Em 3 de setembro de 2019, o telescópio espacial TESS registrou uma queda de brilho de 1,1 por cento que durou quase 21 horas em uma estrela da constelação do Cisne. O dado ficou parado nos servidores públicos da missão por sete anos até alguém olhar com atenção. E a estrela não era uma qualquer: era KIC 8462852, conhecida como a estrela de Tabby e, popularmente, como a estrela da megaestrutura alienígena. A fama dela começou com voluntários. Entre 2011 e 2015, participantes do projeto Planet Hunters, que colocava curvas de luz do Kepler diante de olhos humanos, marcaram uma estrela que não se encaixava em nada. Os algoritmos procuravam quedas rasas e periódicas. Aqueles voluntários viam outra coisa: quedas profundas, irregulares, assimétricas e sem periodicidade nenhuma, chegando a bloquear 22 por cento da luz da estrela. Para produzir isso, seria preciso interpor um objeto com quase metade do diâmetro dela. Nenhum planeta conhecido faz isso. Foi essa aritmética que abriu espaço, em 2015, para a hipótese de estruturas artificiais construídas para captar a energia da estrela, a velha ideia das esferas de Dyson. A hipótese morreu nos dados. Observações simultâneas em vários filtros mostraram que a profundidade das quedas dependia da cor da luz: o azul era bloqueado com mais eficiência que o vermelho. Estrutura sólida bloqueia todas as cores igualmente. O que produz absorção seletiva é poeira. Somando a ausência de excesso no infravermelho vista pelo WISE e pelo Spitzer, a explicação que sobrou foi uma família de exocometas que se despedaçam ao se aproximar da estrela e geram nuvens de poeira em órbitas alongadas. Só que essa explicação tinha um buraco: alguma coisa precisa arremessar esses corpos para lá. E ninguém jamais tinha visto essa alguma coisa. O novo trabalho, liderado por Cristina Madurga-Favieres na Universidade de Warwick, é a primeira evidência direta desse objeto. O trânsito encontrado no TESS é arredondado e simétrico, com formato de U, o oposto do que uma nuvem de poeira produz. A equipe ajustou o evento com dois modelos independentes de exocometas e nenhum funcionou sem parâmetros fisicamente impossíveis — embora os mesmos modelos descrevam bem as quedas antigas do Kepler, sinal de que os dois fenômenos têm origens diferentes. Para medir a massa, foi preciso refazer do zero a redução de anos de espectros do instrumento SOPHIE, no Observatório de Haute-Provence. A estrela gira a 84 quilômetros por segundo, o que borra as linhas espectrais e arruína medidas de velocidade radial. Com um tratamento novo, a incerteza caiu de 730 para 130 metros por segundo, e uma campanha entre julho de 2024 e fevereiro de 2025 acrescentou 20 medidas. O resultado descreve um corpo de 9,4 massas de Júpiter, raio de 1,7 raio joviano, densidade de 2,2 gramas por centímetro cúbico e temperatura de 268 kelvins, orbitando a 2,35 unidades astronômicas em cerca de três anos e meio. Densidade, raio e excentricidade apontam para planeta gigante, não para anã marrom. É honesto dizer que a detecção de massa tem apenas 2,3 sigma, abaixo do padrão para anunciar descoberta, e os autores pedem cautela. O melhor é que a confirmação pode chegar em semanas. As restrições do Kepler deixaram apenas cinco períodos possíveis, e o mais provável coloca o próximo trânsito entre 18 e 23 de outubro de 2026. Um evento de 21 horas e mais de um por cento de profundidade está ao alcance de telescópios modestos. Em paralelo, a quarta liberação de dados do Gaia deve enxergar o bamboleio da estrela no céu. A estrela que virou manchete mundial por suspeita de engenharia extraterrestre pode acabar entregando algo bem menos espetacular e bem mais útil: um planeta gigante e frio agitando pacientemente um enxame de destroços gelados. Fonte: Madurga-Favieres, Strøm, Wilson, Heidari e Kiefer (2026), "Evidence for a giant companion orbiting Tabby's star", Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 550, 1-17. DOI: 10.1093/mnras/stag1273 #ESTRELADETABY #ALIEN #UNIVERSE
ELA VOLTOU!!! DESCOBERTO UM PLANETA GIGANTE AO REDOR DA ESTRELA DA MEGAE... https://t.co/sY8eEIe2jA via @YouTube
o fundo do poço é o lugar mais visitado do mundo, mas ninguém tira selfie nele.
não se iludam e nem se sintam inferiores com a vida perfeita das pessoas nas redes sociais.