A ofensiva da esquerda com a campanha “Tariflávio” vem mantendo o senador sob forte ataque, nas redes. O índice de menções negativas a Flávio alcançou 70% nesta terça (02), de acordo com dados da AP Exata. O patamar é semelhante ao observado durante o pico da crise do Banco Master, indicando que a associação entre sua viagem a Washington e a medida tarifária encontrou espaço relevante no debate digital. Apesar disso, o desgaste de Flávio não se traduziu em ganhos para Lula. O presidente permaneceu praticamente estável, com 64,4% de menções negativas, revelando dificuldades em reduzir sua rejeição. Perfis de direita têm procurado sustentar a narrativa de que uma eventual escalada tarifária seria resultado da postura alegadamente hostil adotada por Lula em relação a Donald Trump e aos Estados Unidos. No entanto, esse argumento teve impacto limitado sobre a imagem do presidente, e Flávio Bolsonaro continua sendo o principal prejudicado na disputa narrativa travada nas redes. Outro efeito colateral foi a redução dos debates sobre a classificação do PCC e CV como facções terroristas.
Concordo plenamente. Há anos não há uma estrada tão pavimentada para uma terceira via. Resta os candidatos entenderem que devem caminhar para o centro. A direita segue reticente com o bolsonarismo, com exceção do Renan, que avança sobre esse movimento e colhe os frutos da diferenciação. Já Lula segue com dificuldades de convencer o país a lhe dar um quarto mandato, por isso, junto com Flávio, também desgastado, mantém os moderados órfão.
Dados da AP Exata mostram Lula mais próximo do centro, Flávio mais fechado na direita bolsonarista raiz e Michelle ainda capaz de dialogar com moderados
Dados da AP Exata sobre as eleições presidenciais indicam que a crise do caso Master empurrou a direita para uma posição mais fechada e ideológica nas redes. Michelle Bolsonaro também perdeu parte da proximidade com o centro registrada no início de maio, mas segue menos radicalizada e menos desgastada que Flávio Bolsonaro, mantendo-se como o nome do bolsonarismo com maior possibilidade de dialogar com segmentos moderados.
O levantamento mede a circulação política das lideranças em uma régua de -100 a +100, em que o zero representa o centro, +100 a direita mais radical e -100 a esquerda mais radical. Quanto mais perto do centro, maior a presença em públicos moderados. Quanto mais perto dos polos, maior a dependência de bases militantes e ideológicas.
No início de maio, Michelle ocupava uma faixa de centro-direita e ainda circulava fora da base bolsonarista mais fiel. Após a crise dos áudios, sua sustentação ficou mais concentrada no campo conservador. O mesmo ocorreu com Zema, Caiado e Renan Santos, mas de forma mais intensa com Flávio, cuja defesa passou a depender mais de perfis alinhados à direita radicalizada.
Esse contraste favorece Michelle em uma eventual substituição de Flávio. Ela também se afastou do centro, mas não no mesmo grau. Sua entrada poderia reduzir a toxicidade imediata da candidatura do PL e recuperar parte do diálogo com setores de centro-direita que hoje resistem ao senador. Isso não significa ocupação automática do centro, mas uma largada menos desgastada e menos restrita à militância mais fiel.
Lula teve movimento diferente. Sua sustentação segue claramente ligada ao campo progressista, mas ficou ligeiramente menos restrita ao núcleo duro da esquerda. Com a direita mais fragmentada e dependente de defesas radicalizadas, o centro torna-se mais disponível para ouvir o presidente, o que pode favorecer seu desempenho caso essa tendência se mantenha.
Nos indicadores de confiança, Michelle caiu de 18,2% na primeira semana de maio para 15,9% nos últimos sete dias. A queda foi menor que a de Flávio, que passou de 16,8% para 11,3%. Zema recuou de 17,4% para 16,4%, Caiado de 18,6% para 16,4%, Renan Santos de 15,9% para 14,4%, enquanto Lula ficou praticamente estável, de 16,9% para 17,1%.
O quadro mostra Michelle com perda de transversalidade, mas ainda com ativo político para voltar a circular em bolhas moderadas. Flávio, por outro lado, aparece mais preso à defesa radicalizada. Para Lula, a fragmentação da direita abre mais espaço de escuta no centro.
Pude explicar no programa WW, da CNN, o que os dados da AP Exata mostram sobre a fragilização que a candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta, a fragmentação da direita nas redes e a força que a esquerda vem alcançando na guerra narrativa, diante de um campo adversário que se dividiu e está em conflito. Reafirmei a possibilidade de substituição da candidatura do Flávio, uma vez que, após uma semana de crise, ainda não há sinais de recuperação e ele segue perdendo credibilidade diante dos eleitores.
Flávio Bolsonaro atingiu, nesta quarta-feira, 70,2% de mençoes negativas nas redes, de acordo com dados da AP Exata. Um índice que mostra a fragilidade de sua candidatura e coloca em causa a capacidade dele liderar a oposição a Lula. Como não apresenta sinais de recuperação, e segue derretendo, acredito que dificilmente será mantido como candidato a presidente.
A pesquisa Atlas de hoje confirmou o que os dados da AP Exata mostraram, a respeito da queda do Flávio e pouco aproveitamento do Lula, conforme afirmei no post.
O episódio Flávio-Master ajuda Lula mais pela rejeição ao senador, que cresce com o caso, do que com melhoria da imagem do presidente. A avaliação de Lula, até agora, não se alterou com as revelações. Esse foi um dos temas que abordei, em entrevista à BBC
https://t.co/LtJnuqHFOj
@Henriquerr34@ismaelollive Lula se beneficia pela rejeição ao Flávio, o que pode refletir em melhora nas pesquisas. Mas a imagem dele segue nos mesmos patamares. São questões distintas. O eleitor de centro demonstra, até agora, que precisa optar por um candidato que não o encanta.
O impacto do caso Master na imagem de Flávio Bolsonaro
Muita gente tem me perguntado como estão os dados sobre Flávio Bolsonaro depois do novo escândalo envolvendo o presidenciável e o caso Master.
No Hórus, sistema da AP Exata que analisa em tempo real as informações divulgadas nas redes sociais, o painel político, que monitora menções a todos os pré-candidatos à Presidência da República, revela uma perda de credibilidade em larga escala para Flávio.
O volume de menções negativas subiu de forma abrupta, com alta de 7 pontos percentuais. Hoje, 64,7% do que se fala sobre ele nas redes é negativo. Trata-se do pior índice entre os candidatos monitorados e também do pior patamar registrado por Flávio desde que se lançou como candidato.
A perda de confiança também é significativa. A AP Exata mede, por meio de algoritmo próprio, as emoções presentes nas publicações que mencionam os candidatos. Entre elas, a confiança é uma das mais relevantes, pois indica o grau de credibilidade atribuído ao nome analisado. No caso de Flávio, nesta quinta-feira (14), o índice de confiança chegou a apenas 13,6%. É o menor entre os candidatos relevantes e também o pior resultado dele desde o lançamento da candidatura. A queda foi de 2,7 pontos percentuais, o que reforça a dimensão do desgaste.
Em volume geral de menções, Flávio é hoje o presidenciável mais citado nas redes, com 25% do total. Em segundo lugar aparece Romeu Zema, com 23,4%, seguido de Lula, com 21,5%. Renan Santos registra 11,9%, enquanto Ronaldo Caiado mantém presença mais regionalizada, com 7,9%.
O dado sobre Zema chama atenção. Antes do escândalo, ele respondia por cerca de 10% das menções. Depois de se posicionar com críticas a Flávio, saltou cerca de 13 pontos percentuais. Caiado também cresceu, com avanço aproximado de 5 pontos. Isso indica que Zema tem sido beneficiado pela crise e passou a ser apresentado, por parte dos decepcionados com Flávio, como alternativa de voto no campo da direita e da centro-direita.
O crescimento de Zema, porém, também trouxe custos. Suas menções negativas subiram cerca de 4 pontos percentuais, principalmente por ataques de bolsonaristas, que passaram a enquadrá-lo como oportunista por causa das declarações contra Flávio.
Lula, por sua vez, segue estável nos principais índices. O caso, até agora, parece afetá-lo pouco. Não o prejudica, mas também não o beneficia de forma direta. Lula pode vir a ganhar com a queda de credibilidade de Flávio, especialmente entre moderados e indecisos, mas esse deslocamento ainda não apareceu de forma clara nos dados.
É importante lembrar que, no Brasil, nada é definitivo. Neste momento, porém, o cenário é de forte desgaste para Flávio. Ele já partia de uma rejeição elevada e agora passa a lidar com uma crise que coloca sobre ele suspeitas de corrupção, já que ainda não está claro o destino do dinheiro solicitado a Daniel Vorcaro.
O problema principal para a campanha bolsonarista é que o caso atinge diretamente a bandeira da moralidade, um ativo historicamente explorado por Jair Bolsonaro e por seus aliados em contraste com os escândalos envolvendo o PT. Flávio agora deve explicações, e as respostas apresentadas até aqui aumentaram as dúvidas. Primeiro, afirmou que não tinha contato com Vorcaro e negou que o banqueiro tivesse financiado o filme sobre Jair Bolsonaro. Depois da revelação dos áudios, essa versão acabou tento que ser desmentida por ele mesmo.
Em nota, Flávio afirmou que cobrava valores atrasados de um acordo de patrocínio firmado antes de Daniel Vorcaro estar envolvido em suspeitas públicas de corrupção. Disse: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”.
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