Resolvi escrever isso porque vi um tweet ontem de um amigo querido que me fez pensar muito sobre a visão de cada um sobre a arte. Não escrevo como resposta ou contraponto pessoal a ele, até porque tenho carinho e respeito por quem pensa diferente de mim. Mas a ideia ficou na minha cabeça. Talvez porque eu enxergue a arte de um lugar muito diferente:
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A arte que precisa pedir autorização a uma ideologia antes de existir já perdeu sua essência, pois já nasceu aprisionada pelo ego de quem, convencido de sua superioridade moral, se tornou incapaz de enxergar compaixão em quem pensa diferente de si.
Ledo engano… paixões vêm e vão. Ideias também. Aquilo que hoje você acredita ser uma verdade incontestável, amanhã pode parecer tão pequeno quanto tantas certezas daqueles que vieram antes de nós. A arte, porém, permanece. Atravessou governos, ideologias, revoluções, tiranos, impérios inteiros e gerações. Não porque concordava com eles, mas justamente porque nunca pertenceu a nenhum deles.
Para mim, compreender a arte é compreender a própria experiência humana e reconhecer que nenhuma ideologia política é capaz de possuí-la.
A arte estava nas tabuletas de Uruk, estava em Gilgamesh. Estava nos degraus dos zigurates, ecoava nos cânticos dos Vedas, nas danças de Shiva e pela eternidade está nas paredes dos túmulos egípcios. Foi o fogo que Prometeu roubou dos deuses. Estava em Homero e nos rolos de Alexandria enquanto ardiam. Ela estava naquele espaço minúsculo entre dois dedos quando Michelangelo fez o Adão quase tocar seu Criador.
E é justamente por isso que acho tão pequena a ideia de vincular a arte a um lado político.
A arte nasceu quando o Homo tornou-se sapiens. E talvez só termine quando o próprio Universo exaurir seu último movimento e queira se recolher novamente à sua insignificância atômica.
Quem sabe, então, a Consciência Artística Primeva queira fazer arte outra vez e, sobre o silêncio exclame: “Om… haja luz!”