. Isso não passa pano pra vitalício nenhum, o campo deles ficou dividido no meio: significa que as únicas cadeiras que dá pra trocar são exatamente as que votaram contra. Essas 100 vão à eleição no fim deste ano, e quem vota nela é o sócio do clube.
E não houve análise de mérito. A maioria esmagadora de quem reprovou marcou reprovo nas 12 pautas, de compliance a orçamento, de conselho fiscal a estudo de SAF. Ninguém lê 54 propostas separadas por tema e vota idêntico doze vezes seguidas. É voto de bancada. O cruzamento histórico feito pelo @jogosspfc mostra esse mesmo bloco aprovando o balanço do maior déficit da história em 08/04/2025, a reforma com mordaça ao sócio em 02/07/2024 e o golpe da reeleição em 05/09/2022. É o mesmo grupo, com o mesmo comportamento, há quatro anos.
E o São Paulo recusou fiscalização na mesma semana em que o ex-presidente virou caso de polícia. A Comissão de Ética do Conselho Deliberativo concluiu por unanimidade, em relatório de 17/08 divulgado na segunda (24/08), pela expulsão de Julio Casares do quadro associativo, apontando cerca de 7M em saques de 2025 sem documentação de origem e destino e uso do cartão corporativo em despesa pessoal, com admissão dele próprio nos autos. Na terça (25/08) o caso virou inquérito da Polícia Civil e do Ministério Público por gestão temerária, furto qualificado e lavagem de dinheiro, com relato de 35 saques em espécie entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, algo em torno de 11M, mais de 1M em cartão. Casares nega irregularidade e diz que os saques cobrem despesa de 172 jogos do clube. Dois dias depois, os herdeiros políticos dessa gestão derrubaram a proposta que criava compliance e ouvidoria independentes e fiscalizadores.
O dinheiro que falta apareceu também no vestiário. A apuração da semana corrigiu a nota das organizadas: os "três meses de salário atrasado" que rodaram na segunda são pendência de direito de imagem, com relato de até quatro meses de atraso e casos de jogador que diz não ter recebido nada na temporada. O departamento de futebol admite o atraso e não confirma prazo nem caso individual, e há queixa de fila, com atleta menos aproveitado ficando pra trás no pagamento. É o mesmo motivo de fundo do afastamento de Enzo Díaz, que não joga desde 31/05 e foi liberado pra procurar clube na quarta. Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, disse à CNN que a dívida passou de 1 bi e chamou a gestão de "absolutamente amadora". Quem preside o Conselho não fala isso de fora do problema.
As organizadas passaram a semana ocupando esse vazio e terminaram rachadas. Na segunda (24/08), um dia depois da derrota, lideranças da Independente foram ao SuperCT e ficaram mais de uma hora com jogadores, Rafinha e a comissão de Dorival, com Baby avisando que a cobrança dali pra frente mira a diretoria. Na terça, Dragões da Real, Independente e Falange assinaram nota conjunta perguntando por que o clube aceitou 140M da Ticketmaster tendo, pela conta delas, 500M da NewC à mesa: 360M de diferença que nenhuma apuração jornalística cruzou até agora, então fica registrado como versão da organizada, não como fato fechado. Na quarta a frente desmontou: Independente e Falange saíram contra a reforma chamando o texto de manobra pra manter uma casta no poder, e a Dragões recusou assinar. Três dias pra sair de bloco único a três posições diferentes.
No campo foi derrota pro último colocado. Domingo (23/08), na Arena Condá, Chapecoense 1 a 0, gol de Bruno Pacheco de cabeça em escanteio aos 30 do primeiro tempo, escanteio cedido numa saída de bola errada do Sabino. O São Paulo teve 77% de posse, 22 finalizações contra 13 e três grandes chances contra uma, e perdeu assim mesmo. É o décimo jogo sem vencer no Brasileirão, seca aberta desde 25/04. Dorival chamou a atuação de "vergonhoso" e "inadmissível" e disse que "não pode continuar da forma que está", e continuou: a diretoria descartou demiti-lo, e o motivo que vazou tem número, a demissão custaria mais de 9M em salário até dezembro. Ele tem 14,3% de aproveitamento em sete jogos de Brasileirão, contra 20,3% da própria Chapecoense, e escalou 12 times diferentes em 12 jogos. Eu já escrevi na noite do jogo e mantenho: o Dorival é ruim demais pro tamanho do salário que recebe, e quem colocou o clube nesse buraco foi quem demitiu o Crespo com o time competindo, Rafinha, Rui Costa e Massis.
Sábado (29/08), 20h, o São Paulo recebe o Red Bull Bragantino no Morumbi pela 25ª rodada. O time é o 13º colocado com 27 pontos, três acima do Z4, e restam 14 rodadas, oito delas em casa: pela conta que o próprio Crespo já fazia no começo do ano, são seis vitórias pra chegar aos 45 pontos. Calleri é dúvida com entorse no tornozelo esquerdo e a tendência é Gustavo Santana, de 20 anos, na vaga dele. Na torcida o jogo já nasceu tratado como decisivo, e o recado é direto: se não vencer em casa, o pedido de demissão do Dorival vira tema espontâneo. Às 13h do mesmo sábado, na área social do Morumbi, tem ato(teatro) convocado por Independente, Falange e sócios contra o Conselho, sete horas antes do apito. A arquibancada ia ser a primeira demonstração de força unificada das três organizadas. Virou duas de um lado e uma de fora.
Foi a semana em que o São Paulo teve a chance de se obrigar a prestar contas e disse não doze vezes seguidas, com o ex-presidente virando alvo de mais um inquérito no meio do caminho e o elenco cobrando quatro meses de direito de imagem. O clube não perdeu uma votação. Escolheu não ser fiscalizado. E em dezembro as 100 cadeiras que decidiram isso vão à eleição do sócio.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO: O QUE MUDA NA SUA VIDA DE TORCEDOR SE A REFORMA PASSAR HOJE
Fiz um guia com as 54 propostas, uma a uma, cada uma comparada com o que vale hoje: https://t.co/Q7ZTMZMXtq
Em 2028 o São Paulo pode perder pontos, levar transfer ban e ser rebaixado por causa de balanço. Não por resultado em campo. Por balanço.
A CBF criou o fair play financeiro e ele já está valendo. 2026 e 2027 são anos de advertência, ninguém é punido ainda. A punição começa em 2028, em cima dos números de 2027. As penas vão de perda de pontos e transfer ban até rebaixamento e cassação da licença que permite o clube jogar. Quem fiscaliza é uma agência independente, que não deve satisfação a dirigente nenhum daqui.
Agora olhe onde o São Paulo está. A dívida chegou a 1 bilhão e continua subindo: 858 milhões em janeiro, 954 em maio, passou de 1 bi em agosto, admitido pelo próprio presidente do Conselho.
E não é falta de aviso. Em 2024 o clube fechou com quase 300 milhões de déficit, e a prestação de contas foi aprovada assim mesmo, sem ninguém responder por nada. O orçamento deste ano foi aprovado prevendo déficit em 11 dos 12 meses. O clube cortou a folha do elenco e a dívida cresceu do mesmo jeito. E em julho levou transfer ban da FIFA por atrasar uma parcela.
Junte as duas coisas: o clube está assim, e o cronômetro da CBF marca 2027.
É por isso que a votação de hoje importa. A reforma passa a valer justamente em 2027, com a posse do próximo presidente. É o ano que vai ser julgado. Não dá pra chegar lá com a estrutura que produziu esse balanço.
E o que ela muda, comparando com o que existe hoje:
Hoje o presidente do clube preside o Conselho de Administração, o órgão encarregado de fiscalizá-lo, e ainda indica pessoalmente 3 dos independentes. Com a reforma ele sai da mesa. Os 4 independentes passam a ser garimpados por empresa de recrutamento, e o estatuto exige que tenham sido conselheiro de administração ou C-level em empresa de porte e faturamento parecidos com o São Paulo, com reputação ilibada e sem nenhuma ligação com empresário de jogador. A empresa entrega oito nomes já filtrados e o Conselho escolhe quatro. Escolhe dentro de uma lista que não montou.
Hoje o orçamento é feito pela política, numa peça só, misturando futebol, clube social e estádio. Passa a ser feito por esse colegiado com especialistas de mercado, em três peças separadas, com metas anuais e acompanhamento a cada trimestre.
Hoje não existe obrigação de balancete trimestral, e o torcedor descobre o número quando vaza. Passam a ser quatro por ano, por área, com o presidente obrigado a explicar o que fugiu do plano, publicados no site em até 5 dias.
Hoje o artigo que pune dirigente é vago, e o que é vago não condena ninguém. Passa a ter dez condutas escritas, entre elas antecipar receita fora da lei, faltar com transparência na prestação de contas e não comunicar irregularidade encontrada em gestão anterior.
E aqui está, pra mim, a melhor mudança de todas: o dirigente passa a responder com os bens particulares dele. Está escrito no texto. Não é advertência, não é perder a carteirinha de sócio, não é nota de repúdio. É o patrimônio pessoal respondendo pelo prejuízo que ele causou ao clube. É a diferença entre o cara assinar um contrato ruim sabendo que no máximo leva uma bronca, e assinar sabendo que a casa dele está na conta.
Hoje quem preside o Conselho escolhe quem julga, e pode trocar os membros da Comissão de Ética na véspera do julgamento. Ela passa a ser eleita, com mandato de três anos.
Tem ressalva? Tem, e não vou esconder.
A versão original previa 5 independentes, que davam maioria, e caiu para 4 na negociação. Pergunta certa: 4 independentes de mercado é melhor ou pior que os 3 que o presidente indica hoje na mão dele? É melhor.
A presidência do colegiado ficou reservada a conselheiro deliberativo. Melhor ou pior que o presidente do clube presidindo, como é hoje? Melhor.
E o Conselho, que fica mais forte? Aí não tenho ilusão nenhuma, e quem me acompanha sabe: esse Conselho é ruim, aprovou tudo que destruiu o clube e eu já escrevi isso aqui várias vezes. Só que a pergunta não é se ele é bom. É se um Conselho ruim, com quatro especialistas de mercado sentados na mesa do orçamento, é melhor que um presidente sem ninguém pra barrar. E é. Fora que agora existe um fiscal externo, a agência da CBF, que tira ponto sem pedir licença a ninguém aqui dentro.
Reforma mais dura não passaria. Isso não é achismo: a proposta já foi aparada de 5 para 4 independentes justamente pra ter voto. E reforma reprovada não muda nada, deixa em pé o estatuto de 2017, que é o estatuto que nos trouxe até aqui.
Então a conta é simples. Não é escolher entre a reforma e o clube ideal. É escolher entre a reforma e 1 bilhão de dívida, orçamento que já nasce prevendo prejuízo, balanço que ninguém publica e dirigente que não responde com nada.
Se hoje a gente anda quatro ou cinco passos, é muito melhor do que ficar parado exatamente onde estamos. Por isso, com todas as ressalvas: vale aprovar. Aprovar pelo que resolve, e cobrar amanhã o que ficou de fora, que é o fim da vitaliciedade, a eleição direta e prazo com consequência pra julgar dirigente.
Se passar hoje no Conselho, ainda vai à Assembleia Geral dos sócios do social. Ou seja, não acaba hoje.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO DA SEMANA
A semana teve a primeira vitória em quase três meses, 3x1 no Bolívar, classificação pras quartas da Sul-Americana e o Morumbi com 42.087 pessoas. Teve também reforma estatutária adiada por barganha política, um contrato de 140M de tiqueteira ainda em tramitação, três processos correndo na Justiça e um déficit de 215M em seis meses. O campo respirou, a gestão não.
O fato mais forte é o adiamento da reforma estatutária. A votação estava marcada pra segunda (17/08) e foi empurrada pro dia 24. A justificativa oficial de Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo, é pedido de conselheiros por mais tempo de análise do texto. Apurações indicam outra coisa: grupos da base aliada de Harry Massis tentaram condicionar a liberação do contrato com a Ticketmaster à votação da reforma, usando a tiqueteira como moeda de troca contra Olten, apontado como autor do texto e rival político do momento. Massis promete votar contra. Na prática, o clube adia a própria regra de fiscalização porque a regra atrapalha a política.
E o tempo extra já rendeu: segundo publicado, o texto foi ajustado depois de pressão interna e o Conselho de Administração passa a ter 4 conselheiros independentes recrutados no mercado, não mais 5. Parece detalhe de contagem, não é. Independente é justamente quem não deve favor a ninguém lá dentro, e cada cadeira dessas que some é uma cadeira que volta pra política de sempre. O resto do texto segue: presidente do clube deixando de presidir automaticamente o órgão, compliance e ouvidoria fora da diretoria, prestação de contas trimestral. O artigo 58 continua igual, com quórum de 75% pra qualquer transição pra SAF.
Na sessão de segunda, que virou só debate, o conselheiro Éder Lago tentou reabrir a discussão sobre a maioria de independentes e tratou profissional de mercado como risco. Na mesma reunião, o conselheiro Alfano entregou o número que resume o clube: em seis anos como conselheiro eleito, aprovou seis orçamentos, nenhum foi cumprido, e hoje o São Paulo deve 1 bi. O buraco não veio de controle demais. Veio de política demais e fiscalização de menos.
A Ticketmaster avançou. São 5 anos e 140M no total: 110M de antecipação via empréstimo a CDI mais 2% ao ano, 30M pela exploração do camarote 29A, 6M pro Museu, taxa de até 10% por ingresso e amortização travada em 1,8M por mês mesmo em mês sem jogo. O Conselho de Administração aprovou por unanimidade. No Deliberativo, a tendência apurada é Olten abrir duas comissões pra investigar o edital, as propostas concorrentes e eventuais vínculos entre membros da diretoria e a empresa, o que empurra a votação final pra novembro. Isso não é receita. É dívida nova com prazo mais curto que o problema.
E o problema tem tamanho: déficit de 215M só no primeiro semestre, dívida consolidada em 1,1 bi e projeção de que o rombo desta temporada seja o maior da história do clube. A classificação na Sul-Americana rendeu 3,6M, e o acumulado do São Paulo na competição chega a 10,16M na temporada. Ajuda, só que é gota d'água: prêmio de vaga em quartas de final não cobre um mês de conta desse tamanho.
Enquanto isso, a conta antiga continua chegando. Ruan Tressoldi cobra 13,7M do clube por negligência médica, com a primeira audiência realizada na terça. Roberto Ribas e Adailton Martins, ex-auxiliares de Roger Machado, entraram na Justiça pedindo cerca de 300 mil cada por rescisão antecipada: o contrato deles previa um ano, a comissão durou dois meses. Roger ficou pouco e saiu caro, igual quase tudo que Massis e Rafinha assinaram neste ano.
No mercado, o São Paulo passou três dias discutindo Jamie Vardy, 39 anos, sem clube, que foi oferecido ao clube e não procurado por ele. Desistiu na segunda porque a pedida ficou entre 900 mil e 1M por mês. A diretoria rachou no caminho: futebol e marketing queriam, aliados de Massis travaram pelo gasto, e uma fonte da própria diretoria resumiu o desfecho como "venceu o bom senso". Guarda esse número, porque ele volta daqui a três parágrafos.
Do outro lado da mesma mesa, Cédric Soares recusou propostas de dois clubes da Série B, não abre mão do contrato até dezembro de 2027, e a diretoria já trata a rescisão como saída mais provável. Mesmo roteiro do Luan: elenco cheio de gente que ninguém quer, nem emprestada, e cada rescisão dessas sai do mesmo caixa vazio.
E aí, na quinta(20/08), apareceu o Scarpa. Segundo publicado, o São Paulo já mandou proposta oficial ao Atlético-MG por empréstimo do meia de 32 anos, com opção de compra fixada em cerca de 2 milhões de euros, algo como 12M de reais, numa operação tocada pelo Rafinha. O jogador ganha 1,2M por mês e topou reduzir pra caber no clube, nos mesmos moldes da chegada do Victor Sá.
Não vou discutir aqui se o Scarpa joga ou não joga. Vou discutir de onde sai o dinheiro. Na segunda, o São Paulo desistiu do Vardy dizendo que 900 mil por mês era inviável. Na quinta, mandou proposta por um salário de 1,2M. O clube deve 1,1 bi, queimou 215M em seis meses, está antecipando 110M de bilheteria pra respirar, atrasa direitos de imagem e mesmo assim acha que tem folga pra assumir mais uma folha e uma opção de compra de 12M. Não tem. Quem não paga em dia não contrata: renegocia. E tem o detalhe que ninguém comenta: o empresário do Scarpa é o mesmo de Victor Sá, Coronel, Tetê e Negrucci, e no mesmo dia da proposta apareceu uma oferta do Ajax pelo Tetê. A mesma porta que traz salário de 1,2M pra dentro é a que leva Cotia pra fora.
No campo foram dois jogos no Morumbi. Sábado, 1x1 com o Coritiba diante de 44.491 pessoas: golaço de Pablo Maia no primeiro tempo, empate de Tiago Cóser no segundo, o roteiro de sempre. A Ouvidoria de Arbitragem da CBF reconheceu depois que faltou pênalti de Keno em Calleri aos 38 do segundo tempo, com a árbitra Charly Wendy na estreia dela na Série A. Parecer não devolve ponto. E foi Pablo Maia quem disse em voz alta o que ninguém no clube queria dizer, perguntado sobre a degola: "É difícil falar. A gente vem de muitos jogos sem vitórias". Naquela noite eu já tinha escrito e mantenho: Rafinha, Rui Costa e Massis são os culpados pelo ano.
Terça foi diferente. 3x1 no Bolívar com 42.087 no estádio, gols de Luciano, Calleri e Sabino, 4x2 no agregado e vaga nas quartas da Sul-Americana contra o Boca Juniors, ida em 8/09 na Bombonera e volta em 15/09. Foi a primeira vitória desde 25 de maio, depois de 1 triunfo em 15 jogos. Era obrigação e veio pela torcida, que empurrou desde a chegada do ônibus. O time ainda funciona mal: tomou gol logo depois do intervalo de novo, o Dorival insiste em fazer o Marcos Antônio ficar aberto na ponta. Domingos Duarte foi a surpresa boa, zagueirão à moda antiga. Pra mim, manda o Fujão embora e fica com Domingos e Sabino. Calleri, esse, renovou até 2028, com opção até 2029 por metas, e recusou Monterrey e Orlando City.
Domingo (23/08), 18h30, o São Paulo joga na Arena Condá contra a Chapecoense, lanterna do Brasileirão, pela 24ª rodada. É o jogo mais importante da semana e quase ninguém está falando dele. O time é o 13º colocado, com 27 pontos, não vence no Brasileiro desde abril, acumula nove jogos sem vitória na competição, 14,8% de aproveitamento nesse recorte e sofre 80% dos gols no segundo tempo. Ganhar do último colocado fora de casa não salva temporada nenhuma, e perder aproxima cada vez mais da zona de rebaixamento. Na torcida, o assunto segue represado atrás de Ticketmaster e reforma: o único tema do jogo que apareceu no X foi a Chapecoense ter regularizado Dylan Borrero a tempo de enfrentar o Tricolor. Se o time entrar em Chapecó com esse mesmo desinteresse, o problema deixa de ser político.
Foi a melhor semana no campo do São Paulo em três meses, e mesmo assim ela termina com a reforma adiada por barganha e uma cadeira independente a menos, 140M de dívida nova em votação, 215M de déficit em seis meses, três ações na Justiça e uma proposta por jogador de 1,2M por mês. Ganhar do Bolívar comprou tempo. Tempo é exatamente o que essa gestão sempre usou pra não resolver nada.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO: O MAPA RESPONDE MELHOR QUE O RELEASE
Explicação que sai de dentro do clube não pode ser repassada como verdade. Quem cobre qualquer assunto tem a obrigação de ir atrás dos dados.
Segue o mapa de calor do Marcos Antônio com o Dorival vs Crespo - Melhor Fase
#SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO: POR DENTRO DO JOGO
Pode parecer contraditório falar de problema depois de 3x1, classificação e Morumbi lotado, mas o Plantão não existe pra caçar seguidor com empolgação vazia. Existe pra discutir o São Paulo com verdade, depois de derrota, empate ou vitória.
E a verdade é essa: o São Paulo venceu, passou e respirou, mas ainda funciona mal. A vitória era obrigação e veio com força da torcida. 42.087 pessoas, show desde a chegada do ônibus até o apito final, empurrando no momento do susto e ajudando o time a reagir depois do gol sofrido.
Só que o roteiro quase se repetiu: gol no primeiro tempo, volta do intervalo e toma antes dos 20 do segundo. Isso está virando padrão. Hoje o time teve força pra reagir, fez mais dois e resolveu, mas não dá pra fingir que esse apagão pós-intervalo não existe.
Com bola, Dorival tentou construir num 3-5-2, com Newton baixando entre Domingos e Sabino e os laterais subindo como alas. A ideia até faz sentido, a execução foi confusa: Artur preso na ponta direita, Marcos Antônio virou ponta improvisado pelo lado esquerdo e Luciano flutuou pelo meio. Se os alas sobem, você precisa encher o miolo, não colocar jogador pra brigar pelo mesmo corredor. O time ficou torto, previsível e sem conexão limpa com o Calleri.
Newton fez bom jogo. Entregou intensidade, ocupou bem os espaços e ajudou na saída quando baixou entre os zagueiros. O problema é estrutural: pra mim é Newton ou Pablo Maia. Os dois juntos deixam o time pesado por dentro e tiram espaço de quem precisa pensar o jogo.
E aí vem o ponto que eu repito: Marcos Antônio não é ponta. Ele pisa por dentro, circula, aproxima e pensa o jogo. Quando vira jogador de faixa, ele perde força e o time perde construção. O Dorival insiste em escalar um ponta só e mandar o Marcos Antônio fazer o outro lado, e o mapa de calor dos jogos mostra isso jogo após jogo.
Artur ficou plantado na direita e jogou mal. Aliás, está mal desde a volta da Copa: tenta driblar o time inteiro e virou previsível cortando sempre pro meio. Com o time torto, sem ponta do outro lado, o São Paulo fica ainda mais fácil de ler.
E o Buta? Meu deus, quem trouxe? Perdido, inseguro, e taticamente me preocupou.
Já o Domingos Duarte surpreendeu. Não é craque, é zagueirão à moda antiga, grosso no bom sentido. Faz o simples, disputa, tira e não inventa. Pra este São Paulo, isso já ajuda muito. Pra mim, manda o Fujão embora e fica com Domingos e Sabino, ou Domingos e Osório.
E tem uma coisa irritando: os jogadores reclamam demais. Em vez de seguir a jogada, levantam o braço, olham pro árbitro e param mentalmente. Isso vai custar caro. Talvez venha do banco, porque o Dorival reclama de tudo. O time precisa competir mais e reclamar menos.
Agora o Calleri. Nesse esquema, o Dorival acaba com ele. Foram 64 entradas no terço final, 21 ações com bola na área e 19 cruzamentos, com só 4 certos. O São Paulo chega, mas chega de qualquer jeito. A bola quase nunca chega limpa no 9.
A vitória foi importante, e muito. Que sirva pra dar confiança, porque no Brasileiro o São Paulo precisa voltar a vencer com urgência, domingo joga contra o ultimo colocado mais uma partida pra ganhar moral e quem sabe engatar uma sequencia.
Mas o time precisa melhorar. Esse esquema apaga o Marcos Antônio, isola o Calleri e deixa o time torto e previsível. Eu já disse e repito: quer jogar com ponta, usa nos dois lados e tira o Luciano. Quer jogar com o Luciano, tira os pontas e coloca um meia de criação. O que não dá, é não fazer nem um nem outro.
Enfim, ganhamos. Era obrigação e foi cumprida. Agora tem o Boca Juniors pela frente nas quartas, jogo gostoso de jogar, e o Brasileiro, onde o São Paulo não vence desde abril e precisa muito da vitoria, que a confiança tenha voltado um pouco pra ele.
Mais uma vez, o destaque da noite foi a torcida, no nosso estádio. Aproveita, porque a gente vai perder o Morumbi de novo: tem BTS marcado pra 28, 30 e 31 de outubro, e o clássico contra o Corinthians pela 34ª rodada já está confirmado na Vila Belmiro. Na hora que mais importa, o São Paulo joga fora de casa outra vez, obrigado a todos envolvidos.
VAMOS SÃO PAULO, PORRA!!!
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
@PlantaoTricol0r Meu deus do céu, olha esses dinossauros!!
E estão dormindo no meio de uma reunião do conselho, que cena desesperadora!!!
O São Paulo virou um asilo…
🚨 PLANTÃO: ESSES SÃO OS CONSELHEIROS QUE MANDAM NO SÃO PAULO!
Ontem houve uma a reunião do Conselho Deliberativo para discutir a reforma do Estatuto e o São Paulo publicou no YouTube. E o vídeo explica, melhor do que qualquer discurso, por que o clube chegou nesse buraco: o São Paulo está tentando colocar mais controle, mais profissionalização, mais independência, compliance fora da diretoria, orçamento acompanhado e acesso a contratos. Coisas básicas para qualquer instituição séria. Mesmo assim, parte do incômodo foi justamente com a presença de profissionais independentes no Conselho de Administração.
Um dos conselheiros precisa ser citado: Éder Lago.
Ex-promotor, ex-presidente do Paulistano(ele disse ser a mesma complexidade que gerir o SP) e hoje conselheiro do São Paulo. Disse que tinha propostas, questionou pontos centrais da reforma e tentou reabrir discussão como se o tema tivesse surgido ontem. Só que a comissão trabalhou por meses, abriu espaço para sugestões, recebeu contribuições e, na própria reunião, foi dito que houve oportunidade de participação: o espaço existiu.
Quem quis participar, participou. Então a pergunta é inevitável: onde Éder estava enquanto a reforma era construída? Ele e outros disseram que não sabiam que isso estava sendo discutido.
O mais grave é que ele não apenas chegou atrasado no debate. Ele tentou colocar dúvida justamente no ponto que mais mexe com o vício político do clube: a maioria de independentes no Conselho de Administração. Tratou profissionais externos como risco, levantou medo de “interferência” e insistiu na dúvida sobre quem deveria prevalecer numa divergência de orçamento, os profissionais independentes ou a diretoria eleita pelo Conselho. No contexto do São Paulo, isso não é detalhe técnico. É a fotografia de um sistema que ainda resiste a perder controle sobre aquilo que já destruiu.
A própria reunião respondeu a ele. Foi explicado que os independentes seriam escolhidos por critérios definidos pelo Conselho, votados pelo Conselho e poderiam ser destituídos pelo Conselho. Também foi explicado que os cinco independentes não decidiriam sozinhos questões relevantes sem participação de membros ligados ao clube. Mesmo assim, a resistência continuou. Quando um clube deve R$ 1 bilhão e alguém ainda se incomoda tanto com controle, fiscalização e profissionalização, a pergunta óbvia é: incomoda por quê?
Essa reunião mostrou a desorganização que é o conselho, onde o São Paulo não é prioridade, pelo contrario, se sobrar tempo do dia, eles brincam de serem conselheiros.
O São Paulo não deve R$ 1 bilhão porque profissional de mercado mandou demais. Não teve camarote clandestino porque havia independência demais. Não teve orçamento estourado porque o compliance era forte demais. Não teve contrato obscuro porque a fiscalização era excessiva. O São Paulo chegou nesse buraco pelo contrário: política demais, controle de menos, orçamento de enfeite, Conselho omisso, dirigente sem consequência e gente achando que “ser do clube” basta para administrar uma instituição bilionária.
A fala mais importante da noite veio de Alfano: em seis anos como conselheiro eleito, aprovou seis orçamentos. Nenhum foi cumprido. Nenhum. Explosões gigantes, satisfação nenhuma. E hoje o São Paulo deve R$ 1 bilhão. Depois disso, qualquer conselheiro que ainda trata profissional independente como problema precisa explicar qual parte da realidade ele não entendeu.
Éder disse ter medo de interferência do Conselho de Administração na diretoria executiva. Medo de interferência? O clube está afundado porque faltou interferência séria. Faltou alguém barrar orçamento irresponsável, contrato mal explicado, antecipação de receita, gasto acima do previsto e dirigente tratando o São Paulo como propriedade particular. O que ele chama de interferência, em clube sério, se chama governança.
O São Paulo precisa parar de confundir associado com gestor, conselheiro com executivo e política interna com competência. Ter sido eleito pelo clube não transforma ninguém automaticamente em especialista em finanças, compliance, futebol, risco, contrato ou planejamento estratégico. O clube não aguenta mais boa vontade sem preparo, discurso sem entrega e cargo ocupado por quem acha que tradição substitui método.
Se existe algo positivo nessa reunião, é que ela deixou tudo muito claro. De um lado, uma tentativa imperfeita, mas necessária, de colocar controle onde nunca houve controle de verdade. Do outro, a resistência de quem ainda parece acreditar que o São Paulo pode continuar sendo administrado pela mesma lógica que o colocou no buraco.
E essa lógica precisa acabar.
O São Paulo não chegou ao fundo por ser controlado por profissionais independentes.
Chegou ao fundo porque gente demais confundiu poder político com capacidade de gestão.
Link do video: https://t.co/GVKSGFBKK5
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO DA SEMANA
Na próxima semana, o Conselho vota a reforma estatutária. A eleição ainda nem começou oficialmente, mas os bastidores já mostram o tamanho do problema: crise interna na candidatura de Caboclo, sócios-torcedores caindo abaixo de 30 mil pela primeira vez desde 2022, dívida podendo passar de 1,1 bi, risco de punição pela nova regra de Fair Play da CBF, organizada transformando ingresso em operação comercial e parte da cobertura tratando bastidor como marketing. No campo, oito jogos sem vencer no Brasileirão e um empate na altitude da Bolívia. É impossível olhar para isso e achar que o problema está só no campo. O campo é consequência. Esse é o primeiro Plantão da Semana, resumo que a gente repete toda sexta daqui pra frente.
Tem muita gente boa na mídia alternativa do São Paulo. Gente que apurou o que redação grande ignorou, puxou fio de escândalo, pressionou conselheiro e ajudou a torcida a entender melhor o que acontece lá dentro, mas também tem jornalista que deixou de cobrir para fazer assessoria. Tem setorista que vende narrativa pronta, trata dirigente como produto e transforma entrevista em palanque. Neste momento do clube, a torcida deveria recusar tudo que vem nesse formato. O São Paulo não precisa de release fantasiado de jornalismo. Precisa de pergunta dura, apuração séria e gente disposta a incomodar quem manda.
O caso Caboclo resume a doença política. Um nome com histórico público gravíssimo, processo por assédio moral e sexual na CBF, áudios, desgaste institucional e rejeição evidente nem deveria ser colocado na mesa de um clube que diz querer reconstrução. E como se não bastasse, na entrevista ainda tratou as finanças de 2023 e 2024 como se estivessem boas. O São Paulo teve déficits enormes (~300M em 1 ano), aumentou dívida, antecipou receita e terminou afundado financeiramente. Se isso é "bom", o que seria ruim?
Na quarta, a campanha escolheu Cléo Prado, diretora do futebol feminino, pra vice, numa tentativa de reduzir a rejeição entre o público feminino. Não resolveu: a entrevista de Caboclo ao canal Tricolaços saiu sem postura e sem energia, comparada a um "Casares 2.0" mais magro e grisalho, e a campanha #CABOCLONÃO ganhou força dentro do próprio clube. Escolher uma mulher pra vice não resolve o problema de fundo, só troca a vitrine.
Apurações internas indicam que Caboclo deve recuar da pré-candidatura já na semana que vem, depois de reunião com conselheiros, ele decidiu esperar o resultado da votação da reforma antes de qualquer definição. Segundo publicado hoje, ele já perdeu o apoio do próprio grupo de Olten Ayres e de aliados como Miguel Souza, e o recuo não torna Marcelo Portugal Gouvêa automaticamente o candidato da oposição: o que se discute agora é a reaproximação entre o grupo de Olten e a chapa STP/NSP, com Fábio Mariz ganhando força pra presidência do Conselho Deliberativo.
A reforma estatutária será votada na segunda (17/08) e tem pontos positivos: Conselho de Administração mais forte, compliance fora da diretoria, acesso a contratos, Conselho Fiscal com mais poder e exigência técnica. Pelo texto, a gestão eleita em 2026 tem até 6 meses após a posse pra concluir um estudo de viabilidade de separação societária do futebol; se aprovado, o presidente eleito ganha 90 dias pra apresentar plano de execução e mais 30 pra começar o processo. Mesmo assim, o São Paulo já provou que papel aceita tudo. Tinha compliance enquanto explodiam denúncias. Tinha Conselho enquanto a dívida crescia. Tinha Estatuto enquanto dirigente tratava o clube como propriedade particular. A pergunta continua a mesma: quem faz cumprir? Quem pune? Quem fiscaliza o fiscal? Regra sem sanção é recomendação. E recomendação, no São Paulo, sempre teve dono.
No financeiro, o caso Djhordney é simbólico. Segundo publicado, a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol determinou que o São Paulo tem 45 dias para quitar a dívida com o Novorizontino ou pode sofrer transfer ban. A operação foi de 1M por 70% do jogador, havia 600 mil pendentes no momento da denúncia, e a decisão fala em pagamento integral, multa de 100 mil e correção de 1% ao mês. Sem pagamento ou acordo formal, o clube fica impedido de registrar atleta, mesmo na base, e entra travado na próxima janela. Harry Massis diz que já ajustou o pagamento com o presidente do Novorizontino antes da decisão sair. O Novorizontino nega qualquer negociação nova.
Djhordney não é caso isolado. O São Paulo também foi acionado no STJ pra pagar 6M à Seth Sports Agency, numa execução de decisão do CAS e da Fifa pelo caso do volante equatoriano Jhegson Méndez, que saiu do clube sem custo de transferência e deixou 70% dos direitos econômicos pendentes com a agência. É o terceiro processo de dívida ou risco de transfer ban do ciclo em menos de duas semanas: o da Lazio, do Marcos Antônio, já resolvido, o do Novorizontino, em curso, e agora o de Méndez. Contratação de "graça" que sempre vira conta. É a marca registrada da gestão Casares/Belmonte/Rui Costa: trazer jogador de "graça" direito de terceiro, caro, pagando altas luvas, sem checar a amarração contratual, e deixar a bomba estourar na gestão seguinte.
Não é "mais um atraso". É o São Paulo podendo virar o primeiro clube da Série A a sofrer punição pesada pelo novo Fair Play Financeiro da CBF, regra que vale para obrigações assumidas a partir de janeiro de 2026. Não dá mais pra esconder dívida no armário e empurrar com a barriga. O futebol brasileiro começou a cobrar aquilo que o São Paulo nunca teve coragem de cobrar internamente: responsabilidade.
Apurações indicam que a dívida pode subir mais de 200M no primeiro semestre e chegar a 1,1 bi. Se confirmado, é devastador. O São Paulo doa os jovens, antecipa receita, atrasa obrigação, corta onde não deveria, contrata mal, paga 1M pra jogador 30+ nota 5 e a dívida não para de subir. É o retrato de um clube que fala em reconstrução mas administra o presente como se o futuro fosse problema de outro.
O clube negocia ainda 140M com a Ticketmaster (110M em gestão de sócio-torcedor e bilheteria, mais 30M pelo camarote 29A), sem aprovação do Conselho até agora. A média de público em 2026 caiu para 25.887 por jogo, bem abaixo dos 54 mil contra o Palmeiras e dos 49,5 mil contra o Santos, prejudicada pela agenda de shows que tira jogo do Morumbi: o clássico contra o Corinthians deve ir pra Vila Belmiro por causa de shows do BTS. Negocia também os naming rights do estádio com a BYD, montadora chinesa, evitando o trocadilho "MorumBYD": o contrato com a Mondelez vence em dezembro.
No STJD, Rafinha foi julgado por xingar o árbitro na derrota pro Grêmio e saiu só advertido, mesmo com previsão de até 180 dias de suspensão pelo artigo 258 do CBJD.
E a Independente? Não é novidade, sempre teve privilégio. A diferença é que isso aparece de novo bem na semana em que a organizada vende copo comemorativo com ingresso grátis embutido pro jogo de sábado contra o Coritiba, e ainda tenta repassar esse ingresso com fim lucrativo, com o clube quebrado. De onde vem esse ingresso? Quem autoriza? Quanto o São Paulo recebe? Qual contrato permite uma organizada transformar acesso em operação comercial?
No campo, o São Paulo perdeu de virada pro Grêmio, 2 a 1, chegou a 8 jogos sem vencer no Brasileirão e caiu pro 12º lugar, com 26 pontos: pior sequência do clube desde 2013, uma vitória em 14 jogos somando todas as competições. Na Sul-Americana, empatou 1 a 1 com o Bolívar na altitude, gol de Arboleda(que não deveria jogar nunca mais pelo clube), jogo em que Dorival completou 100 partidas pelo clube somando as duas passagens: nesta volta, uma vitória em sete jogos. Iago e Domingos estrearam, Nicolas voltou a treinar depois do acidente e Artur também participou, os dois sem prazo pra voltar aos jogos, e até um ônibus contratado pelo clube na Bolívia foi apreendido com droga e virou piada internacional, sem envolvimento do clube. Tudo no São Paulo hoje caminha no limite entre crise, improviso e constrangimento.
Sábado tem Coritiba no Morumbi, primeira chance de reverter essa sequência, e a torcida trata o jogo como decisivo e faz campanha pra lotar o estadio: finalmente um jogo em casa, depois de calendário disputado com show, com o Calleri cobrando a resposta que prometeu. Terça (18/08) vem a volta contra o Bolívar, também no Morumbi: vitória simples garante vaga.
Essa é a semana que antecede decisões importantes. Reforma, Fair Play da CBF, dívida, sócio caindo, organizada, bastidor eleitoral, candidato minado, setorista fazendo marketing e futebol tentando sobreviver no meio do incêndio. O São Paulo não precisa de maquiagem institucional, candidatura fabricada, entrevista confortável ou conselheiro brincando de gestor. Precisa de profissionalização real, compliance real, Conselho que fiscalize e futebol separado da política social.
O São Paulo não vai sair do buraco com os mesmos vícios que colocaram o clube nele.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO:
Me fala um clube descente que isso é uma realidade.
O Estatuto precisa proibir repasse de ingressos gratuitos pra outros lucrarem em cima do Clube.
#PlantãoTricolor#SPFC 🇾🇪
🚨 PLANTÃO: A REFORMA ESTATUTÁRIA DO SÃO PAULO TEM PONTOS BONS MAS PAPEL ACEITA TUDO.
O Conselho Deliberativo vota a reforma na segunda-feira. A proposta traz avanços importantes: compliance fora da diretoria, Conselho Fiscal mais forte, acesso a contratos do futebol, punição para dirigente e uma tentativa de profissionalizar o Conselho de Administração. No papel, é positivo.
Só que o São Paulo não chegou onde chegou por falta de frase bonita no Estatuto. Chegou porque regra aqui existe e simplesmente não é cumprida. O clube já tinha compliance quando o cartão corporativo de Julio Casares acumulou mais de 1 milhão em gastos, quando o camarote da presidência foi comercializado por fora, quando saíam 100 mil por mês em dinheiro vivo do cofre com recibo genérico. Já tinha Conselho enquanto a dívida crescia, fiscalização enquanto o futebol era desmontado, Estatuto enquanto dirigente tocava o clube como propriedade particular.
Então a pergunta não é o que está escrito. É quem vai fazer cumprir.
O compliance vai ter autonomia de verdade ou vai ser mais um departamento bonito para inglês ver? Os membros independentes do Conselho de Administração serão realmente independentes, ou apenas nomes aprovados pela mesma política de sempre? Quem escolhe a empresa que vai indicar esses nomes, e a remuneração deles vai ser transparente?
O Conselho Fiscal vai ter prazo, acesso e consequência quando pedir documento? O acesso a contratos de atleta, comissão técnica e intermediário em até 7 dias vai ser cumprido de fato? E se não for cumprido, quem pune? Quem fiscaliza o fiscal?
Porque regra sem sanção não é regra, é recomendação. E isso já foi testado aqui: Rui Costa se recusou a entregar contratos pedidos pela Comissão de Ética, alegou LGPD, e o próprio jurídico do clube respondeu que a Comissão não podia afastá-lo porque ele não era sócio. Prazo de sete dias só vale alguma coisa se existir resposta para o oitavo, e se ela alcançar também quem não tem carteirinha. É exatamente aí que a blindagem sempre apareceu.
E tem uma coisa que a reforma precisa encarar de frente, porque sem ela o resto é decoração: nada muda enquanto a conta não chegar no CPF. Punição interna não devolve dinheiro nenhum ao clube. Dirigente que usa o São Paulo em proveito próprio tem que responder com o patrimônio dele, pessoa física, e não apenas perder a carteirinha de sócio. Basta olhar Casares: um dia antes da audiência na Comissão de Ética, renunciou ao Conselho e pediu desligamento do quadro associativo. Punição que só existe dentro do clube não alcança quem simplesmente vai embora.
E o Dedé foi expulso sem devolver um centavo, porque a própria Comissão registrou que não havia prejuízo material comprovado nos autos, depois de a operação ter rodado dezoito meses dentro do Morumbi sem contrato formal.
Repara no padrão: nesse clube, punição só chegou em quem já tinha perdido o grupo que o protegia. Enquanto tem voto, ninguém cai. Isso não se resolve escrevendo mais tipos de punição no papel. Se resolve tirando do mesmo grupo o poder de aprovar, julgar e absolver.
Aí está o que a reforma não toca, que é justamente onde o problema nasce. Ela redesenha o andar de cima sem mexer em quem elege o andar de cima. Não trata de quem ocupa cadeira para sempre sem nunca mais passar por voto. Não impede que cargo continue sendo moeda de troca, e enquanto cargo for moeda, quórum tem preço. Não protege quem julga de ser trocado por quem está sendo julgado, e isso não é hipótese: dez dias antes do plenário que julgaria Dedé, dois membros da Comissão de Ética foram destituídos. E não fixa prazo com consequência para processo disciplinar, quando processo que arrasta até virar assunto velho é absolvição por cansaço.
Sendo justo, tem um item da reforma que é o melhor de todos e quase ninguém comentou: exigir formação contábil no Conselho Fiscal. É a única mudança que ataca falta de competência técnica em vez de desenho de poder. Fiscalização de verdade só existe quando tem alguém na sala que sabe ler um balanço. Esse ponto pega, e pega sozinho.
A reforma pode ser um passo importante, mas não pode virar maquiagem institucional para manter tudo como está. O São Paulo precisa de governança real, não de governança de PowerPoint: compliance que incomode dirigente, Conselho Fiscal que fiscalize, punição que puna, profissionalização que tire o futebol da mão da política.
Porque o problema do São Paulo nunca foi só ausência de regra. Foi a certeza de que, lá dentro, regra sempre teve dono.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪
🚨 PLANTÃO: 83,3% COM CRESPO. 42,4% COM ROGER. 13,3% COM DORIVAL. O SÃO PAULO NÃO CAIU, FOI EMPURRADO.
Some as três campanhas e dá exatamente os 26 pontos em 21 jogos que o São Paulo tem hoje. Não é recorte, não é número escolhido a dedo: é o ano inteiro, dividido por quem mandava no time.
Crespo pegou um elenco curto num ano de impeachment, eleição e crise política, com uma torcida que não pedia título, pedia dignidade. E fez a única coisa que um treinador pode fazer sem elenco: colocou cada jogador na função certa, mudou esquema quando precisou, deu padrão. Cobrou. Deixou jogador magoado por ser cobrado, que é o mínimo que um gerente decente faz com funcionário que não entrega. Era o único profissional fazendo o trabalho dele dentro daquele CT. 10 pontos em 4 jogos.
E ainda transformaram numa frase o que era simplesmente honestidade. Crespo nunca disse que o objetivo era só somar 45 pontos. Disse que o primeiro pensamento eram os 45 e que depois se traçam outros objetivos. Era realismo de quem conhecia o elenco que tinha na mão. Olha onde a gente está agora: torcendo para chegar nos 45.
Aí Rui Costa, Rafinha e Massis destruíram o ano. Demitiram Crespo quando ninguém esperava e trouxeram Roger Machado com a torcida inteira gritando que não. Não foi uma ala, não foi minoria: foi rejeição pública, antes de ele assinar, baseada no currículo dele. Quando as vaias vieram, apareceu gente dizendo que a rejeição era por conta da cor da pele do treinador, que jogo baixo.
E o presidente escolheu o pior lado possível. Massis foi a público chamar a postura da torcida de "lamentável" e disse, com essas palavras, que a falta de apoio ao técnico desestabilizou o grupo e que "a gente até perdeu um pênalti, o que não é normal". O presidente do São Paulo declarou guerra ao próprio torcedor e culpou a arquibancada por cobrança de pênalti perdida. Nunca vi um presidente declarar guerra contra a própria torcida.
Roger fez o que sempre fez: desorganizou um time organizado. 14 pontos em 11 jogos, com os dois primeiros ainda jogando exatamente o que Crespo tinha deixado. Caiu. E Rui Costa ficou.
O mesmo Rui Costa que botou a cara dele na reta pelo Roger, que garantiu ter convicção no trabalho, que anunciou que ganharíamos títulos e que vendeu o Roger como "vencedor", algo que qualquer torcedor sabia que não se sustentava. Quando o próprio erro dele foi demitido, ele não teve a dignidade de pedir as contas junto. Ficou. E ainda escolheu o substituto e trouxe Vitor Sá ganhando 1M por mês.
Trouxe Dorival. O São Paulo passou a pagar cerca de 2 milhões por mês, uns 500 mil a mais do que gastava com a comissão do Crespo. Dorival abriu a passagem pedindo Arboleda de volta, o jogador que sumiu, largou o clube no meio da temporada e voltou sem consequência de verdade.
E teve o que nenhum outro treinador do São Paulo teve nos últimos anos: mais de 40 dias de pausa pela Copa, e ainda mais duas semanas de trabalho depois. Compara com o Crespo, que foi mandado fazer pré-temporada em Cotia, chegou lá e encontrou a estrutura destruída, teve 9 dias e precisou mudar o planejamento no meio dessa mini pré-temporada.
Resultado do Dorival: 2 pontos em 5 jogos. 13,3%. Nenhuma vitória. O pior aproveitamento do ano, com o maior salário do ano e a maior preparação do ano.
E tenho lido gente dizer que é o mesmo esquema do Crespo, não, isso não é "o mesmo esquema do Crespo". Quem diz isso não está olhando o campo. Não adianta empilhar três jogadores no meio se as funções estão trocadas. Marcos Antônio nunca foi ponta: o melhor dele apareceu por dentro, solto, perto da bola, e Dorival escala ele aberto, isolado, numa função que mata o futebol dele. Luciano nunca foi meia, nunca funcionou como meia, e não vai passar a funcionar agora.
São dois caminhos possíveis pra esse esquema dele e ele não escolheu nenhum: ou tira Luciano e joga com dois pontas de verdade, ou tira um ponta e coloca um meia de ligação com Luciano e Calleri na frente. O que ele faz é ponta de um lado, Marcos Antônio improvisado do outro e Luciano de 10. Isso não dá liga em lugar nenhum do mundo. Não é azar. É erro de função, e resolver isso é literalmente o trabalho do treinador.
O Rafinha que se vangloriou da liderança construída com pontos do Crespo hoje olha para o 12º lugar, 26 pontos, 4 a mais que a zona de rebaixamento. Oito jogos sem vencer no Brasileiro. 106 dias desde a última vitória, contra o Mirassol, em 25 de abril. Nesse intervalo o São Paulo caiu do 4º para o 12º.
E fora de campo o padrão se repete: dívida que voltou a passar de 1 bilhão, jogador de Cotia saindo de graça, e reforço nota 5 e 6 chegando com salário alto. Se é para gastar com jogador de 30 e poucos anos, irregular e sem revenda, então usa Cotia. Jogador nota 5 Cotia é obrigada a entregar, e esse pelo menos pode evoluir e virar receita. O que não dá é o clube repetir que não tem dinheiro e continuar assinando contrato caro com jogador comum.
Essas contratações precisam ser auditadas. Pelo Conselho, pelo compliance, pelo Ministério Publico, por quem tiver a obrigação de olhar. Um clube que se diz quebrado, entrega jovem de graça, demite 2 treinadores(menos de 60 dias) pagando rescisões altas e acha dinheiro para jogador mediano tem que explicar cada assinatura, com nome, valor e critério.
A culpa tem nome: Rui Costa, Rafinha e Massis. Seu Dorival, o senhor também tem culpa dentro de campo, também responde pelos 13,3%.
O São Paulo precisa URGENTEMENTE de gente que saiba fazer o seu trabalho ou seja de PROFISSIONAIS DE VERDADE.
#PlantãoTricolor #SPFC🇾🇪