Estados Unidos estão enviando centenas de soldados para a América Latina | Pentágono diz ampliar luta contra traficantes de drogas, embora planos tragam à memória uma longa e sangrenta história de intervenção norte-americana na região https://t.co/ohHWZfWTH0
Há, sem dúvida, múltiplos interesses dos Estados Unidos, da Rússia e da China no Brasil, independentemente da orientação política do governo de ocasião. Isso sempre existiu. O fato é que, agora, essas agendas ganharam mais força no discurso interno, impulsionadas pela polarização política.
Mas não nos esqueçamos de que a presença desses interesses vai muito além da retórica. A China, por exemplo, já conta com pelo menos três montadoras de automóveis no Brasil, com fortes planos de expansão, além de projetos estratégicos, como o corredor bioceânico.
No caso da Rússia, o presidente Lula realizou recentemente reuniões e conversas telefônicas com Vladimir Putin e Mikhail Mishustin, primeiro-ministro russo. Entre os assuntos discutidos, esteve o abastecimento estratégico do mercado brasileiro com diesel e fertilizantes russos.
Já os Estados Unidos também possuem interesses estratégicos em nosso território, inclusive no setor de terras raras, com a atuação da USA Rare Earth, empresa do setor que busca ampliar sua participação nessa cadeia de suprimentos.
Os interesses são muitos: envolvem nosso mercado consumidor, nossos recursos naturais, nossa posição geográfica e nossa relevância estratégica. E parte dessas relações comerciais e dessas agendas já está em andamento durante o atual governo.
É claro que existem outras questões capazes de preocupar o cenário nacional. No entanto, não me parece razoável afirmar que o Brasil esteja sob risco iminente simplesmente em razão de uma possível troca de comando no Executivo.
Há, ainda, um aspecto que merece atenção: boa parte do eleitorado, que efetivamente votará e poderá decidir o futuro presidente, sequer tem conhecimento da dimensão desses interesses internacionais e de como eles já se manifestam na realidade brasileira.
A questão, portanto, vai muito além de quem ocupa a Presidência. O Brasil está inserido em uma disputa de interesses geopolíticos e econômicos que atravessa governos, ideologias e partidos.
Em terra de ad hominem, a imparcialidade pode ser um refúgio — não confortável, mas um pouco mais estável. O isentão passa a ser um alvo à medida que revela suas intenções. No fim das contas, desde que esteja alinhado com aquilo em que acredito, não há problema algum. Afinal, parece que a imparcialidade só é tolerada enquanto não contraria nossas convicções.
O principal propósito chinês, ao acenar à direita latino-americana neste momento, parece ser uma combinação de proteção dos interesses comerciais, preservação da influência regional e prevenção de um alinhamento automático dos países latino-americanos com Washington.
O aspecto mais revelador é que Pequim demonstra disposição para negociar com um eventual governo de direita mesmo quando ele possui afinidade política com seu principal rival geopolítico.
Isso mostra uma característica importante da política internacional: a ideologia influencia as relações entre governos, mas não elimina os interesses econômicos e estratégicos.
E há uma ressalva: a notícia não demonstra, por si só, uma operação chinesa para interferir na eleição brasileira. O que está documentado é uma sinalização diplomática de abertura à cooperação, acompanhada de interesses econômicos e geopolíticos concretos.
Algumas fontes de OSINT dizem que Trump, para forçar Zelensky a parar de atacar as refinarias russas, além de ameaçar o fim da venda de armas e do fornecimento de dados de inteligência para a Ucrânia, também teria ameaçado impôr sanções às forças armadas ucranianas, proibindo a venda de peças de reposição para os caças F-16 ucranianos. Dizem ainda que Trump ameaçou dar a Putin informações sobre a localização desses caças nas bases ucranianas.
Se isso for mesmo verdade e se realmente acontecer, marcará o alinhamento oficial de Trump ao lado de Putin na invasão russa da Ucrânia.