Não existe foto dessa lembrança. Também não precisa. Tem certas coisas que ficam guardadas só com uma palavra, um cheiro, um gesto. Comigo, foi um copo.
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Não sei se foi inventado ou se sempre esteve aí, esperando.O fernet con coca é daquelas misturas que parecem ter nascido da teimosia de alguém,numa madrugada cordobesa, quando o calor aperta e o corpo pede algo que não se decida entre o remédio e a festa.
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Dino Gaston Ciarlo: a milonga que aprendeu a andar de rock. Há músicos que fazem canções. E há outros que mudam o jeito como um país se escuta.
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A terra, o sangue e a linha
Uma genealogia da fronteira platina
Existe um modo de contar a história da fronteira que começa pelos mapas. As linhas aparecem primeiro; depois vêm os tratados, as bandeiras, os marcos, as cidades, os países.
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Há pessoas que passam por um lugar. E há pessoas que, de algum modo, ficam no lugar depois de terem partido. Pedro Ansuateguy pertence a essa segunda espécie. #DomPedrito
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Dialecto Português del Uruguay, o DPU.
Nenhum decreto o fundou. Nenhuma academia o autorizou. Nenhum governo lhe concedeu cidadania.
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Há nomes que pesam mais que as pedras sobre as quais foram escritos. Salsipuedes é um deles. Soa como um aviso murmurado entre dois goles de mate, ou como o título de um tango que ninguém se anima a compor.
Sal-si-puedes.
Saia se puder.
Poucos puderam.
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As pedras de uma cerca de pedra são símbolos de resiliência, representam um diálogo contínuo entre passado e presente, entre pessoas e paisagens.
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Amílcar Romero não se ocupou das partidas nem da mística dos clubes — foi atrás do que sobra quando o apito final não encerra nada e a violência continua ecoando pelas ruas como um tango de Piazzolla que se recusa a terminar.
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Há árvores de floresta e árvores de jardim. O espinilho é do vento. É o vento quem lhe desenha o tronco e escreve na casca a biografia de cada inverno.
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Há uma mentira que aprendemos muito cedo: a de que comer é apenas um gesto biológico. Como respirar. Como piscar os olhos. Como matar a fome antes que ela nos mate.
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Há um tipo de silêncio que só existe no Rio da Prata. Não é a ausência de som. É o vento atravessando um campo vazio, uma estação ferroviária onde já não chegam trens, uma rua de Rivera ou Tacuarembó às três da tarde de um domingo.
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Ao longo de quase dois séculos, os Estados brasileiro e uruguayo tentaram desenhar uma fronteira. Os povos da Campanha desenharam outra.
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