Meu pai, pernambucano e entusiasta da cultura da nossa terra, escreveu esse texto hoje sobre o carnaval:
“Já parou para pensar que, neste exato momento, estando em Pernambuco, entre Recife e Olinda, você está no lugar mais feliz do mundo?
Não é nenhum exagero. Este lugar não é só festa, não é só música, não é só multidão. É onde se respira diferente, é onde se forma um território afetivo em que tudo parece mais possível, mais leve, mais contente, mais humano...
O que acontece entre o Recife e Olinda quando é carnaval?
Em Olinda, o mundo sobe e desce ladeira devagar, espremido entre o colorido das casas e das sombrinhas que mais parecem flores. No Recife, o mar se irmana com o Marco Zero, o rio reflete luzes e o som ecoa entre prédios históricos como se a cidade fosse um grande instrumento musical, que toca frevo, maracatu, samba, reggae, hip-hop, rock, baião, xaxado, xote, piseiro e tudo mais que tem por aqui. Carnaval não é apenas evento, é identidade, é memória que vira presente.
Nessas duas mágicas cidades, que o carnaval transforma em uma só, todo mundo meio que vira criança. Mesmo quem não brinca, como eu, se pega de olhos brilhando no meio da alegria e do colorido de quem brinca. Impossível não ser contaminado pelo contentamento reinante.
Entre Recife e Olinda, durante o Carnaval, desconhecidos são velhos amigos, a rua é sala de estar e a alegria é bem público, distribuído a todos generosamente.
A felicidade por aqui não é obrigatória, ela simplesmente acontece, o que faz deste lugar o de maior quantidade de pessoas felizes por metro quadrado e “em linha reta” de todo o mundo.
Entendeu? É claro que sim!! Se não, vem pra cá e vai entender rapidinho”
João Alberto Costa Faria
Pernambucano