Advogado Criminalista sócio do CAZ Advogados Membro do IDDD e IBCCRIM Colaborador do Instituto Brasil-Israel Co-chairman do American Jewish Committee (ACCESS)
Parem para ligar os pontos: acusa Israel de Pink Washing (defesa de direitos LGBTQ+ como cortina de fumaça)
E
não condena o estupro maciço de mulheres por terroristas declaradamente homofóbicos.
Qual o valor dos direitos das mulheres e gays? Só se ser conveniente…
Se eu, que tenho conhecidos que perderam pessoas e foram convocados para a fronteira, consigo fazer isso com amigos e amigas palestinas, você que não tem nada a ver com o que acontece lá também consegue. Se esforce e se desvencilhe de sua cartilha de revolucionário de poltrona.
Meu mote é tornar complexo o conflito diante de simplificações caricaturais, mas não é nada complexo demonstrar empatia por pessoas que perderam entes nos ataques.
Invadisse a cidade sequestrando e massacrando a classe média. Sua consciência de classe lhe permitiria ficar em dúvida sobre a atrocidade para a apontar o dedo? Falta empatia do lado progressista. E isso é sério e patológico.
Se você está em dúvida sobre condenar o Hamas porque é sensível à causa palestina, proponho um exercício mental: se o comando vermelho ou PCC - que também se alimentam de uma desigualdade brutal em espaços negligenciados pelo estado e da qual somos todos responsáveis em parte -
O contexto da ocupação e seus desdobramentos é o que nos permite encontrar complexidade no conflito - e não transforma-lo num bangue bangue maniqueísta.
Mas quando colonos judeus assassinam palestinos inocentes, não venho “mas” e “se”s.
No caso, não é obrigatória e também não recomendável da perspectiva de política criminal. Porque o abordo clandestino é uma realidade, e mata muita gente. Então, a criminalização em boa medida põe o valor vida mais em risco em detrimento da autodeterminação.
Minha opinião (ainda sob construção):
STF pode fazer um juízo de ofensividade do tipo penal para dizer se o aborto na circunstância X afeta ou não a vida pelo argumento de inexorabilidade do nascimento sem vida (diferente do argumento da morte precoce, que para mim não vale).
Seja como for, eu entendo que o crime de aborto sopesa dois valores: vida e também a autodeterminação pessoal (da mulher) - nem só um nem só o outro. Por isso que do ponto de vista dogmático, a criminalização é possível sim, mas - como qualquer punição penal - não obrigatória.