"Cara, eu quero casar porque se um dia acontecer alguma merda e ela parar num hospital, e a enfermeira disser que só a família pode entrar na UTI, eu quero ser o primeiro a passar daquela porta. Quero ter o direito de segurar a mão dela."
Bicho... na hora o deboche até sumiu. No meio desse caos de aplicativo de relacionamento e gente descartável, ouvir isso soou como um soco de realidade.
A gente passa o tempo todo discutindo divisão de bens, festa cara no buffet ou quem vai lavar a louça na terça-feira, mas o "pulo do gato" é esse: é querer ser o porto seguro oficial quando o mundo estiver desmoronando. É sobre não aceitar ficar do lado de fora do corredor esperando notícias como se fosse um estranho.
Se isso não é a definição mais pura de amor (e de um baita desespero romântico), eu não sei mais o que é. É o tipo de compromisso que não cabe num post de Instagram com foto de aliança e legenda clichê. É contrato assinado com a vida, pra poder estar lá no pior momento possível.
Agora me diz aqui, sem filtro:
Vocês acham que essa vontade de "ser o herdeiro da burocracia e do cuidado" é a prova máxima de afeto ou é só a nossa carência tentando dar um sentido heróico pra uma instituição que já tá na UTI faz tempo?
Sexta-feira 13.
Que Exú nos livre de tudo aquilo que nos atrasa, nos trava e tenta nos fazer mal. Que ele abra nossos caminhos, corte as demandas e afaste toda inveja e negatividade. Laroyê!