Por 18 anos, atendi pacientes com lúpus. E posso dizer, com toda honestidade: todas elas me ajudaram a ser o profissional que sou hoje.
Naquele ambulatório, permaneci conectado à medicina que não enxerga órgãos isolados, mas pessoas inteiras. A medicina interorgânica, humana, frágil e profundamente real.
Ali entendi a diferença entre quem reclama e quem sofre. Vi de perto os limites do conhecimento, a delicadeza das decisões e a coragem silenciosa de tantas mulheres — e crianças — que enfrentam uma doença que vai muito além da pele.
Ao rever meu acervo de imagens neste mês de maio, mês em que honramos as pessoas com lúpus, reencontrei esta paciente. Escondi seu olhar para preservá-la. Mas nunca esqueci o que ele me ensinou.
Ela foi especial. Acompanhei o crescimento dessa menina que, como uma borboleta, passou pela minha vida para ensinar mais do que eu poderia oferecer.
Com ela, aprendi os subtipos do lúpus. Aprendi a reconhecer lesões de alarme e a diferenciá-las daquelas que talvez não ameaçassem a vida, mas feriam a infância, a autoestima, o brincar, o existir sem medo.
Ela não teve a infância que muitas crianças têm. Mas teve uma missão enorme: ensinar. Ensinar sobre limite, presença, humildade e cuidado.
Na lembrança do seu belo sorriso, que iluminava nossas consultas, eu não apenas presto uma homenagem.
Eu honro cada momento vivido.
E neste mês de maio, que possamos lembrar o nosso porquê.
Porque, mesmo frágeis, como borboletas, ainda podemos voar.
Maio é o mês do lúpus.
E algumas doenças não aparecem onde as pessoas esperam.
Sempre aprendi que ética também é respeitar limites.
Mecânico cuida do motor.
Lanternagem é outra história.
Mas, na corrida pelo mercado, quem olha uma boca assim e pensa em lúpus?
Você pensou?
Porque nem toda alteração oral é ‘só da boca’.
Se esse post passar de 500 compartilhamentos, eu libero uma aula sobre manifestações orais do lúpus.